Vírus Coxsackie que afetou Carlos Alberto de Nóbrega pode causar problemas cardíacos, como bradicardia
Leia mais
Olhar Digital
olhardigital.com.br

Vírus Coxsackie que afetou Carlos Alberto de Nóbrega pode causar problemas cardíacos, como bradicardia

O vírus Coxsackie, conhecido por causar a síndrome mão-pé-boca, normalmente resulta em infecções leves. Contudo, em circunstâncias raras, ele tem potencial para afetar o coração, gerando modificações no ritmo cardíaco.

Essa complicação ocorreu com o apresentador Carlos Alberto de Nóbrega, de 90 anos. Devido à infecção, ele necessitou de um marcapasso, pois o quadro agravou uma insuficiência cardíaca que ele já possuía.

O apresentador esteve hospitalizado no Hospital Sírio-Libanês, localizado em São Paulo (SP), desde a semana anterior, tendo contraído o Coxsackie tipo 2. A infecção intensificou sua condição cardíaca, resultando em bradicardia — um estado onde o coração pulsa mais lentamente que o habitual — além de outras arritmias.

A cirurgia para instalação do dispositivo foi reagendada de segunda-feira (19) para terça-feira (20). De acordo com a assessoria, Carlos Alberto encontra-se estável e sem intercorrências. Sua esposa, Renata de Nóbrega, que possui formação médica, também manifestou sintomas da infecção, mas não precisou ser internada.

O mecanismo de ação do Coxsackie envolve a entrada no corpo pela boca, sua multiplicação no trato intestinal e subsequente alcance da corrente sanguínea. Por meio do sangue, o vírus atinge diversos tecidos e consegue invadir células que possuem estruturas específicas às quais ele se liga.

No coração, essas estruturas estão localizadas nas junções entre as células musculares cardíacas, áreas cruciais para a transmissão dos sinais elétricos que regulam os batimentos. Ricardo Kazunori, cirurgião cardiovascular da BP — A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explicou que o vírus pode danificar as células diretamente, e a reação do sistema imunológico pode provocar inflamação extra.

Este processo pode levar à miocardite, que é a inflamação do músculo cardíaco. Quando essa inflamação atinge o sistema elétrico do coração, os sinais responsáveis por coordenar os batimentos podem diminuir de velocidade ou sofrer interrupções parciais, culminando em alterações do ritmo cardíaco, como a bradicardia vista no caso do apresentador.

Embora na maioria dos casos de miocardite viral as falhas de condução sejam temporárias, existem registros incomuns de bloqueios elétricos permanentes que demandaram a colocação definitiva de um marcapasso, inclusive após infecção pelo Coxsackie B2.

O aparelho funciona emitindo pulsos elétricos para auxiliar na manutenção do ritmo cardíaco quando o coração não consegue gerar ou conduzir os sinais apropriadamente. Ele corrige a alteração dos batimentos, mas não elimina o vírus causador da infecção.

Entre os grupos mais vulneráveis a quadros graves de infecção estão recém-nascidos, indivíduos com o sistema imunológico debilitado e pacientes que já padecem de doenças pré-existentes no coração ou no cérebro. Para quem já sofre de insuficiência cardíaca, uma inflamação adicional pode piorar o desempenho de um órgão que já tem dificuldade em bombear sangue eficientemente.

Alguns sintomas requerem atenção médica imediata, sobretudo se houver suspeita de envolvimento cardíaco ou neurológico. Em bebês, febre associada a dificuldade de amamentar, sonolência excessiva ou irritabilidade também exige atendimento urgente.

O Coxsackie também pode afetar o pâncreas. Há pesquisas em andamento sobre uma possível ligação entre infecções persistentes e o surgimento do diabetes tipo 1, embora esta teoria ainda esteja sob investigação.

Em casos leves, o diagnóstico é frequentemente baseado nos sintomas, dispensando exames específicos. No entanto, em situações graves ou atípicas, especialmente em recém-nascidos e pessoas com imunidade baixa, os médicos podem solicitar testes para detectar o material genético do vírus em amostras de sangue, líquido cefalorraquidiano ou tecido cardíaco.

Atualmente, não existe um medicamento específico para erradicar o coxsackievírus, nem uma vacina disponível contra ele. O tratamento é determinado pelos sintomas e pelos órgãos afetados. Nos casos brandos, os cuidados incluem hidratação e medicação para alívio de febre e dor. Quando há miocardite, é preciso monitorar o coração e usar fármacos para tratar a insuficiência cardíaca.

Nas formas mais severas, o paciente pode necessitar de suporte mecânico para manter a circulação. Caso a infecção cause mudanças significativas no ritmo cardíaco, um marcapasso pode ser necessário para sanar o problema elétrico.

A prevenção foca primariamente em práticas de higiene. Lavar as mãos com água e sabão, especialmente após ir ao banheiro ou trocar fraldas e antes de manusear ou ingerir alimentos, é fundamental para reduzir a transmissão. É igualmente importante higienizar superfícies e objetos de uso frequente e evitar o compartilhamento de talheres e pertences pessoais durante a infecção. A atenção à higiene é vital durante a gestação, visto que a mãe pode transmitir o vírus ao bebê.

No contexto de Carlos Alberto de Nóbrega, a infecção agravou uma condição cardíaca preexistente, sendo que a implantação do marcapasso visa corrigir a alteração no ritmo dos batimentos causada por essa combinação de fatores.

Popular