Huaraz: Alternativa menos explorada nas montanhas do Peru, próxima ao Parque Nacional Huascarán
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Huaraz: Alternativa menos explorada nas montanhas do Peru, próxima ao Parque Nacional Huascarán

Distante dos circuitos turísticos mais conhecidos do sul do Peru, como Cusco e Machu Picchu, Huaraz oferece uma opção para quem deseja explorar as montanhas do país sem o grande fluxo de visitantes dos destinos mais procurados. Esta cidade está situada no departamento de Áncash, a aproximadamente 400 km ao norte de Lima, e encontra-se a mais de 3 mil metros acima do nível do mar.

A maior parte das atrações da região está concentrada no Parque Nacional Huascarán, que foi reconhecido como Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera desde 1985. Este parque abriga cerca de 600 geleiras, mais de 400 lagos de origem glacial e 27 picos que ultrapassam os 6 mil metros de altitude. O próprio Huascarán, atingindo 6.768 metros, representa o ponto mais elevado do Peru.

Essa concentração de belezas próximas a Huaraz permite diversas oportunidades para atividades de trekking e contemplação da natureza em grandes altitudes. Entre os locais mais célebres estão as lagoas glaciais da Cordilheira Blanca, destacando-se a Laguna 69, e as lagoas do complexo de Llanganuco, como Chinancocha e Orconcocha, conhecidas por suas águas de intenso tom turquesa.

A área de Llanganuco é considerada um setor de acesso relativamente mais simples em comparação com outras partes do Parque Nacional, sendo estimado que sete em cada dez visitantes do Huascarán passem por lá. Apesar de ser uma área movimentada pelos padrões locais, Huaraz é sugerida para quem aprecia trekking e busca evitar aglomerações, proporcionando uma experiência distinta daquela encontrada em Cusco, cujas paisagens são consideradas comparáveis.

Outro ponto notável na região é o cânion del Pato, formado pela erosão do rio Santa, que esculpiu túneis na rocha, criando uma passagem estreita entre penhascos, estendendo-se por cerca de 40 km. Para os interessados em arqueologia, o Museo Nacional Chavín, localizado em Chavín de Huántar, a cerca de duas horas e meia de Huaraz, é um desvio de rota importante. Esta área foi um centro religioso pré-incaico, ativo entre 1200 e 500 a.C., ou seja, cerca de dois milênios antes da construção de Machu Picchu, e seus achados principais estão expostos no museu local.

A melhor época para realizar visitas é durante a estação seca, entre abril e setembro, quando os dias costumam ser ensolarados. Contudo, a beleza do Parque Nacional Huascarán traz consigo riscos significativos. As lagoas glaciais são suscetíveis a inundações, um fenômeno semelhante ao ocorrido na fronteira entre Nepal e China em agosto de 2026. Autoridades peruanas alertam que o país possui atualmente 528 lagos glaciais sob risco de transbordamento, sendo a Parón, perto de Huaraz, um exemplo de perigo, situando-se a 4,2 mil metros de altitude.

Riscos como terremotos e o aquecimento global podem comprometer a região devido ao degelo das geleiras e ao desprendimento de rochas que mantêm as águas contidas; um evento similar ocorreu em 1970, quando o Terremoto de Áncash provocou uma avalanche com 70 mil vítimas. Por essa razão, viajantes devem acompanhar os avisos dos órgãos responsáveis pelo monitoramento de perigos no parque, como o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado (Sernanp). Locais com maior probabilidade de problemas devido às condições climáticas e sísmicas podem ser fechados temporariamente para turistas. O acesso à área também exige a contratação de empresas especializadas e devidamente autorizadas para operar nos parques nacionais.

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