O Japão deu início a uma missão espacial na segunda-feira, dia 19, às 16h41 (horário de Brasília), com o lançamento da sonda MMX (Exploração das Luas de Marte). Esta missão visa trazer amostras de uma das luas de Marte de volta à Terra.
A sonda MMX foi lançada a bordo de um foguete H3, partindo do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão. Ela está programada para uma viagem de cerca de cinco anos, com o propósito de investigar Fobos e Deimos, os dois satélites naturais do planeta vermelho.
Sob a liderança da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA), a missão busca realizar um feito sem precedentes: pousar em Fobos, recolher material de sua superfície e trazê-lo de volta ao planeta. O alvo é obter um mínimo de dez gramas de amostras, cuja chegada à Terra está prevista para 2031.
Esta empreitada conta com a participação da NASA e de agências espaciais europeias, além de diversas instituições e empresas que forneceram equipamentos científicos e tecnologias essenciais para a missão.
Um dos focos científicos primários da MMX é entender como Fobos e Deimos se originaram. Existem duas teorias principais para explicar a gênese dessas luas marcianas. Uma delas sugere que os satélites resultaram de material expelido ao espaço após um grande impacto no planeta, onde os fragmentos se aglomeraram até formar as duas luas.
A segunda hipótese defende que Fobos e Deimos são asteroides que se aproximaram de Marte e foram capturados pela força gravitacional do planeta. A análise das amostras coletadas será crucial para diferenciar entre essas possibilidades. Se a origem for um impacto, os materiais podem conter vestígios de Marte misturados aos detritos do corpo que atingiu o planeta. Por outro lado, se forem asteroides capturados, eles podem manter características químicas de outras áreas do Sistema Solar.
Os achados desta missão também têm potencial para expandir o conhecimento sobre a evolução geológica de Marte e sobre a formação de planetas rochosos. Adicionalmente, a MMX investigará a viabilidade de Fobos servir como uma estação espacial natural para futuras viagens tripuladas ao Marte.
A MMX integra um esforço global voltado para a melhor compreensão do ambiente marciano e para o desenvolvimento das tecnologias necessárias para explorações espaciais de longa duração. A JAXA planeja utilizar a experiência acumulada em missões anteriores de coleta de amostras de asteroides para conduzir a operação em Fobos. A NASA também oferece suporte à espaçonave, contribuindo com instrumentos científicos, equipamentos de coleta e sistemas de comunicação.
Caso a missão seja bem-sucedida, ela possibilitará o estudo em laboratórios terrestres de materiais retirados diretamente de uma lua de Marte. A investigação minuciosa desses materiais poderá responder a questionamentos que as observações realizadas à distância ainda não conseguiram solucionar. A cápsula contendo as amostras deve retornar em 2031, momento em que os cientistas poderão iniciar a análise do material reunido durante a jornada.
