Detalhes da visita guiada ao Palácio do Itamaraty em Brasília
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Detalhes da visita guiada ao Palácio do Itamaraty em Brasília

O Palácio do Itamaraty foi concebido por Niemeyer com a ambição de projetar o Brasil para o cenário mundial, utilizando um edifício de três pavimentos amplos que gradualmente revela a riqueza do país aos visitantes. As belezas presentes no local não são exclusivas para diplomatas, estrangeiros ou servidores do Ministério das Relações Exteriores (MRE); cidadãos comuns também têm acesso ao palácio.

A inauguração oficial ocorreu em 1970, dez anos após a transferência da capital para o Planalto Central. Além de Niemeyer, a obra contou com a participação do engenheiro Joaquim Cardozo, responsável pelos cálculos estruturais; Milton Ramos, criador da escada helicoidal; e o paisagista Roberto Burle Marx.

O resultado arquitetônico é descrito como algo quase irreal, pois o palácio parece estar suspenso sobre a água, apresentando um cubo de concreto e vidro que convida à exploração interna.

Elementos artísticos e logística da visita

Na frente da entrada principal, encontra-se a obra Meteoro (1968), de Bruno Giorgi, esculpida em mármore de Carrara. Estas peças, totalizando 50 toneladas, simbolizam os laços diplomáticos entre os cinco continentes globais.

Os visitantes devem seguir pela Entrada Oeste, próxima ao Ministério da Saúde. Antes de ingressar, é obrigatório passar pela segurança, que verifica a presença do nome no registro feito através do site oficial. É estritamente proibido entrar com mochilas ou bolsas grandes, sendo recomendado ir apenas com o essencial devido à necessidade de muita caminhada durante o passeio.

Os primeiros passos levam a um dos maiores salões desprovidos de colunas do planeta, com 2800 m² de área livre no térreo. No centro deste salão, a obra Ponto de Encontro (1969), de Mary Vieira, é a única permitida para toque, possibilitando que cada visitante modifique a peça metálica, gerando composições singulares.

O jardim de Burle Marx se estende até o segundo andar, exibindo flora da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica, complementada por diversas obras de arte.

Um ponto focal do espaço é a Escada Helicoidal, que testemunhou a passagem de figuras notáveis da história recente, como Rainha Elizabeth II e Barack Obama, atraindo muitos fotógrafos.

No primeiro andar, a Treliça de Athos Bulcão organiza o ambiente, permitindo a passagem da luz através de seus feixes de madeira pintados em preto, vermelho e amarelo. Em frente a esta treliça, localiza-se a Mesa dos Tratados, feita em jacarandá, onde a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888.

O pavimento superior é alcançado por uma escadaria azul que dá a impressão de flutuar sobre o chão, culminando em um nível onde os degraus parecem desaparecer.

O piso final funciona como um museu, repleto de obras. O olhar é primeiramente atraído para o lustre Revoada dos Pássaros (1968), de Pedro Corrêa de Araújo. Apesar de pesar uma tonelada, a peça em bronze, prata e cristais aparenta flutuar. Também merecem atenção os tapetes persas, nos quais não é permitido pisar.

Em destaque artístico, encontra-se a pintura Independência ou Morte (1888), de Pedro Américo, em uma dimensão de 109 cm por 201 cm (menor que a original do Museu Paulista, que mede 415 cm por 760 cm). Há também outras obras de Alfredo Volpi, Bruno Giorgi, Lasar Segall e Victor Brecheret.

Ao se dirigir à varanda, Brasília se apresenta de forma imponente. Contrastando com a leveza do Itamaraty, observa-se o Palácio da Justiça, que é robusto e pesado, parecendo uma caixa escura no Eixo Monumental.

O jardim central proporciona alívio ao ambiente e antecede o ápice da visita: a sala de jantar. Nesta sala, onde são recebidos representantes internacionais, há a tapeçaria Vegetação do Planalto Central, de Burle Marx, com formas orgânicas em tons de azul e vermelho.

A experiência termina com todos contemplando a cidade, talvez planejando seu próximo destino. A sensação transmitida é de querer permanecer mais tempo, explorando este Brasil quase onírico, como se estivesse saindo de uma visão futurista.

Informações práticas sobre a visita

A visita ao Palácio do Itamaraty é gratuita e oferece a oportunidade de apreciar a arquitetura modernista do edifício. Para participar, é imprescindível realizar o agendamento com, no mínimo, 24 horas de antecedência pelo site oficial.

Existem dois itinerários disponíveis. O tradicional, realizado de terça a domingo, abrange diversos espaços do palácio, desde o térreo até o terceiro andar. Este passeio inclui o Hall Principal, o Jardim Aquático e a célebre Escada Helicoidal, além de salas como a dos Tratados, Dom Bosco, D. Pedro I e Portinari. O percurso também contempla o Salão Nobre e a Sala Brasília.

Já o roteiro denominado “O Palácio Itamaraty como você nunca viu” ocorre exclusivamente aos sábados e foca em áreas menos conhecidas. As paradas incluem o Cerimonial, o Salão Branco, com painéis de Emanoel Araújo e Rubem Valentim, e o Espaço Sebastião Salgado. Este trajeto também visita salas de reunião, o auditório Embaixador Wladimir Murtinho, que exibe o grande painel de Sérgio Camargo, e oferece uma vista da Escada Helicoidal, permitindo observar o subsolo e o térreo.

As visitas são conduzidas por mediadores e ocorrem em horários pré-agendados, começando às 8h30. O tour está disponível nos idiomas português, espanhol, francês e inglês.

Para quem utiliza carro durante a semana, o estacionamento deve ser feito em outras áreas da Esplanada dos Ministérios, visto que o estacionamento do Itamaraty é restrito a funcionários. Para transporte por aplicativo, recomenda-se indicar o Ministério da Saúde, Bloco G, como destino e solicitar desembarque na lateral do edifício.

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