Rafael Teixeira, residente do bairro Volta Grande 1, em Volta Redonda (RJ), começou uma jornada que ele descreve como um grande teste de sua resistência pessoal. Ele tem a intenção de percorrer aproximadamente 150 quilômetros até o Santuário Nacional de Aparecida, localizado no Vale do Paraíba paulista. Essa caminhada será realizada utilizando apenas um par de muletas e sem qualquer tipo de suporte veicular ou equipe de apoio. A partida desta peregrinação solitária ocorreu na última quarta-feira, dia 30.
Com uma base de mais de 14 mil seguidores nas redes sociais, onde ele costuma compartilhar seus treinos e mensagens de motivação, o atleta planeja completar todo o percurso em um período de dez dias, mantendo uma média diária de 15 quilômetros ao longo das margens da Via Dutra.
A mudança drástica em sua rotina aconteceu na noite de 10 de março de 2010. Naquela época, Rafael estava conciliando seus estudos de Direito em uma faculdade particular com seu trabalho na Procuradoria Municipal de Barra Mansa. Por volta das 22h, enquanto voltava para casa dirigindo uma motocicleta, ele foi vítima de um sério acidente de trânsito perto do bairro Ponte Alta.
Rafael relembrou o momento dizendo: «Eu até digo: do terno e gravata eu fui para as fraldas em questão de segundos». Este incidente marcou o início de um ciclo de tratamentos que durou quinze anos. Para tentar prevenir a perda de sua perna esquerda, ele passou por vinte e sete procedimentos cirúrgicos e ficou meses consecutivos hospitalizado. Seu estado de saúde piorou com três diagnósticos graves de osteomielite, que é uma infecção bacteriana que afeta a estrutura óssea. Eventualmente, a amputação tornou-se inevitável e foi realizada na véspera de Natal de 2024.
Ele compartilhou sua experiência, afirmando: «Fiquei 27 períodos acamado, usei fraldas, e ficava olhando para o teto branco e conversando com Deus pedindo para recuperar minha autonomia e liberdade de andar sem depender dos outros». Após os procedimentos, a reabilitação ganhou um novo impulso através da atividade física. Rafael chegou a se mudar para São Paulo para praticar esportes paralímpicos, como vôlei sentado e levantamento de peso, mas retornou à sua região devido aos altos custos de moradia na capital paulista. Em Volta Redonda, ele se adaptou às corridas de rua usando muletas.
Ele conseguiu encontrar uma maneira de permanecer inserido na comunidade esportiva. Sua rápida evolução permitiu que ele concluísse os 21 quilômetros da Meia Maratona do Rio em 2025, apenas um ano após a cirurgia. Atualmente, o desafio rumo a Aparecida representa a consolidação desse processo de recuperação. O atleta encara essa viagem sozinho, vendo-a como um retiro para celebrar a independência que recuperou e para transmitir esperança a outras pessoas que passam por momentos difíceis.
Ao concluir, ele expressou: «Além de cada passo de muletas nessa romaria ser um sacrifício pessoal e retiro espiritual de agradecimento a Deus e Nossa Senhora Aparecida, espero que através da divulgação ajude pessoas que estão enfrentando problemas com a própria saúde mental. A missão de Deus na minha vida também é impactar os outros, inspirar, gerar transformação de atitude».
