Devido à perda do acesso ao Starlink, Rússia acelera lançamento de rede de satélites própria
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Devido à perda do acesso ao Starlink, Rússia acelera lançamento de rede de satélites própria

Com a impossibilidade de acesso à rede Starlink na Ucrânia, a Rússia intensificou o desenvolvimento de sua própria infraestrutura de internet via satélite. Este sistema, denominado Rassvet, foi criado pela empresa aeroespacial Bureau 1440 e tem como objetivo principal expandir as comunicações militares e auxiliar na coordenação de drones em zonas de combate.

A transmissão de dados em alta velocidade tornou-se crucial para as operações militares, incluindo o envio de vídeos em tempo real. Inicialmente, sem uma solução interna, as forças russas recorreram à rede da empresa de Elon Musk, o que evidenciou uma dependência que o Kremlin agora busca diminuir.

No entanto, o desempenho do Rassvet ainda apresenta deficiências significativas em comparação com os sistemas mais modernos do mercado. Enquanto a primeira versão do equipamento atinge velocidades de até 1 gigabit por segundo, a geração atual do Starlink opera em torno de 100 gigabits por segundo.

O projeto também enfrenta dificuldades para aumentar a cobertura e garantir uma conexão ininterrupta. Um dos maiores desafios reside na disparidade de capacidade quando se considera a futura geração do Starlink. O astrofísico e historiador espacial Jonathan McDowell previu que o sistema subsequente deve superar em cerca de dez vezes o desempenho da versão atual.

Clayton Swope, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, avaliou que a Rússia ainda está distante de possuir uma alternativa comparável. Ele declarou ao DW que «o Starlink era tão importante que os russos tentaram durante muito tempo usá-la para seus próprios propósitos militares. A Rússia não tinha nada que pudesse competir com isso».

Apesar das limitações de capacidade, o movimento de Moscou gera apreensão em Kiev, pois o Rassvet não necessita replicar integralmente o desempenho do Starlink para ser útil militarmente; uma rede mais básica já pode suportar comunicações e a gestão de drones no campo de batalha.

Cobertura Intermitente e Preocupações Ucranianas

Atualmente, a cobertura oferecida pelo Rassvet é esporádica. Devido ao movimento dos satélites em órbita, cada dispositivo permanece sobre uma área específica por um tempo restrito. Com apenas 31 unidades, a rede proporciona apenas breves janelas de conexão sobre o território ucraniano. Essa limitação pode mudar se a Rússia conseguir expandir sua constelação.

Vadym Skibitsky, vice-chefe da inteligência militar ucraniana, confirmou que Moscou está acelerando os lançamentos e enxerga na ampliação da rede uma potencial alteração no cenário. Ele mencionou que «eles já começaram os lançamentos muito mais rapidamente do que o planejado originalmente. Por enquanto, o sistema só pode operar de forma intermitente, quando um satélite passa sobre nosso território. Quando a Rússia implantar uma constelação completa de satélites, o sistema funcionará como a Starlink. Já há discussões sobre como neutralizá-lo».

A preocupação de Kiev reflete uma tendência mais ampla observada na guerra: a internet via satélite demonstrou ter valor estratégico em conflitos, impulsionando outros governos e corporações a desenvolverem soluções próprias. Países como China, União Europeia e Amazon estão desenvolvendo megaconstelações, como Iris² e Projeto Kuiper, enquanto a OneWeb já disponibiliza uma alternativa.

Neste contexto, a criação de redes autônomas transcende a mera questão da velocidade de conexão. Para nações envolvidas em hostilidades, possuir uma infraestrutura sob controle próprio implica também em reduzir a dependência de empresas privadas e assegurar canais de comunicação vitais para as operações militares.

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