Morretes é frequentemente incluída nos roteiros de viajantes como destino final de uma viagem de trem saindo de Curitiba. No entanto, muitos turistas descem, almoçam barrado e retornam à capital no mesmo dia. O autor do artigo descobriu que a cidade oferece muito mais do que apenas um trânsito, e percebeu a diferença entre apenas passar por Morretes e explorá-la durante um fim de semana.
Além do centro histórico cruzado pelo rio Nundiaquara, a cidade exala orgulho pela culinária local, atrações centenárias e natureza preservada. Como Antonina fica a apenas 15 km, ela pode ser incluída no mesmo roteiro para ver a arquitetura colonial e a tradicional fábrica de balas de banana.
Abaixo está um roteiro para quem planeja passar três dias na região após chegar de trem de Curitiba.
Quando o trem chegou a Morretes por volta das 13h, o autor focou no almoço. Isso não foi tanto por fome, mas pela expectativa de finalmente provar o barrado. Após várias recomendações de que a degustação deste prato é quase obrigatória neste lugar, ele decidiu começar seu fim de semana com ele.
O barrado é um prato de carne bovina cozido lentamente, servido com farinha de mandioca, arroz, banana e salada. Para prová-lo, o autor foi ao restaurante Stazione.
O restaurante está localizado na Rua XV de Novembro, perto do centro, e tem vista para a Serra do Mar, com terraço e área externa cercada por vegetação. Antes mesmo do início da refeição, a mesa exibia acompanhamentos culinários locais. No entanto, o verdadeiro ritual começa com o serviço do barrado.
O garçom ensina como misturar a carne com a farinha no prato até a consistência desejada. Em seguida, há um teste mais curioso de prontidão do prato: o funcionário vira o prato de cabeça para baixo sobre a cabeça de uma pessoa.
Além deste prato típico, o Stazione oferece camarões, bolinhos de caranguejo e peixe frito. A área externa com redes e playground convida a prolongar o almoço antes de outras excursões.
Após o almoço, o autor dirigiu-se a Antonina, que fica a 15 minutos de carro do Stazione. A proximidade das duas cidades facilita a combinação das visitas em um único fim de semana.
Antonina, fundada no início do século XVIII, preservou um complexo de construções coloniais e dá para a baía que lhe deu nome. Na cidade, está a Bala de Banana Bananina, um complexo que reúne loja, pequeno museu e parte da própria fábrica.
Ao entrar, a loja ocupava o primeiro espaço. Desejando conhecer melhor a história das famosas balas de banana, o autor seguiu para o fundo, onde ficavam o pequeno museu e a área de produção. Entre fotos da família e informações sobre a história da empresa e de Antonina, ele chegou a uma grande janela através da qual se podia observar o processo de fabricação.
A fábrica opera desde 1979 e mantém as etapas artesanais de produção. A visita é gratuita e não requer guia, mas permite ver como as balas são cortadas, embaladas e montadas.
De volta à loja, o autor pôde experimentar amostras de diferentes sabores: tradicional, apenas com banana, e também combinações com abacaxi, coco, goiaba, gengibre e canela. Vale notar que o sabor de gengibre é excelente.
Além das balas, a loja apresenta outros produtos artesanais, como geleias, passocas e café, além de souvenirs, como ímãs de geladeira.
Do lado de fora, há uma antiga caldeira a vapor que funcionou até 2023 e era usada para aquecer as caldeiras aplicadas na preparação dos doces. A loja abre diariamente das 9h às 18h, e a produção de segunda a sexta até as 17h. Para observar a fabricação, recomenda-se vir entre 9h e 12h ou das 14h às 16h.
Voltando a Morretes, a noite foi adornada pela vista de um avião Airbus A318 ao pôr do sol. O avião faz parte do Hangar Morretes, uma área de lazer e gastronomia localizada na Rua Almirante Frederico de Oliveira.
O autor chegou por volta das 16h30 com amigos para um momento de happy hour. Primeiro, ele entrou no avião, que funciona essencialmente como um museu aeronáutico. No interior, os assentos e alguns mecanismos foram preservados. Painéis transparentes permitem observar as estruturas internas da aeronave, incluindo componentes originais do motor, bem como os sistemas hidráulicos e elétricos.
Lá fora, na margem do rio Nundiaquara, eles passaram a noite desfrutando de petiscos e bebidas. Como aperitivo, pediram camarão à milanesa (79,90 reais) e batatas fritas (29,90 reais). Entre os coquetéis, o caipirinha de banana foi o favorito (29,90 reais).
A comida é simples, e o menu é mais adequado para petiscos do que para uma refeição completa. Para quem come pouco, é possível passar algumas horas lá, transformando petiscos em jantar. Se o plano for uma refeição completa, recomenda-se visitar um restaurante no centro de Morretes, como o italiano Il Maggiore.
O Hangar funciona às quintas e sextas-feiras das 10h30 às 18h; aos sábados das 10h30 às 20h; e aos domingos das 10h30 às 18h. A entrada custa 25 reais por pessoa na sexta-feira e dá direito à visitação do avião. No sábado e domingo, o preço sobe para 35 reais. É importante notar que a taxa é cobrada mesmo daqueles que ficam apenas na área externa, sem entrar na cabine.
Ekôa Park
No sábado, o autor mergulhou na vegetação da Floresta Atlântica. O Ekôa Park está localizado na Estrada da Graciosa, a cerca de 20 minutos do centro, e ocupa uma área de 238 hectares de Mata Atlântica. O parque foi criado para unir conservação ambiental e lazer e faz parte do Grande Parque da Mata Atlântica, uma das maiores áreas contínuas deste bioma no país. O autor observou que este foi seu local favorito em Morretes.
Ele chegou por volta das 9h30. Na entrada, uma funcionária explicou ao grupo como o parque funciona e falou sobre a conexão do espaço com a floresta circundante. Na recepção, há também uma loja com roupas e artesanato. Em seguida, a vegetação toma conta da paisagem, e os visitantes que compraram o ingresso padrão continuam o caminho sem acompanhamento de guias. Aviso: leve repelente, pois os mosquitos fazem parte da visita.
A primeira parada foi na casinha amarela, onde ocorre uma projeção de 180 graus contando a história de Morretes. Ao final, a animação mostra uma porta secreta levando à próxima etapa do passeio.
O caminho continua pelo Corredor dos Sentidos, que começa em um túnel de madeira, através das frestas do qual penetra a luz do sol. Os sons dos pássaros acompanham o passeio, e após passar, outros elementos intensificam a atenção aos aromas e sons da natureza, como pequenas esculturas de ouvidos instaladas nas árvores.
Em seguida, ele se aprofundou na floresta. Na alameda principal, a Alameda das Artes, entre a vegetação estão instalações que transformam o passeio em uma galeria a céu aberto com obras do artista Toni Reis. Estas obras brincam com as relações entre o ser humano e a natureza. Por exemplo, na obra 'Pensador', a famosa escultura de Rodin recebe uma releitura integrada à paisagem. E em 'Gigante da Natureza', a cabeça parece emergir da terra, coberta de musgo.
A natureza apresenta pequenas surpresas além da arte. O grupo encontrou sementes de urucum, um fruto usado para obter pigmento vermelho. Eles pararam para observar, e em poucos minutos suas mãos ficaram tingidas de vermelho.
Depois, voltaram em direção ao Tekôa. Este espaço funciona como uma escola, oferecendo cursos relacionados à bioconstrução, permacultura, agrofloresta, design ecológico e arquitetura bioclimática.
Após uma manhã inteira na floresta, chegou a hora do almoço. No Oka Gastronomia, o bufê parecia tão apetitoso que causava ronco na barriga. O menu incluía pratos como vegetais salteados, ragu de feijão, barrado, feijão de coração de palmeira e frango assado com ervas. E quando parecia que tudo havia sido comido, surgiu um brownie com mousse de maracujá para finalizar a refeição. O bufê custa 79,90 reais por adulto e inclui sobremesa.
O parque possui três trilhas. A Trilha da Floresta tem 553 metros de extensão e apresenta as características naturais; a Trilha Peabiru, com 1190 metros, conta sobre os segredos do caminho que ligava o Brasil ao Peru; e a Trilha dos Pássaros, com 925 metros, leva a uma torre de observação de biodiversidade. O ingresso principal custa 100 reais por pessoa e inclui a projeção de 180 graus, o Corredor dos Sentidos, a Alameda das Artes, as três trilhas, a rede suspensa, a área infantil Curumim e o Tekôa. Algumas atividades, como parque de cordas, tirolesa, caiaque e bolha humana, são pagas separadamente e custam 45 reais.
O Ekôa Park fica a 20 minutos de carro da Estação Ferroviária de Morretes e a 25 minutos da estação de Antonina. Como o parque oferece entretenimento suficiente para ocupar quase um dia inteiro, vale a pena ajustar o passeio de trem de acordo com o tempo disponível. No sábado, domingo e feriados, o trem Caiçara parte de Antonina às 14h e de Morretes às 16h, percorrendo o trecho entre as cidades em pouco mais de uma hora.
O passeio de trem merece um material à parte. Para saber como é viajar em um trem com mais de 140 anos, com apito, faíscas, saxofone e até o quepe do maquinista, leia o artigo completo sobre o trem Caiçara.
O passeio pelo centro histórico é obrigatório. Como a área é pequena, tudo pode ser visto a pé, sem pressa, caminhando pelas ruas de paralelepípedos, passando por mansões preservadas e lojas de artesanato que ocupam grande parte das calçadas.
O autor aproveitou o início do pôr do sol para passear pela região. Ele parou acidentalmente na sorveteria Primorato. Fundada em 1954, hoje possui duas filiais: uma na Rua das Flores, outra na Rua XV de Novembro. O ponto forte do estabelecimento são os sorvetes de frutas exclusivos, mas vale a pena experimentar sabores menos óbvios, como o de gengibre.
Entre as principais atrações históricas do centro está a Catedral Nossa Senhora do Porto, construída em 1812 e marcada pelo sino português de 1854. O rio Nundiaquara cruza o centro. Nas margens, pessoas eram vistas pulando na água, jogando xadrez e tocando violão. Também é possível fazer um passeio de gôndola com guia mediante agendamento prévio.
Pátio Morretes
Após uma longa caminhada, chegou a hora do jantar. O autor foi ao Pátio Morretes, que também fica no centro da cidade, e encontrou um lugar animado, mas aconchegante. Após a reforma em janeiro, o Pátio Morretes se livrou do formato anterior com food trucks e se tornou um estabelecimento unificado, oferecendo gastronomia e música ao vivo. A decoração também foi transformada, utilizando bambu e cipós no interior.
A música, um dos principais destaques da nova fase do restaurante, acompanhou sua noite. A trilha sonora era fornecida por Kadu Lambach, primeiro guitarrista do Legião Urbana, e acompanhava conversas animadas junto com os aperitivos. Quanto à culinária, o menu permite tanto um lanche rápido quanto uma refeição completa. Há pratos individuais, grelhados e petiscos leves, além do barrado.
O Pátio Morretes funciona atualmente às sextas, sábados e domingos, das 11h30 às 23h. O espaço também conta com uma área infantil supervisionada.
Para encerrar o fim de semana, o autor escolheu o tour Serra Adventure, que percorre cerca de 30 km em um veículo off-road por estradas de terra, rios e paisagens verdes. No carro, o grupo viaja com um guia que compartilha fatos interessantes sobre a região ao longo do caminho. Além das áreas naturais, o roteiro inclui a visita ao Hisgeopar e uma parada na Casa Poletto para degustação de bebidas locais.
A primeira parada do Serra Adventure foi no parque temático Hisgeopar, que reúne maquetes automatizadas de 110 m² que contam sobre a história e geografia do Paraná. A instalação abrange diversos ciclos econômicos do estado, começando pela colonização e construção da ferrovia entre

