Receitas culinárias de Goa que começaram com dez potes em 2010 agora se espalham pelo mundo
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Receitas culinárias de Goa que começaram com dez potes em 2010 agora se espalham pelo mundo

No final de 2010, Maria de Mello iniciou um pequeno experimento culinário, preparando apenas dez potes de marinada Tendlim em casa em Moira, Goa. Ela recorda que inicialmente não tinha certeza se alguém compraria seus produtos, mas o primeiro lote esgotou muito rapidamente, o que a motivou a fazer mais uma remessa.

Essa modesta experiência doméstica gradualmente se transformou em algo significativamente maior em Goa. Maria, que possui mestrado em psicologia clínica e anteriormente trabalhou com organizações não governamentais, decidiu trabalhar em casa após o nascimento do filho para passar mais tempo com os filhos e continuar cozinhando.

Ela explica que sempre amou cozinhar, então decidiu tentar preparar alguns pratos em casa e verificar a demanda. Maria enfatiza a importância de preservar a culinária local e a identidade, observando que Goa é uma comunidade cultural muito diversificada, mas é um estado pequeno.

Hoje, seu masala curry de Goa é muito procurado e frequentemente tem fila de espera. Ele é moído fresco em pequenas quantidades, permitindo que os compradores cozinhem um curry cujo sabor lembra os pratos da infância. Sua marinada doce de manga combina mangas maduras com amêndoas, castanha de caju e passas, e ela se esforça para manter esta receita tradicional de Goa nas cozinhas das pessoas.

O trabalho começa às cinco da manhã e pode continuar até meia-noite. Seu marido, Leo, ajuda na busca por ingredientes, embalagem e cuidados com as crianças, enquanto sua filha Grace geralmente espera até que Maria termine o trabalho. Quinze anos após os primeiros dez potes, a empresa The Goan Homestead conta com cerca de 250 clientes fixos. Seus produtos agora estão disponíveis para famílias no Reino Unido, Irlanda, Austrália, Japão, Dinamarca e EUA.

Atualmente, a The Goan Homestead oferece de quinze a vinte itens artesanais que carregam os aromas das tradições culinárias goanesas. Maria espera que, graças à The Goan Homestead, muitas receitas tradicionais possam ser preservadas.

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O programa Sabores do Campo, exibido aos domingos, apresentou uma receita tradicional originária do Cerrado: a paçoca de baru. O responsável pela preparação é o produtor rural Lázaro, que, juntamente com sua esposa, Dona Arminda, administra mais de dois mil pés de baru em sua propriedade.

A família tem explorado os frutos do Cerrado há mais de vinte anos, transformando a colheita da castanha em uma fonte de renda. A receita possui raízes familiares, visto que Lázaro já costumava preparar paçoca na Bahia utilizando gergelim antes de adaptar o preparo para o baru.

Dona Arminda relatou que a inspiração para usar o baru na paçoca surgiu durante uma festa da semente. Desde então, Lázaro passou a produzir essa receita, que se consolidou como uma das principais maneiras de aproveitar a castanha.

Ingredientes

Os componentes necessários para a receita incluem castanhas de baru, rapadura a gosto e sal a gosto.

Modo de preparo

O procedimento inicial consiste em remover o baru do fruto. Lázaro emprega uma foice modificada, desenvolvida por ele e seu filho, ou um facão. A foice agiliza o corte, mas requer que a polpa seja removida posteriormente. Se for usado o facão, a castanha já se encontra quase pronta para a fase seguinte.

Após a extração, é fundamental selecionar cada castanha individualmente, de modo semelhante à separação de grãos de feijão antes do cozimento. As castanhas de boa qualidade apresentam cor clara, enquanto aquelas danificadas devem ser descartadas para evitar que a paçoca fique amarga.

Em seguida, as castanhas passam por um processo de peneiramento para eliminar quaisquer impurezas. Somente após essa limpeza, elas são levadas ao forno.

O tempo de assamento deve ser de aproximadamente trinta e cinco minutos. É imprescindível mexer as castanhas a cada dez minutos para prevenir que queimem em um dos lados. O ponto ideal é atingido quando elas adquirem a tonalidade característica, mais avermelhada.

Com as castanhas torradas, inicia-se a confecção da paçoca. Elas são colocadas em um pilão junto com um pouco de rapadura e uma pitada de sal. Os ingredientes são socados no pilão até que estejam completamente misturados, sendo necessário dar algumas mexidas durante o processo para uniformizar a distribuição dos grãos.

A paçoca estará pronta para ser servida assim que todos os elementos estiverem bem incorporados e apresentarem a textura típica do doce.

Além de valorizar um fruto típico do Cerrado, esta receita preserva uma tradição familiar. O método de produção também motivou o filho de Lázaro a desenvolver outros itens derivados do baru, contando com o suporte do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Para a família, o preparo evoca memórias de gerações passadas, pois o uso do pilão remete às histórias de pais e avós que também utilizavam esse utensílio na cozinha. Lázaro comentou durante a degustação da paçoca sobre a variação do tempero, dizendo: «Você viu tanto que a pitadinha de sal muda?»

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