O documentário 'Ney por Trás das Máscaras' foi exibido pela primeira vez na noite de sábado, 3 de outubro, como parte da mostra 'Première Brasil' do Festival do Rio 2026. O filme, dirigido por Esmir Filho e codirigido por Thais Guisasola, explora os bastidores do cantor.
Em trechos do documentário, Ney Matogrosso admitiu: “Eu sou travado nessa questão emocional. Eu me seguro firme...”. Essa declaração reflete o tom da obra, na qual Esmir Filho, conhecido por dirigir o longa-metragem 'Homem com H' (2025), investiga os preparativos da escola de samba Imperatriz Leopoldinense para o desfile de homenagem a Ney no Carnaval de 2026, cujo enredo será “Camaleônico”.
O filme mostra Ney tirando suas máscaras e fantasias, chegando a ficar nu diante das câmeras de Esmir e da codiretora Thais Guisalosa, apresentando-se de forma desinibida após o banho. No entanto, apesar de expor seu corpo, o documentário aponta que a contenção emocional do artista permanece intacta.
São retratados diversos cenários da vida de Ney: ele é visto em casa tomando café da manhã, interagindo no barracão da Imperatriz e na quadra da agremiação, além de aparecer no próprio desfile e nos camarins. Nesses ambientes, ecoa o discurso libertário característico do artista, sempre marcado pela ousadia.
Embora o foco pudesse ter sido mais nítido ao acompanhar apenas a criação do desfile da Imperatriz Leopoldinense, Esmir Filho expandiu o escopo da narrativa. O documentário também apresenta cenas de Ney em seu ambiente natural, uma fazenda de 140 hectares na Mata Atlântica, em Sampaio Correia, distrito de Saquarema (RJ), onde, com permissão do Ibama, ele solta animais silvestres, como uma jiboia.
'Ney por Trás das Máscaras' também registra o cantor no camarim do estádio paulistano Nubank Parque antes de uma performance na turnê “Bloco na rua”. Contudo, o texto critica este aspecto, mencionando que o documentário anterior, “Olho nu” (2014), de Joel Pizzini, já havia permitido ao público ver Ney Matogrosso através de brechas de palco e mata, dentro dos limites de liberdade aceitos pelo artista.
Adicionalmente, o documentário vai além dos bastidores do Carnaval, mostrando o cantor em contato com as costureiras das fantasias da Imperatriz Leopoldinense e outros trabalhadores da escola, agindo sem ostentação ou estrelismo. Um diferencial notável é a exploração da relação de Ney com sua mãe, Beita de Souza Pereira (1922 – 2026), que faleceu em março deste ano aos 103 anos.
Apesar dos elementos interessantes, o artigo conclui que, mesmo quando Ney solta a jiboia, ele próprio jamais se liberta completamente diante das câmeras, resultando em um documentário que permanece contido e sem atingir plenamente sua apoteose.
