Chuva de meteoros Oriônidas, formada por restos do cometa Halley, será visível no Brasil nesta semana
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Chuva de meteoros Oriônidas, formada por restos do cometa Halley, será visível no Brasil nesta semana

Entusiastas da astronomia têm um motivo excelente para observar o céu nesta semana, pois a chuva de meteoros Oriônidas está em seu período de pico. Este evento ocorre anualmente no intervalo entre 2 de outubro e 7 de novembro, com o dia de máxima variação entre 21 e 23 de outubro a cada ano. Próximo ao ápice, é possível registrar a passagem de 10 a 20 meteoros por hora.

O fenômeno acontece quando a Terra cruza a trajetória de detritos deixada pelo cometa Halley, que percorre o Sistema Solar interno a cada 76 anos. Ao penetrar na atmosfera terrestre, essas partículas entram em combustão, gerando os rastros luminosos conhecidos como meteoros. O nome Oriônidas deriva da Constelação de Órion, ponto celeste de onde esses rastros parecem emanar, próximo à estrela Betelgeuse.

Apesar de o radiante estar situado no hemisfério norte celeste, a chuva é facilmente observável no Brasil. Os fragmentos alcançam a atmosfera a velocidades notáveis de 67 quilômetros por segundo, o que equivale a 241 mil km/h. Mesmo com tamanha rapidez, eles deixam rastros brilhantes que podem durar alguns segundos, proporcionando um espetáculo visual digno de atenção.

Em certas ocasiões, os meteoros intensificam-se, transformando-se em esferas de fogo visíveis a olho nu, superando em brilho qualquer estrela. Além das Oriônidas, o cometa Halley também é responsável pela chuva Eta Aquáridas, que ocorre anualmente em maio.

Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, afirma que a data oficial de máxima da chuva de meteoros Oriônidas é 21 de outubro. Ele ressalta que, embora seja uma data fixa, na prática, ela pode apresentar pequenas variações de um ano para outro devido a diversos fatores.

Zurita explica que algumas chuvas de meteoros acontecem quando a Terra atravessa uma trilha de detritos muito estreita, o que permite uma determinação mais precisa do pico. Chuvas mais antigas e estabelecidas, como as Oriônidas, possuem trilhas mais dispersas e menos uniformes, o que impede que a data máxima caia sempre no mesmo dia.

Segundo o astrônomo, existem fundamentalmente dois elementos que influenciam esse padrão. O primeiro é que a máxima só pode ser mensurada calculando o número de meteoros vistos por hora, geralmente através de detecção de rádio, método que ignora as condições climáticas regionais. Como a trilha não é homogênea, a maior taxa de meteoros pode ocorrer em dias diferentes. O segundo fator é a ocorrência de anos bissextos; quando há um dia extra em fevereiro, as chuvas subsequentes tendem a ocorrer um dia antes. No caso das Oriônidas, isso pode fazer com que a data máxima varie entre os dias 20 e 23, dependendo do estudo.

Outro agente pode causar a mudança nas datas de pico ao longo dos anos: as interações gravitacionais com outros planetas, especialmente os gigantes gasosos, podem modificar a geometria da trilha de detritos. Contudo, Zurita aponta que este não é o caso das Oriônidas deste ano, sugerindo que a divergência entre fontes se deve provavelmente a diferentes estudos.

Adicionalmente, devido ao ano terrestre ter 365 dias e um quarto, há uma compensação de aproximadamente seis horas entre um ano e outro. Por isso, na astronomia, não se utilizam datas como referência para cálculos de chuva de meteoros; utiliza-se o parâmetro da longitude solar, que define a posição da Terra em sua órbita, independentemente da data.

A melhor abordagem recomendada pelo especialista é monitorar a chuva de meteoros ao longo de vários dias, sem fixar-se em uma única data. Zurita esclarece que, entre terça (20) e sexta-feira (23), pode não haver grande diferença na taxa horária de meteoros, tornando valioso observar as Oriônidas em qualquer um desses dias, independentemente de qual seja o dia máximo.

A chuva Oriônidas é visível tanto no Hemisfério Norte quanto no Hemisfério Sul. Conforme o guia de observação astronômica InTheSky.org, para um observador em São Paulo, o pico de atividade inicia por volta das 22h50 de quarta-feira (21), mantendo-se visível até as 5h da manhã de quinta (22), pouco antes do amanhecer.

O momento ideal para a observação é durante a madrugada, quando o radiante está mais elevado no céu. Na área de São Paulo, ele atinge cerca de 50° acima do horizonte leste. Neste horário, a previsão indica a possibilidade de ver até 11 meteoros por hora no pico. Em locais com baixa iluminação e céu limpo, o número pode variar entre 15 e 20 por hora. Em grandes centros urbanos, a poluição luminosa reduz essa contagem para cerca de 5 a 10 meteoros por hora, embora o fenômeno permaneça perceptível.

Para localizar os meteoros, deve-se olhar para leste, na direção do nascer do Sol e da constelação de Órion. Por volta das 3h, o radiante estará a 30° de altitude, subindo até 50° perto das 5h. Os meteoros mais longos e brilhantes surgem entre 45° e 90° de distância desse ponto. Não são necessários equipamentos sofisticados; basta encontrar um local escuro, longe das luzes da cidade, e permitir que os olhos se adaptem à escuridão por cerca de 20 minutos. Aplicativos como Stellarium, Star Walk ou SkyView auxiliam na localização de Órion.

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