Orquestra Sinfônica da Amazônia apresenta concerto gratuito no Teatro ICBEU com temas amazônicos
Leia mais
Grupo Globo
g1.globo.com

Orquestra Sinfônica da Amazônia apresenta concerto gratuito no Teatro ICBEU com temas amazônicos

A Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) realizará seu segundo concerto da Série Amazônia neste sábado (3), às 20h, no Teatro ICBEU. O evento terá entrada gratuita e visa conectar a música de concerto com as manifestações culturais e sonoridades da região amazônica.

Sob a direção do maestro Rubens Cláudio, o programa incluirá a peça “Suíte Holberg, Op. 40”, de Edvard Grieg, juntamente com duas obras inéditas de compositores paraenses: o poema sinfônico “Paxiúba”, de João Marcos Palheta, e a “Suíte Cartografias Amazônicas”, de Cibelle Donza. O concerto contará ainda com a participação do solista Arley Raiol.

Diferentemente do concerto inaugural, a OSA optará por uma formação mais íntima, onde as cordas serão o foco principal, complementadas por instrumentos como flauta e percussão, conforme a necessidade de cada obra. O maestro Rubens Cláudio ressalta que a redução do número de músicos não compromete a complexidade do repertório, mas sim exige novas abordagens interpretativas.

Da tradição europeia às histórias amazônicas

A conexão entre distintos mundos musicais se inicia com Edvard Grieg. A “Suíte Holberg”, composta pelo músico norueguês em tributo ao dramaturgo Ludvig Holberg, revisita formas e danças antigas, notadamente aquelas ligadas ao período barroco. Essa escolha reforça um aspecto da Série Amazônia: dialogar obras internacionais estabelecidas com criações inspiradas no imaginário e na cultura amazônica.

Este encontro ganha destaque com duas estreias mundiais. Em “Paxiúba”, João Marcos Palheta explora uma narrativa indígena ligada à floresta e à música. A composição deriva da história de um indígena célebre por seu canto, cuja trajetória culmina em sua transformação em uma palmeira, da qual brotam flautas. Assim, a flauta assume um papel crucial na estrutura musical, servindo tanto como elemento narrativo quanto como guia para o público no universo criado pelo compositor.

Nikolay Sapoundjiev, diretor executivo da OSA, enfatiza que a obra transforma a lenda em uma experiência sonora. Ele explica que “ela conta poeticamente a história de uma palmeira cujas raízes estão expostas, dando a impressão de que ela caminha pela floresta. Dessas raízes é feita uma flauta. É uma lenda muito bela, que o João Marcos traduziu em música”.

A segunda estreia da noite é a “Suíte Cartografias Amazônicas”, de Cibelle Donza. Esta compositora e maestrina paraense desenvolveu a peça baseada em ritmos, danças e vivências culturais de sua formação na região. Dividida em quatro movimentos, a suíte referencia a Amazônia e integra elementos como carimbó, toada amazonense, baque acreano e parixara, transpondo manifestações da memória cultural local para a linguagem da música de concerto.

Rubens Cláudio aponta que a afinidade da compositora com essas referências é evidente em sua escrita musical. Ele comenta: “Ela trouxe as danças da região, a vivência dela, de fato. Tudo isso compõe as experiências que fazem parte do nosso cotidiano. Ela cresceu ouvindo carimbó, ouvindo boi. São quatro movimentos lindos”. Para o maestro, a estreia de qualquer composição implica a responsabilidade de apresentar sua narrativa ao público de modo eficaz, buscando “o elemento mágico para que ela possa ser entendida e amada da mesma forma como eu a amo”.

Série abre espaço para novos compositores

Além de promover a aproximação do público com a produção musical inspirada na Amazônia, a série tem o objetivo de fomentar uma nova geração de compositores brasileiros. Segundo Nikolay Sapoundjiev, apresentar os trabalhos de Cibelle Donza e João Marcos Palheta aos moradores da Amazônia também serve como uma chance de dar visibilidade a novos talentos. Sapoundjiev acrescenta que os próximos eventos incluirão peças de jovens compositores do Amazonas, aumentando a representatividade da produção regional durante a temporada.

Após o sucesso do concerto de abertura, a OSA espera continuar guiando o público por diversas facetas da música amazônica, convidando o público amazonense a prosseguir nesta jornada musical e pelos mistérios do folclore da Amazônia.

Orquestra Residente do ICBEU

Desde sua fundação em 2024, a Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) conta com o suporte cultural do ICBEU. Essa parceria estabelece a OSA como orquestra residente do Instituto Cultural Brasil–Estados Unidos (ICBEU), contribuindo significativamente para o fortalecimento e a disseminação da música de concerto no estado do Amazonas.

Popular