Elon Musk expressou a crença de que a SpaceX tem potencial para alcançar um valor de mercado superior a US$ 12 quatrilhões, o que equivale a cerca de R$ 59,76 quatrilhões. Este montante excede em mais de cem vezes a produção econômica global prevista para 2026.
Em uma publicação realizada na plataforma X, o empresário indicou que existe um caminho para atingir tal patamar, embora tenha ressaltado que este resultado não é assegurado. Essa projeção diverge dos valores atuais da corporação e suscita questionamentos sobre a exequibilidade financeira da expansão espacial.
De acordo com o Business Insider, no encerramento da quinta-feira, a SpaceX era avaliada em US$ 2,2 trilhões (equivalente a R$ 10,96 trilhões). Para que a empresa atinja o valor estimado por Musk, seria necessário que suas ações se multiplicassem por aproximadamente 5.500, mantendo-se as demais circunstâncias inalteradas.
A magnitude dessa meta torna-se mais evidente quando comparada à previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que estima a produção mundial em US$ 126 trilhões (R$ 627,48 trilhões) para o ano de 2026.
Ao comentar sobre a possibilidade de valorização, Musk fez uma ressalva, escrevendo no X: “Só significa que acredito que há esse caminho e que a probabilidade de alcançá-lo não é zero”.
Neste cenário hipotético, um aporte de US$ 1.000 (R$ 4.980) na empresa se transformaria em US$ 5,5 milhões (R$ 27,39 milhões).
A SpaceX é responsável pela fabricação de satélites, naves espaciais e foguetes. No segundo trimestre, a companhia gerou uma receita de US$ 7,8 bilhões (R$ 38,84 bilhões), representando um aumento de 92% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar desse crescimento, ela registrou um prejuízo líquido de US$ 541 milhões (R$ 2,69 bilhões), o que foi menor do que a perda de US$ 1 bilhão (R$ 4,98 bilhões) registrada um ano antes.
Projeções futuras e análise de especialistas
Musk comunicou a analistas de Wall Street que a empresa planeja faturar US$ 1 trilhão (R$ 4,98 trilhões) até 2030. Ele mencionou que há uma chance não nula de essa meta ser alcançada já em 2029.
Mesmo que a receita anual atingisse US$ 100 trilhões (R$ 498 trilhões), esse valor ainda estaria aquém de 1% da avaliação mínima sugerida por Musk, caso se considere um múltiplo de 100 vezes o faturamento. Essa comparação serve para ilustrar a grande disparidade entre as metas de receita e o valor de mercado especulado.
Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, associa a visão de Musk à expansão humana para além da Terra. Ele aponta que colônias espaciais poderiam aumentar o acesso a minerais, energia e novas oportunidades econômicas, mas transformar essa visão em um empreendimento exige investimentos substanciais e operações intrincadas.
Ipek Ozkardeskaya, analista do Swissquote Bank, também levantou dúvidas sobre os custos inerentes ao projeto, afirmando: “O que ele não diz é quanto custará chegar lá”.
Os principais obstáculos destacados pelos analistas incluem: Mould aconselha que os investidores utilizem uma taxa de desconto muito elevada para os potenciais fluxos de caixa futuros da empresa, devido aos riscos envolvidos. Por sua vez, Neil Wilson, estrategista de investimentos da Saxo UK, vê as ações como um risco apostado no futuro da humanidade. Embora ele acredite que Musk esteja exagerando, ele concorda que até mesmo uma pequena parcela do valor projetado tornaria a SpaceX extremamente valiosa.
A avaliação de US$ 12 quatrilhões permanece como uma possibilidade defendida pelo empresário, e não como um resultado garantido. O tamanho dessa cifra sublinha o desafio de converter a expansão espacial em um negócio capaz de suportar expectativas tão altas.
