O Spotify implementou a remoção de mais de 50 milhões de faixas classificadas como "AI slop" ou spam de suas recomendações em 2026. Além disso, a plataforma ajustou seus sistemas para priorizar o conteúdo produzido por artistas humanos.
Esses dados foram comunicados pela própria Spotify nesta terça-feira (20). A companhia declarou que essas alterações resultaram na diminuição das queixas dos usuários relativas a conteúdos indesejados nas sugestões, e informou ter removido mais de 75 milhões de faixas da plataforma devido a infrações às regras anti-spam.
De acordo com a empresa, não há um único critério definitivo para definir se uma música deve ser considerada spam ou "AI slop", termo usado para descrever produções em massa de baixa qualidade criadas com inteligência artificial. O sistema de detecção utiliza uma combinação de indicadores, incluindo o engajamento e as avaliações dos ouvintes, os padrões de envio musical, metadados e informações obtidas de diversas ferramentas externas.
O Spotify reconhece as limitações desses detectores e aponta que a identificação se tornará progressivamente mais complexa com o avanço da IA generativa. A plataforma também monitora comportamentos ligados a abusos, tais como envios em grande volume, músicas repetidas, manipulação para motores de busca, redes de playlists destinadas ao spam e faixas com duração artificialmente curta. O Spotify garante que seus critérios são constantemente atualizados conforme surgem novas táticas.
Tais modificações integram um esforço mais amplo do Spotify para restringir fraudes, spam e conteúdos enganosos. A empresa mencionou que mais de 300 mil artistas já possuem o selo Verified by Spotify, representando mais de 99% dos artistas procurados pelos usuários, sendo que mais de 70% deles são independentes.
Adicionalmente, o Spotify começou a identificar milhares de perfis rotulados como "AI Personas", onde a identidade artística é gerada por IA. Por padrão, esses perfis são excluídos das recomendações tanto editoriais quanto algorítmicas, a menos que o próprio usuário decida segui-los.
Essas ações dão seguimento às diretrizes estabelecidas pelo Spotify em 2025 contra o uso indevido de IA, imitação de voz e spam. A plataforma também mantém, desde 2024, um limite de mil reproduções para que uma faixa possa gerar royalties. O Spotify ressalta que músicas com alta probabilidade de terem sido geradas por IA têm dez vezes mais chance de ficarem abaixo desse limite.

