Estruturas de pedra com formas circulares, corredores e seções retangulares foram descobertas em imagens do Google Earth, despertando grande interesse entre arqueólogos nos Andes Argentinos. Esta descoberta está localizada na cordilheira Tigre, na província de Mendoza, e potencialmente pode ser um geoglifo antigo, embora sua idade e propósito permaneçam desconhecidos.
A descoberta atraiu a atenção dos pesquisadores devido às suas características incomuns e localização remota, situada a mais de três mil metros acima do nível do mar. Uma das hipóteses consideradas sugere que este local foi usado durante cerimônias no período Inca, embora os especialistas não excluam outras possíveis origens e funções.
A pesquisa faz parte do projeto ArqueoAndes, uma colaboração entre pesquisadores da Argentina e Espanha dedicada ao estudo das mudanças históricas na paisagem das altas montanhas dos Andes. De cima, a disposição das pedras forma uma figura que pode ser interpretada como um geoglifo — um desenho de grande escala criado diretamente no terreno através de escavação ou disposição de materiais, como pedras.
Há inevitavelmente comparações com as famosas Linhas de Nazca no Peru. No entanto, os pesquisadores enfatizam as diferenças significativas entre essas estruturas. Enquanto os desenhos de Nazca foram criados principalmente pela remoção de pedras e exposição do solo, o complexo encontrado em Mendoza consiste em construções formadas pelo empilhamento de rochas e pela criação de corredores.
Portanto, a semelhança visual observada nas imagens de satélite não implica que ambas as estruturas tenham a mesma origem, técnica de construção ou propósito. A classificação da descoberta argentina como geoglifo ainda requer mais estudos. Os arqueólogos também não sabem se a formação foi construída em um único período ou se sofreu alterações ao longo do tempo.
Possível ligação com o período Inca
Uma das principais teorias é que a estrutura poderia ter sido usada durante o período Inca, aproximadamente nos séculos XV-XVI. Essa possibilidade é considerada porque os Incas davam significado religioso às montanhas, trilhas e outros elementos da paisagem. Nesse contexto, o local poderia ter desempenhado alguma função cerimonial ou simbólica, embora ainda não haja provas suficientes para confirmar essa interpretação.
A localização também levanta questões. O território é de difícil acesso e não possui fontes de água próximas, o que torna improvável a residência permanente. Durante a primeira inspeção, os pesquisadores não encontraram fragmentos de cerâmica ou restos de comida na superfície que pudessem indicar a existência contínua de uma comunidade neste local.
Os pesquisadores, portanto, consideram provável que a estrutura servisse como acampamento sazonal ou desempenhasse várias funções ao longo de sua história. Eles também não excluem que a construção anteceda ou suceda o período Inca. No entanto, a ausência de materiais arqueológicos na superfície não é suficiente para determinar a idade ou o uso desta área; essas questões dependerão de análises mais detalhadas.
Uma nova expedição está planejada para dezembro de 2026, com a participação de pesquisadores argentinos e espanhóis. Gobby acompanhará a equipe como guia até o local. Os trabalhos de campo visam mapear a estrutura usando drones e equipamentos GPS de alta precisão, realizar escavações e coletar sedimentos para análise. Os dados obtidos ajudarão a determinar a idade da construção e a reconstruir as condições climáticas da região nos períodos de seu possível uso.
A pesquisa está integrada ao projeto ArqueoAndes, que reúne especialistas do Instituto Argentino de Nivología, Glaciología y Ciencias Ambientales, afiliado ao Conicet, da Universidade Nacional de Coyba e da Universidade de Jaén, na Espanha. Além de descobrir a origem da estrutura, os pesquisadores pretendem entender como as populações antigas usavam e davam significado à paisagem montanhosa. O trabalho também deve considerar a conexão do patrimônio com as comunidades indígenas da região de Uspallata. A investigação arqueológica deve seguir procedimentos que preservem o local e previnam danos às estruturas descobertas.
Até a conclusão da expedição e da análise dos resultados, a idade, a função e a possível ligação do complexo com os Incas permanecerão questões em aberto. Por enquanto, o Google Earth tornou-se o ponto de partida para uma pesquisa que pode revelar novos detalhes sobre a presença humana nos Andes.
