Pesquisadores investigam alegação de que formação rochosa na Turquia seria a Arca de Noé
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Pesquisadores investigam alegação de que formação rochosa na Turquia seria a Arca de Noé

Uma equipe de cientistas da Universidade Cumhuriyet de Sivas, na Turquia, está examinando uma alegação antiga de que uma formação geológica com formato de embarcação, situada no leste do país, poderia conter vestígios da Arca de Noé.

O livro bíblico de Gênesis narra que Deus decidiu destruir o planeta com um dilúvio, e Noé construiu uma grande arca de madeira para salvar sua família, ele próprio e diversos animais, seguindo as ordens divinas.

A formação em questão, denominada Durupınar, tem sido ligada à Arca de Noé há cerca de sete décadas. Recentemente, esta nova equipe de pesquisa ganhou destaque nas mídias sociais através de uma colaboração com a Noah’s Ark Scans, uma organização cristã sediada nos Estados Unidos, que promove Durupınar como o local de descanso da Arca de Noé desde pelo menos 2021.

Durupınar é uma estrutura geológica natural, constituída por material sedimentar rico em óxidos de ferro, e encontra-se próxima à cidade de Doğubayazıt, a poucos quilômetros da fronteira com o Irã.

Descobertas Preliminares e Alegações

Os pesquisadores envolvidos no projeto declararam que as análises laboratoriais ainda estão em curso. Contudo, eles descreveram algumas descobertas iniciais como possivelmente compatíveis com uma estrutura semelhante a um navio. Em contraste, alegações disseminadas nas redes sociais são mais enfáticas, sustentando que imagens de varredura comprovaram que a formação possui origem humana e é “100% não geológica”.

Alegações de origem humana também foram reportadas pela imprensa britânica e americana. Um estudioso do cristianismo primitivo, que analisa textos bíblicos e suas interpretações, observa que certas especulações sobre Durupınar circulam há décadas, oferecendo uma chance de analisar como as pessoas leem e interpretam a narrativa bíblica do dilúvio.

Para entender as alegações atuais, é importante retroceder e verificar como essa formação começou a ser associada à Arca de Noé. A nomenclatura Durupınar deriva do capitão do Exército turco, İlhan Durupınar, que notou o formato parecido com um barco ao inspecionar fotografias aéreas da área em 1959.

Devido à sua proximidade com o Monte Ararat, um pico conhecido desde a Idade Média como local de repouso da Arca de Noé, conforme o relato do dilúvio em Gênesis, surgiu a dúvida se Durupınar poderia ser os restos petrificados da arca, preservados ao longo do tempo na paisagem.

Primeiras Expedições e Conclusões Científicas

No ano seguinte, Durupınar participou de uma expedição financiada pela Fundação de Pesquisa Arqueológica dos Estados Unidos. Esta missão foi liderada por George Vandeman, um evangelista televisivo, e Arthur Brandenberger, um especialista que usava fotos aéreas para mapear e medir a paisagem, com o objetivo claro de confirmar se se tratava dos restos petrificados da lendária Arca de Noé.

Este evento foi abordado em um breve artigo da revista LIFE, na edição de 5 de setembro de 1960. O artigo registrou que, embora um membro da expedição mantivesse ceticismo sobre a natureza ser responsável por tal formato, as pesquisas realizadas “não revelaram nenhum indício de que o objeto fosse de origem humana”, levando a expedição a concluir que se tratava de uma formação geológica natural, ou seja, não eram os restos petrificados da Arca de Noé bíblica.

Após a expedição de 1960, o interesse em Durupınar diminuiu e o caso foi negligenciado por um período. No entanto, o local voltou a atrair a atenção pública no final dos anos 1970, quando Ron Wyatt, um enfermeiro anestesista e arqueólogo amador, visitou Durupınar para investigar por conta própria, inspirado pelo artigo da LIFE.

Durante sua estadia, Wyatt conduziu vários testes e afirmou que a formação era, de fato, os restos da Arca de Noé. Ele argumentou que leituras de radar e outras varreduras indicavam a presença de paredes, convés, madeira petrificada, ferragens metálicas e outros materiais esperados em ruínas de um navio de madeira. Wyatt também se intrigou com grandes pedras próximas, que, segundo ele, teriam sido usadas para estabilizar o barco enquanto flutuava.

Inicialmente, Wyatt conseguiu persuadir outro arqueólogo amador dos EUA, David Fasold, de que suas alegações eram verdadeiras. Em 1988, Fasold publicou um livro defendendo que Durupınar era a Arca de Noé. Contudo, o fervor de Fasold foi breve; menos de dez anos após a publicação, ele coautorou um artigo científico com o geólogo Lorence Collins, refutando suas conclusões anteriores. Após uma análise minuciosa das provas disponíveis, Fasold concluiu que “a suposta Arca perto de [Doğubayazıt] é uma formação rochosa totalmente natural. Não pode ter sido a Arca de Noé, nem mesmo um modelo construído pelo homem”.

Geólogos especializados tendem a concordar com a avaliação de Fasold e Collins: Durupınar é uma formação geológica natural, e não destroços de um navio de madeira. O geólogo Murat Avcı, por exemplo, identifica a estrutura em forma de barco como um grande bloco de calcário que escorregou pela encosta em um deslizamento de terra e foi subsequentemente modelado por fluxos de terra e outros processos geológicos.

Análises geológicas classificaram o material que Wyatt descreveu como madeira petrificada como rocha comum, e os itens descritos como suportes de ferro como material vulcânico intemperizado. Os padrões interpretados como compartimentos da arca correspondem à estrutura natural e às fraturas da formação, enquanto as supostas “pedras de âncora” são, na realidade, compostas de rocha vulcânica local.

Atualmente, todos os resultados do mais recente projeto de pesquisa são preliminares e inconclusivos, pois as amostras aguardam análise laboratorial, e comunicados oficiais da universidade indicam que a avaliação das evidências se estenderá até 2027.

Interpretações Bíblicas e Mitológicas

Como estudioso da Bíblia, o foco maior reside no fascínio contínuo pelas narrativas do dilúvio. A maioria dos especialistas bíblicos entende a história do dilúvio em Gênesis como parte de uma tradição mitológica muito mais antiga do Antigo Oriente Próximo. Escrivães da antiga Mesopotâmia contavam diversas versões de um relato onde deuses provocam um dilúvio catastrófico, mas alertam um homem, que então constrói uma grande arca para salvar sua família e os animais.

No Épico de Atrahasis, cujos manuscritos datam do segundo milênio a.C., o sobrevivente é Atrahasis. Uma versão similar também surge na Epopeia de Gilgamesh, onde Utnapishtim, o sobrevivente do dilúvio, ergue uma grande embarcação para resistir à tempestade.

Gênesis não se limita a replicar esses relatos antigos; ele os reelabora. Em Atrahasis, os humanos ruidosos incomodam os deuses, resultando em seu afogamento. Gênesis, por outro lado, aponta a violência e a corrupção como o problema central. Além disso, o desfecho de Gênesis diverge: em vez de impor novas restrições à procriação humana, Deus abençoa a família de Noé, ordenando que sejam “fecundos e se multipliquem”, e estabelece uma aliança com toda a humanidade e todos os seres vivos.

Um aspecto fascinante da história do dilúvio em Gênesis é que o dilúvio não resolve o problema inicial. Antes do dilúvio, a humanidade já tenderia ao mal, e após o evento, o problema permanece. No entanto, a narrativa, em essência, não trata da erradicação da maldade humana, mas sim de como a vida prossegue apesar das falhas persistentes da humanidade.

A investigação atual em Durupınar, assim como as anteriores, parte da premissa de que, por trás da história bíblica, existem evidências concretas aguardando descoberta. Essa formação geológica em formato de barco manteve essa possibilidade viva por quase setenta anos.

As antigas histórias sobre o dilúvio e suas transformações culturais podem oferecer insights sobre como as sociedades interpretavam catástrofes, a violência humana e a possibilidade de recomeço.

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Dente de capivara sugere que o Deserto do Atacama teve períodos úmidos no passado
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O Deserto do Atacama, situado no norte do Chile, é reconhecido como uma das regiões mais áridas do planeta, apresentando escassez de rios, lagoas ou qualquer fonte hídrica constante. A presença de animais como a capivara, que são semi-aquáticos e dependem de água para alimentação, reprodução e descanso, seria inesperada neste ambiente seco. No entanto, foram encontrados indícios de que capivaras já habitaram o Atacama.

Em um sítio denominado El Morro, localizado no centro do Atacama, pesquisadores descobriram um dente pertencente a um ancestral próximo das capivaras atuais. Análises subsequentes indicaram que este indivíduo do gênero Cardiatherium viveu há aproximadamente nove milhões de anos e possuía preferência por ambientes aquáticos.

Este achado contradiz diretamente a noção de que o deserto chileno é a área mais antiga e seca do mundo. O fóssil da capivara aponta para um cenário em que, durante o final do Mioceno, especificamente entre cinco e dez milhões de anos atrás, o Atacama constituía um ecossistema úmido.

Estudos anteriores haviam estimado que o clima hiperárido do Atacama teria começado a se desenvolver entre 33,9 e 47,8 milhões de anos atrás, durante o Eoceno médio a tardio, ou seja, vinte milhões de anos antes da formação das Cordilheiras dos Andes. Essa cronologia sugere que as cadeias montanhosas podem não ter sido a causa primária da desertificação, servindo, no máximo, para intensificar esse processo.

É importante notar que, atualmente, a região é limitada pela Cordilheira da Costa a oeste, que impede a umidade vinda do Oceano Pacífico, e pela Cordilheira dos Andes a leste, que bloqueia as chuvas vindas do Atlântico. Essas barreiras geográficas, combinadas com correntes marítimas frias e sistemas atmosféricos de alta pressão, são responsáveis por impedir a ocorrência de precipitações.

Adicionalmente ao dente de capivara, outras duas provas sustentam a ideia de um Atacama mais úmido. Os pesquisadores localizaram o dente em uma camada do solo que continha vestígios de um antigo ambiente marinho raso, que supostamente existiu entre sete e dez milhões de anos atrás.

Junto a isso, foram descobertos fragmentos microscópicos de vegetais, chamados fitólitos. Estes são indicadores da presença de palmeiras, gramíneas, plantas da família do gengibre e outras espécies floríferas. Este tipo de flora sugere, mais uma vez, que o local poderia ter sido uma floresta subtropical.

Apesar da existência de capivaras na América do Sul naquela época, os pesquisadores desconhecem o método exato pelo qual elas alcançaram o Deserto do Atacama. A Cordilheira dos Andes representava uma barreira de 5.500 metros de altitude entre os habitats delas e o local onde o dente foi encontrado. Por essa razão, formulou-se a hipótese de que, em vez de cruzar as montanhas, as capivaras daquele período teriam migrado ao longo da costa oeste da América do Sul, seguindo rios e outras fontes de água em áreas úmidas. O estudo foi divulgado no periódico Scientific Reports. Atualmente, embora as capivaras sejam nativas da América do Sul, elas não são encontradas no Chile.

Taxa de desmatamento na Amazônia e Cerrado atinge o menor índice da série histórica brasileira
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Taxa de desmatamento na Amazônia e Cerrado atinge o menor índice da série histórica brasileira

Os dados divulgados pelo Governo brasileiro indicam que o desmatamento nos biomas Amazônia e Cerrado alcançou o nível mais baixo registrado desde o início da série histórica.

Esses dados foram compilados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) no período compreendido entre agosto de 2025 e julho de 2026. O Prodes funciona como o sistema anual de monitoramento da supressão de vegetação nativa por meio de sensoriamento remoto, sendo conduzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que é o órgão responsável por determinar a taxa oficial de desmatamento no país.

Na Amazônia, o volume de desmatamento somou 3.335 quilômetros quadrados (km²) durante esse intervalo. Isso representa uma diminuição significativa de 41,8% quando comparado ao mesmo período do ano anterior, que havia registrado 5.731 km² de desflorestação. Este índice é o menor já documentado na série histórica da Amazônia pelo Prodes desde 1988, conforme informado pelo Ministério do Meio Ambiente e das Mudanças Climáticas, utilizando as informações processadas pelo INPE.

Entre os estados amazônicos que apresentaram maior área de supressão do bioma no último ano, destacam-se Pará, com 1.130 km²; Mato Grosso, com 849 km²; e Amazonas, com 525 km².

No que tange ao Cerrado, o desmatamento totalizou 5.516,69 km². Houve uma redução de 23,8% em comparação com os 7.235,27 km² registrados no período homólogo anterior, configurando a menor taxa da série histórica deste bioma, que teve início em 2001.

As regiões com maior incidência de desmatamento no Cerrado no último ano foram Maranhão, com 1.718,59 km²; Tocantins, com 1.263,06 km²; e Piauí, com 625,24 km². Juntas, essas três áreas corresponderam a 74,3% do total de supressão do bioma.

O Observatório do Clima, uma organização sem fins lucrativos composta por uma rede de institutos de pesquisa e entidades ambientais, manifestou sua celebração pela redução do desmatamento na Amazônia, classificando os resultados como uma «conquista histórica para o Brasil». Em nota, Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, afirmou que tais números posicionam o Brasil como um agente central na pauta de preservação florestal, demonstrando que é viável conter o avanço das motosserra e das emissões de gases de efeito estufa mediante vontade política.

A organização também ressaltou que as iniciativas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram cruciais para alcançar esses resultados. Entre essas ações, citam-se os embargos coletivos em áreas desmatadas, os monitoramentos via satélite e a expansão de mecanismos de financiamento, como o Fundo Amazônia.

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