A Daihatsu, uma subsidiária da Toyota especializada em carros compactos, apresentou um novo motor que funciona com amônia, substância utilizada na produção de fertilizantes. Este protótipo foi exposto durante o Japan Mobility Show Bizweek, realizado no Japão.
Este desenvolvimento se insere na estratégia multifacetada da Toyota, que busca alternativas além dos veículos totalmente elétricos para diminuir as emissões. No mercado brasileiro, a empresa já introduziu híbridos flex, capazes de operar com etanol.
O motor em questão é baseado no motor de três cilindros 0.66 turbo, empregado nos kei cars, que são veículos japoneses de pequeno porte com capacidade de motor de até 660 cm³. É importante notar que o sistema utiliza apenas amônia líquida, dispensando o reservatório de hidrogênio.
Devido à dificuldade de combustão da amônia, o sistema realiza uma conversão parcial desta em hidrogênio. Esse hidrogênio é então misturado ao combustível restante para estabilizar o processo de combustão.
Durante a ignição e quando o motor está frio, um reator de plasma utiliza eletricidade para gerar o hidrogênio. Após o aquecimento do conjunto, um reformador catalítico assume essa função, conforme relatado pela equipe da Daihatsu ao site japonês Motor Fan.
Uma vantagem significativa é que, por não possuir carbono em sua molécula, a amônia não libera dióxido de carbono (CO₂) durante a queima. Além disso, ela é mais simples de armazenar que o hidrogênio puro: ela se liquefaz a -33 °C, enquanto o hidrogênio necessita de temperaturas de -253 °C ou tanques de alta pressão.
No entanto, há desvantagens notáveis. Para transportar a mesma quantidade de energia que a gasolina, o tanque de amônia precisaria ser aproximadamente 2,5 vezes maior. Adicionalmente, a combustão pode gerar óxidos de nitrogênio, e a amônia não queimada pode liberar óxido nitroso, um gás de efeito estufa mais potente que o CO₂.
Os próprios engenheiros reconhecem que integrar todo esse sistema em um kei car representa um grande desafio. Atualmente, o motor encontra-se em testes de bancada e jamais foi instalado em um veículo. O objetivo é alcançar a potência dos kei cars existentes.
Outros fatores a serem considerados incluem a toxicidade da amônia, a ausência de uma rede de abastecimento estabelecida e o fato de que sua produção atual depende majoritariamente do gás natural, gerando CO₂ no processo de fabricação.
