Projeto RICHAUS da Vari Architects integra arquitetura contemporânea com o tecido urbano do sudoeste da China
Leia mais
ArchDaily Brasil
archdaily.com.br

Projeto RICHAUS da Vari Architects integra arquitetura contemporânea com o tecido urbano do sudoeste da China

O projeto RICHAUS, desenvolvido pela Vari Architects, insere-se como um volume geométrico moderno no complexo terreno do sudoeste da China, aninhado entre as características de uma cidade montanhosa. Durante todo o processo de concepção, a equipe da Vari Architects focou em estabelecer uma conexão entre a arquitetura e a natureza, bem como entre as pessoas, visando uma interface essencial no contexto de regeneração urbana.

Com uma nova organização arquitetônica, o objetivo era ressignificar um prédio de escritórios anteriormente negligenciado no ambiente urbano, convertendo-o em um ponto de encontro cultural acessível ao público. Este novo polo visa conectar os setores de cultura, comunidade, indústria e comércio, promovendo um centro comunitário dinâmico e em constante desenvolvimento.

O edifício foi revestido por uma fachada metálica inovadora, atuando como um véu que estabelece um diálogo com o seu entorno. Na entrada principal, uma porta deslizante de metal alterna entre a aparência sólida e a transparência, permitindo que a natureza penetre no limiar. Em contraste, o portão metálico personalizado para o Organhaus adota uma lógica modular e mecânica, funcionando como um acesso dobrável que reflete o espírito experimental artístico do Organhaus, lembrando uma porta de hangar inserida na paisagem montanhosa, aberta a artistas e criadores.

A integração da interface serrana é complementada por cascalhos densos e silenciosos, espelhos d'água fluidos e um paisagismo rico. O clima quente e úmido característico do sudoeste se infiltra naturalmente na estrutura, criando um «limite perceptivo» que afirma a presença contemporânea dentro do complexo industrial já existente.

No RICHAUS, houve um esforço para fomentar uma interação eficaz entre o público, o comércio e o trabalho, oferecendo um ambiente adequado para diversas práticas e linguagens de trabalho, atendendo a marcas de vanguarda, estúdios de arquitetura e design, criadores de conteúdo emergentes e agências criativas. À medida que ocorrem exposições, fóruns, eventos ao vivo e outras atividades públicas, o RICHAUS se consolida progressivamente como um local gerador de vida social e cultural na cidade montanhosa.

O espaço interno transcende a simples disposição racional de funções, aproximando-se de uma estrutura interconectada e interativa: as pessoas circulam, interagem e colaboram internamente, formando gradualmente um ecossistema orgânico. Dessa forma, o RICHAUS completa sua metamorfose de uma unidade arquitetônica isolada para uma verdadeira «interface social» urbana.

No interior, optou-se por manter uma sensação de «inacabado», deixando expostas as texturas cruas de pilares e vigas, juntamente com o traçado aparente de tubulações e conduítes. Utilizando um método construtivo leve e natural, foram evidenciados os sinais de crescimento e a lógica da construção, mantendo tudo em um estado sutil de fluxo e redefinição. Essa revelação transparente proporciona uma sensação de acolhimento e proximidade.

A interpretação do «caráter local» baseou-se nas perspectivas geográficas, culturais e da vida pública, buscando uma abordagem adequada para dialogar com a memória e o acolhimento locais. As escadas funcionam como o tecido conectivo que une os diferentes níveis urbanos de Chongqing. Para isso, foram removidas seções das lajes para criar um átrio central e foi introduzida uma escadaria pública de três andares como o principal ponto de encontro comunitário, respondendo diretamente à dinâmica da cidade de «subir encostas e navegar por degraus» entre os moradores e o relevo.

Através de curvas, patamares lúdicos e expansões, surgiram múltiplos pontos de interação entre os diferentes níveis. Assim, a escada, que inicialmente tinha uma função meramente de circulação, evoluiu para uma dimensão comunitária e experiencial de caráter público.

A instalação da escada de três níveis, denominada «Climbing Stair Party», tece um ecossistema social multifacetado: englobando o novo espaço do Organhaus no segundo pavimento, escritórios e áreas de exposição flexíveis nos terceiros e quartos pavimentos, e o mercado «aa» de estilo sudoeste no quinto pavimento. Esta longa escadaria opera como um elo emocional familiar e confiável. Nestes momentos de encontros espontâneos, os indivíduos deixam de ser estranhos em pisos distantes para reencontrar o senso de parentesco da vizinhança passada.

Quando o design influencia a narrativa, ele também ultrapassa a rotina. A fachada em formato de serra transforma o espaço de escritórios em um palco público interativo, tornando-se o componente mais vital dessa relação. Conforme Harari aponta, «esquecemos de viver em nome da eficiência». Por isso, foram planejados desvios e curvas lúdicas — partindo da melhoria do apelo visual e da eficácia comercial, mas avançando para possibilidades mais profundas de interação entre as pessoas e o espaço, e entre elas mesmas.

Simultaneamente, detalhes frequentemente ignorados — como luminárias, hidrantes, corrimãos e guarda-corpos — foram transformados de elementos passivos em componentes ativos, sendo integrados ao espaço como instalações propositais. O RICHAUS se desenvolve a partir das necessidades e relações diversas da cidade. O projeto oferece uma chance de fortalecer e renovar laços humanos, permitindo que se fale novamente sobre colaboração, criação e compartilhamento neste local.

Além da narrativa espacial, a tectônica dos materiais define a pureza distinta do RICHAUS. O concreto, que é honesto e funcional, sempre esteve presente no ato de construir, permitindo que essa materialidade concretista expressasse a postura firme do edifício. Diversas texturas se confrontam — áspero, liso, bruto, não polido — distinguindo o espaço da uniformidade excessiva observada em torres de escritórios tradicionais.

A madeira traz o calor inerente ao tecido local do sudoeste. Partes da estrutura foram revestidas com tábuas de olmo recuperadas, onde a manifestação dos «vestígios» assume um lirismo oriental. Os sistemas de iluminação e exposição foram concebidos como partes integrantes do espaço público. Chapas de metal expandido prateado pendem do teto, frias e precisas, enquanto luminárias galvanizadas prateadas estão dispostas em sequência; tubos de aço galvanizado e conduítes aparentes se unem para formar um aparato marcadamente contemporâneo.

Existe um espírito de gerações urbanas no processo construtivo. Seja o aço proveniente das linhas industriais do século XIX ou a madeira retirada da terra, ambos constituem a base da moradia humana e participam continuamente da evolução da cidade através da paixão e da inteligência. Talvez por estar enraizado no sudoeste, o RICHAUS herde a tolerância e a fartura típicas desta região — um lugar onde a rusticidade natural convive com a ordem refinada, moldando um recipiente singular para a vida urbana.

Popular