A União Europeia (UE) estabeleceu um acordo inicial de quatro anos com a China visando restringir as exportações de veículos híbridos e híbridos plugáveis (PHEV). De acordo com a agência Reuters, embora as autoridades chinesas tenham afirmado que a China não é a principal responsável pelos problemas da UE, ela se posicionou como parceira na solução. Essa ação representa uma resposta diplomática à anterior entrada massiva de automóveis totalmente elétricos.
Para o presidente da França, Emmanuel Macron, essa medida visa "proteger melhor o mercado europeu contra a concorrência desleal", conforme relatado pela France Press. Houve um aumento significativo na presença chinesa no mercado europeu, saltando de apenas 1% cinco anos antes para 10%. O novo pacto prevê uma cota limitada a 300 mil unidades híbridas anualmente.
A China, sendo um grande importador de petróleo, incentivou a transição para veículos elétricos e híbridos através de altos subsídios, ao mesmo tempo em que impôs barreiras de acesso às marcas europeias em seu vasto mercado interno, que atinge cerca de 30 milhões de veículos por ano. Contudo, esse volume já demonstra sinais de saturação, e a diretriz do governo de partido único tem sido exportar a qualquer custo.
Em resposta, fábricas de montadoras chinesas já decidiram se estabelecer no continente europeu para contornar essas restrições, enfrentando desafios como sindicatos de operários e outros custos, tanto explícitos quanto implícitos. Diferentemente da China, onde os sindicatos não confrontam o governo central com greves, na Europa as empresas terão que lidar com esses conflitos trabalhistas.
No que tange ao Brasil, as reações do Governo Federal têm sido lentas, mantendo uma postura de "boas vindas". Foi demorado para que a alíquota máxima do imposto de importação para veículos chineses fosse elevada para 35%, um valor inferior ao máximo de 48% (que pode chegar a 64%) aplicado na União Europeia. Nos Estados Unidos, a tributação para carros chineses inicia em 125% e pode atingir 247%.
Embora o Brasil não deva adotar esses extremos tarifários, os 35% atuais ainda são interpretados mais como um convite do que como uma verdadeira barreira, servindo para salvaguardar os postos de trabalho e a estabilidade financeira da cadeia produtiva nacional.
