João Bosco celebra 80 anos em show no Rio de Janeiro com Tiago Iorc e Hamilton de Holanda
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João Bosco celebra 80 anos em show no Rio de Janeiro com Tiago Iorc e Hamilton de Holanda

Em sua estreia carioca, realizada no dia 2 de outubro de 2026 no Qualistage, o cantor João Bosco celebrou seus 80 anos de vida com o 'João Bosco All Star Quintet'. O espetáculo também homenageou os 80 anos de Aldir Blanc, parceiro essencial do compositor mineiro durante as décadas de 1970 e 1980.

A comemoração dupla foi integrada ao show, que foi baseado no álbum revisionista recém-lançado, intitulado “Amigos novos e antigos” (2026). As projeções no telão frequentemente exibiram Aldir, e o repertório foi dominado por sambas compostos pela dupla entre 1974 e 1982, utilizando gravações originais de Bosco ou de cantoras como Elis Regina, Clementina de Jesus e Simone.

A performance contou com a participação de convidados notáveis, incluindo o cantor Tiago Iorc, que interpretou a canção “Perfeição” (composta por João Bosco e Francisco Bosco, 2009), e o bandolinista Hamilton de Holanda. Embora o som pudesse não corresponder à grandeza de João Bosco, a fluidez da apresentação foi mantida.

O 'João Bosco All Star Quintet', nome dado pelo próprio cantor, era composto por Armando Marçal (percussão), Guto Wirtti (baixo), Kiko Freitas (bateria) e Ricardo Silveira (guitarra), além do violão de Bosco. A presença de Hamilton de Holanda transformou o quinteto em sexteto, permitindo que ele solasse e adicionasse nuances aos sambas.

Entre os números tocados com Hamilton estavam “Nação” (João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio, 1982) e “Incompatibilidade de gênios”, onde cada músico improvisou em clima jazzístico. Também foi apresentado um medley que uniu “Quilombo” (João Bosco e Aldir Blanc, 1973), “Tiro de misericórdia” (João Bosco e Aldir Blanc, 1977) e “Escadas da Penha” (João Bosco e Aldir Blanc, 1975), abordando a crônica social da violência urbana.

Os arranjos criados pelo trombonista Rafael Rocha para o álbum “Amigos novos e antigos” previam sopros, mas estes estiveram ausentes no show devido a conflitos de agenda dos músicos. Isso alterou a cadência de algumas músicas, como o samba “Siri recheado e o cacete” (João Bosco e Aldir Blanc, 1980).

Apesar das limitações, Bosco demonstrou grande habilidade, provando que um violão bastava para criar magia. O show foi considerado agradável, especialmente quando o artista se encaixou no ritmo do samba “Boca de sapo” (João Bosco e Aldir Blanc, 1979), remetendo à aura de Clementina.

Embora o roteiro do show “80 anos” não possuísse a sofisticação do espetáculo “Boca cheia de frutas” (2025), ele cumpriu seu objetivo de reunir o melhor do cancioneiro autoral do compositor da MPB. O evento começou com o samba “Plataforma” (João Bosco e Aldir Blanc, 1977), seguido por “Mestre-sala dos mares” (João Bosco e Aldir Blanc, 1974) e “De frente pro crime” (João Bosco e Aldir Blanc, 1974), que incluiu uma referência à melodia de “Agora eu sou diretoria” (João Bosco e Aldir Blanc, 2021).

A segunda metade da apresentação gerou maior impacto na plateia, que era descrita como geralmente fria. Neste momento, Bosco apresentou faixas marcantes como a canção árabe “Jade” (João Bosco, 1989), o bolero “Quando o amor acontece” (João Bosco e Abel Silva, 1987), o samba “O bêbado e a equilibrista” (João Bosco e Aldir Blanc, 1979) — que provocou manifestações políticas —, e a balada “Papel machê” (João Bosco e José Carlos Capinan, 1984). Nestas duas últimas músicas, o coro do público superou o canto de Bosco.

O texto conclui ressaltando que o estilo de João Bosco não é o de um karaokê; sua música deve ser contemplada, pois está sempre em movimento, mesmo que sutilmente. O show “80 anos” reflete a trajetória de um artista que nunca buscou o caminho mais fácil para agradar, chegando íntegro às suas oito décadas de vida.

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