Uma revisão científica realizada em 2024 estabeleceu uma ligação entre possuir sangue tipo B e um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2. Esta conclusão foi alcançada através de uma análise detalhada de diversos estudos que compararam grupos sanguíneos com a saúde geral.
Os achados indicaram que indivíduos com sangue B, seja ele positivo ou negativo, possuem, em média, um risco 28% superior ao dos indivíduos com outros tipos sanguíneos de contrair a enfermidade. Contudo, os responsáveis pela pesquisa enfatizam que esta correlação não determina a origem do diabetes nem permite prever quem será afetado.
A equipe de pesquisadores, liderada pela epidemiologista Fang-Hua Liu, vinculada ao Hospital Shengjing da Universidade Médica da China, examinou 51 revisões científicas. Estas revisões, em conjunto, investigaram 270 potenciais conexões entre tipos sanguíneos e problemas de saúde.
O processo de análise envolveu a compilação de dados de pesquisas prévias para identificar padrões que poderiam não ser visíveis em um estudo isolado. Os cientistas também verificaram a consistência das descobertas, a suficiência de participantes nos estudos e a possibilidade de vieses ou distorções nos resultados. Além disso, eles avaliaram se tais associações poderiam desaparecer em futuras investigações.
A grande maioria das relações examinadas não demonstrou evidências robustas o suficiente para serem consideradas confiáveis. A única associação que superou todos os critérios mais rigorosos foi aquela entre o sangue tipo B e o diabetes tipo 2, quando comparada aos demais grupos sanguíneos.
Os pesquisadores alertaram que, até o momento, a ligação entre esses grupos sanguíneos e os desfechos de saúde humana continua sendo um tema controverso. Este resultado é significativo porque limita a conclusão a uma relação apoiada por evidências mais consistentes, mas isso não implica que o tipo sanguíneo B seja a causa do diabetes.
O sangue é categorizado em oito grupos primários, definidos pela combinação do sistema ABO com o fator Rh. A distinção entre os tipos A, B, AB e O é feita pela presença ou ausência de certos antígenos — moléculas capazes de provocar uma reação imunológica. O fator Rh, por sua vez, especifica se o sangue é positivo ou negativo.
Embora estudos anteriores tenham procurado estabelecer se essas diferenças biológicas poderiam estar ligadas à suscetibilidade a doenças, os mecanismos exatos que justificariam a associação entre o tipo B e o diabetes ainda não foram definidos. Uma pesquisa posterior, datada de 2025, sugeriu a hipótese de que o microbioma intestinal, composto por microrganismos intestinais, poderia estar envolvido nessa relação, embora essa possibilidade ainda necessite de comprovação.
É importante notar que o aumento de 28% no risco ligado ao sangue tipo B é menor do que o risco associado a certos hábitos e condições de saúde. Por exemplo, consumir diariamente 50 gramas de carne processada está ligado a um risco 37% maior de desenvolver diabetes tipo 2. Adicionalmente, o sedentarismo pode elevar esse risco em 112%, e o excesso de peso também figura entre os principais elementos que favorecem o surgimento da doença.
Esses percentuais não devem ser interpretados como previsões individuais nem como medidas diretamente comparáveis em todas as circunstâncias. O risco de desenvolver diabetes é multifatorial, e a associação com o grupo sanguíneo não deve substituir a avaliação de outras condições de saúde.
O estudo, publicado na revista BMC Medicine, contribui para o avanço do conhecimento sobre possíveis vínculos entre características sanguíneas e patologias. Pesquisas adicionais são imprescindíveis para elucidar por que o tipo B se relaciona com o diabetes tipo 2 e qual a real importância dessa conexão na prática clínica.
