Israel retoma gradualmente a entrada de mercadorias em Gaza após suspensão devido a acusações de extorsão pelo Hamas
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Israel retoma gradualmente a entrada de mercadorias em Gaza após suspensão devido a acusações de extorsão pelo Hamas

O governo israelita comunicou a retomada progressiva da entrada de bens na Faixa de Gaza, após um período de quatro dias de paralisação. Essa suspensão ocorreu porque Israel havia acusado o movimento islâmico palestino Hamas de estar extorquindo comerciantes.

A Coordenação das Atividades Governamentais nos Territórios (COGAT), órgão israelita responsável pelas atividades nos territórios palestinos ocupados, informou que o Hamas havia cessado seus mecanismos fiscais e ameaças. Isso se refere à cobrança de 10.000 shekels, aproximadamente 2.800 euros, exigida pelo movimento islâmico palestino para cada caminhão que ingressava no território.

Na quinta-feira anterior, quando a COGAT levantou a acusação de prática de extorsão contra o Hamas, o grupo palestino justificou o valor como parte de uma «iniciativa comunitária voluntária». Segundo eles, essa iniciativa envolvia empresários que contribuíam para um fundo nacional destinado integralmente ao apoio aos grupos mais vulneráveis, além de financiar projetos de habitação, saneamento e assistência humanitária.

Posteriormente, após a confirmação de que o Hamas parou de cobrar essa taxa, os comerciantes começaram a reapresentar seus pedidos para restabelecer a coordenação com Israel visando a entrada de mercadorias em Gaza.

A COGAT assegurou que a retomada da coordenação está alinhada com o compromisso de Israel em relação às diretrizes humanitárias estabelecidas no acordo de cessar-fogo. Paralelamente, veículos de comunicação palestinos, como a agência Sanad, reportaram que os caminhões começariam a entrar em Gaza já na terça-feira.

No entanto, a COGAT manteve cautela, ressaltando que as alegações dos comerciantes, por si sós, não configuram uma verificação definitiva. Por essa razão, o organismo, que depende do Ministério da Defesa israelita, enfatizou o caráter «gradual» dessa reabertura.

Além disso, Israel alertou que qualquer comerciante que tivesse realizado pagamentos ao Hamas teria sua permissão de operação sob o mecanismo de entrada de mercadorias na Faixa de Gaza revogada.

Esta decisão foi anunciada no mesmo dia em que o Programa Alimentar Mundial (PAM) divulgou a necessidade de reduzir suas operações humanitárias na Faixa de Gaza devido à escassez de recursos, o que deixaria 500 mil palestinos sem auxílio mensalmente.

A organização também emitiu um comunicado pedindo que a comunidade global não ignorasse o enclave devastado pela guerra. Shaun Hughes, diretor do PAM nos territórios palestinos, declarou à agência France-Presse (AFP) que «as famílias [...] vivem em condições humanitárias extremamente difíceis», mesmo após um ano de cessar-fogo.

A ofensiva israelita no enclave palestino teve início após o ataque do grupo islâmico palestino Hamas contra Israel, ocorrido em 7 de outubro de 2023. Hughes informou que cerca de 1,4 milhão de pessoas, de um total de 2,1 milhões de habitantes, «ainda estão em situação de insegurança alimentar aguda e necessitam de ajuda humanitária para sobreviver», ao falar a partir dos escritórios da agência da ONU em Beit Hanina, um bairro de Jerusalém Oriental.

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