A Claro finalizou na quinta-feira, dia 1º de outubro, a aquisição do controle da Desktop, uma das principais provedoras regionais de serviços de internet no Brasil. O grupo adquiriu 84.684.273 ações ordinárias, representando 72,83% do capital social, pelo montante de R$ 1,75 bilhão, o que equivale a R$ 20,63 por ação. Este valor está sujeito a possíveis ajustes, conforme estipulado no contrato.
O acordo havia sido divulgado em 22 de março, quando o preço inicial estabelecido era de R$ 20,82 por ação. Os atuais vendedores incluem o fundo Makalu Brasil Partners e quatro indivíduos: Denio Alves Lindo, um dos fundadores da empresa; Mucio Camargo de Assis Filho, Marcos Camargo de Assis e José Carlos Franco Júnior. A Claro manifestou seu propósito de ampliar sua presença no segmento de banda larga fixa, integrando a infraestrutura de rede, a base de clientes e a capilaridade regional da Desktop.
A concretização da transação ocorreu após receber as aprovações necessárias tanto do Cade quanto da Anatel. A Superintendência de Competição da agência concedeu anuência preliminar no final de maio, impondo à Claro a condição de reorganizar suas redes de acesso para utilizar apenas um ponto de fixação nos postes, com um prazo de até 24 meses, passível de prorrogação pelo mesmo período. Posteriormente, em setembro, a Superintendência-Geral do Cade validou a compra sem impor restrições adicionais.
A Desktop atende a mais de 1,2 milhão de clientes distribuídos em mais de 200 municípios. Entre os mercados mais relevantes estão Campinas, Praia Grande, Sorocaba, Piracicaba, São José do Rio Preto, Sumaré, São José dos Campos e São Carlos, todos localizados no estado de São Paulo. Os pacotes de fibra óptica oferecidos iniciam em 200 Mb/s por R$ 90 mensais, podendo alcançar 1 Gb/s por aproximadamente R$ 120 mensais. Além da conexão por fibra, a empresa também disponibiliza serviços de telefonia móvel, TV por assinatura e streaming.
O custo total assumido pela Claro é dividido em três componentes distintos. Dos R$ 1,62 bilhão pagos imediatamente, R$ 20 milhões foram retidos como garantia para cobrir o ajuste de endividamento, que será determinado com base na dívida líquida da Desktop em 30 de setembro. Uma parcela diferida destina-se a cobrir quaisquer indenizações devidas aos vendedores e será liberada mensalmente, seguindo o previsto no contrato de março, que estabelecia um prazo de cinco anos para tais liberações.
Houve também alterações no corpo diretivo da Desktop. Parte do conselho de administração foi substituída, e Rodrigo Marques de Oliveira assumiu a posição de diretor-presidente, enquanto Roberto Catalão Cardoso foi nomeado diretor financeiro e de relações com investidores.
Em paralelo, a Claro planeja protocolar junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o pedido de registro de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) por alienação de controle, conhecida como tag along. Esta oferta visa adquirir até a totalidade das ações ordinárias dos demais acionistas, incluindo os administradores, excetuando-se aquelas mantidas em tesouraria. O preço por ação será idêntico ao pago aos vendedores, considerando os ajustes de endividamento líquido e a parcela diferida. A Claro alega que esta oferta se enquadra na dispensa de laudo de avaliação, visto que o preço foi definido com base na própria operação.
Juntamente com a OPA, a Claro pretende realizar propostas para alterar o registro da Desktop na CVM, movendo-o da categoria A para a B. Essa mudança resultaria na retirada das ações da bolsa e na saída do Novo Mercado, um segmento de listagem com normas de governança mais rigorosas. Trata-se da denominada OPA unificada, embora a compradora tenha se reservado o direito de desistir dessas duas etapas a qualquer momento.
