Os países membros da Agência Internacional de Energia (IEA) confirmaram que já foram liberados 325 milhões de barris de petróleo e seus derivados provenientes de reservas estratégicas. Esta informação foi divulgada pela entidade no último sábado (3).
As reservas estratégicas são definidas como estoques de petróleo mantidos pelas nações para serem utilizados em cenários de emergência, tais como interrupções no suprimento de energia. Este dado foi apresentado um dia após os membros do G7 anunciarem a liberação imediata de mais 100 milhões de barris de petróleo bruto e diesel, em colaboração com a IEA. Tal ação visa elevar a oferta disponível no mercado e mitigar o aumento dos custos dos combustíveis.
Por que o preço do diesel subiu
O aumento no preço do diesel está diretamente ligado à diminuição do volume de petróleo e derivados circulando no comércio global. Os conflitos existentes entre os Estados Unidos e o Irã, bem como entre a Rússia e a Ucrânia, têm impactado a oferta de petróleo, gerando pressão sobre os preços.
Este impacto já foi sentido nos postos de combustível. No Reino Unido, por exemplo, o preço do diesel elevou-se em 40% desde o início da guerra entre EUA e Irã, alcançando na sexta-feira (2) o valor equivalente a duas libras por litro, o que corresponde a aproximadamente R$ 14. Além dos motoristas, o diesel é essencial para o transporte de mercadorias e para a atividade agrícola, fazendo com que o encarecimento possa ser transferido para outros bens e serviços.
G7 decide liberar reservas
O G7, que engloba Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido, realizou uma reunião de emergência para debater a crise que assola o mercado de energia. De acordo com o gabinete do presidente francês, Emmanuel Macron, a liberação será feita imediatamente, com um volume maior sendo disponibilizado ao longo dos primeiros 20 dias. Essa iniciativa tem previsão de duração de quatro meses.
O anúncio ocorreu em um contexto de pressão exercida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que instava os países europeus a contribuírem com parte de suas reservas. Trump havia ameaçado diminuir as exportações americanas caso seus aliados não aumentassem a contribuição para expandir a oferta de combustíveis. A União Europeia manifestou críticas à possibilidade de redução das exportações americanas, argumentando que tal medida poderia prejudicar o mercado internacional. Trump celebrou o anúncio do G7 em suas redes sociais.
Os 100 milhões de barris são adicionais?
O G7 não especificou se os 100 milhões de barris anunciados na sexta-feira (2) integram os 75 milhões restantes necessários para cumprir o compromisso total de 400 milhões de barris estabelecido em março, ou se este volume representa um acréscimo. Essa questão é importante, visto que, segundo a IEA, os países já haviam liberado 325 milhões de barris até o momento.
