A mãe do menino Kauan, Laise Sousa, expressou seu desabafo em redes sociais após receber a notícia de que seu filho não será submetido a uma cirurgia cardíaca em São Paulo. Ela sentiu que sua luta foi em vão, comparando a situação a "morrer na praia".
Em um vídeo divulgado nesta sexta-feira (2), Laise lamentou a decisão, afirmando que, embora tenha tentado o melhor, o risco de vida do menino era muito elevado, inviabilizando o procedimento.
Este episódio faz parte de uma longa batalha da mãe, que chegou a se acorrentar na porta do Hospital Geral de Palmas (HGP) e, posteriormente, em frente ao Ministério Público, pleiteando a transferência do filho.
A família, oriunda de Paraíso do Tocantins, teve o caso em andamento desde 2024, quando Laise solicitou o tratamento fora de sua cidade. Após conseguir a transferência na semana passada, o menino passou por diversos exames na capital paulista.
Contudo, em reunião realizada pelos médicos, foi comunicado à mãe que não havia indicação para a cirurgia. A criança necessitava do procedimento chamado Fontan, indicado para pacientes nascidos com apenas um ventrículo funcional no coração. Segundo a mãe, a equipe médica indicou que não havia mais o que fazer, orientando que mãe e filho retornassem ao Tocantins, priorizando agora o conforto da criança.
Em nota oficial, o Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto esclareceu que a equipe médica forneceu todos os detalhes à família após a avaliação do paciente. A instituição também ressaltou que, por questões legais, não pode divulgar informações ou circunstâncias que possam expor dados do paciente.
Relembrando o caso
A família reside em Paraíso do Tocantins, localizada a aproximadamente 60 km de Palmas. O processo judicial começou em 2024, quando Laise requereu o tratamento fora de domicílio. Em julho de 2025, a Justiça ordenou que o Estado providenciasse a transferência da criança para o Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, utilizando UTI aérea, e garantindo acompanhante e custeio da estadia.
Um ano depois, a Justiça emitiu uma nova determinação, assegurando os valores necessários para a realização da cirurgia. Laise protestou ao se acorrentar ao portão do HGP na manhã de 9 de setembro, e no mesmo dia, dirigiu-se ao Ministério Público para solicitar a mudança do filho.
Naquela ocasião, a Secretaria Estadual de Saúde informou que o paciente havia sido atendido no Hospital Municipal de Araguaína e que, após avaliações médicas, a cirurgia de Fontan seria contraindicada devido às condições clínicas da criança, que apresentava fragilidade clínica e comprometimento dos acessos vasculares.
Em 12 de setembro de 2026, o Estado comunicou que a transferência do paciente estava autorizada e aguardava a aceitação da unidade de destino em São Paulo. Kauan foi transferido para São Paulo catorze dias após essa liberação.
