Estudantes denunciam precariedade estrutural, falta de água e presença de larvas na alimentação de escola técnica no Acre
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Estudantes denunciam precariedade estrutural, falta de água e presença de larvas na alimentação de escola técnica no Acre

Alunos do Centro de Educação Profissional e Tecnológica em Serviços (Cept) Campos Pereira, localizado em Rio Branco, apresentaram denúncias referentes a problemas na infraestrutura do prédio, na qualidade da alimentação e no atraso no pagamento do auxílio-transporte destinado aos estudantes.

Essas reclamações foram expostas em um vídeo divulgado nas redes sociais na última quarta-feira, dia 30. No material, os discentes solicitaram ações corretivas para a melhoria das condições de estudo, mostrando as condições atuais do local e afirmando que os problemas persistem mesmo após uma mobilização realizada há aproximadamente um ano.

De acordo com o grupo de estudantes, existem áreas do telhado danificadas, pisos em estado de deterioração, aparelhos de ar-condicionado inoperantes e escassez de água quase semanalmente. Adicionalmente, eles relataram ter encontrado larvas nos alimentos servidos na instituição.

Em resposta, o Instituto Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Ieptec), entidade responsável pela escola, comunicou que equipes estão no local para supervisionar os reparos estruturais, checar a instalação dos aparelhos de ar-condicionado recém-chegados e realizar melhorias na cozinha.

Mais informações sobre as queixas e carência de materiais

Uma aluna, que preferiu não se identificar, concluiu o curso de cabeleireiro oferecido pelo centro em julho deste ano e detalhou as dificuldades enfrentadas durante as aulas. Ela mencionou problemas com a estrutura da sala, a ausência de água potável e o atraso na entrega de materiais prometidos.

A estudante relatou que a sala de aula frequentemente alagava devido a tubulações obstruídas. Além disso, houve momentos em que beberam água contaminada porque o bebedouro necessitava de manutenção, algo que só foi descoberto após uma colega notar a coloração da água.

No início do curso, a turma foi informada sobre o recebimento de um kit profissional e uma bolsa de R$ 800, a ser paga em duas parcelas de R$ 400, condicionadas à frequência nas aulas. Embora a primeira parcela tenha sido paga durante o curso, a segunda só foi creditada após a conclusão, mediante diversas insistências dos alunos.

A aluna descreveu o processo de recebimento como uma «verdadeira humilhação», citando a dificuldade burocrática para obter informações e valores. Os estudantes também apontaram falhas na alimentação, como a falta de lanches e os episódios de consumo de água impura por falha na manutenção do bebedouro.

Mesmo após receber o valor, a aluna informou que ainda aguardava o kit profissional, que deveria conter insumos para a profissão de cabeleireira. Capturas de tela de conversas de um grupo de WhatsApp da turma, enviadas à reportagem, mostram as alunas cobrando respostas sobre os kits e os pagamentos.

Em uma das mensagens, uma estudante questionou sobre o prazo para receber a bolsa, visto que já havia decorrido um mês após a finalização do curso sem o depósito. Em resposta às cobranças, um representante da instituição alegou que o secador e a prancha entregues inicialmente não cumpriam os padrões de qualidade, e que novos equipamentos foram requisitados ao fornecedor, estando apenas aguardando a chegada.

Atrasos no pagamento do auxílio

Luan Nascimento Lima, de 20 anos, frequentou o Cept Campos Pereira entre 2024 e 2025. Ele relatou à g1 que finalizou o curso sem receber o incentivo de transporte durante o período letivo, sendo o dinheiro depositado somente meses após a conclusão da formação.

Segundo Luan, o benefício havia sido prometido, mas quando os alunos questionavam o pagamento, recebiam justificativas de que o processo ainda estava em andamento. Ele acrescentou que o transporte fornecido pela escola cobria o trajeto até o estabelecimento, mas não solucionava o deslocamento dos alunos entre suas residências e o ponto de embarque.

O ex-aluno também comentou que a disponibilidade de alimentação era intermitente e, quando havia refeição, as opções eram restritas, como farofa de ovo, arroz e feijão. Para ele, essa situação impactava especialmente aqueles que iam direto do trabalho para as aulas ou precisavam sair muito cedo de casa para pegar o ônibus.

Luan também mencionou problemas estruturais durante sua permanência na escola, como salas sem lajotas e a demora na execução dos reparos. Ele complementou que, durante uma aula de primeiros socorros e instrumentação, notaram a ausência de extintores de incêndio no local, além de haver atrasos constantes no pagamento dos professores.

O Ieptec informou que o piso danificado foi reparado em setembro, enquanto a solicitação para substituir o forro do corredor, que cedeu após uma rajada de vento, foi feita. O Instituto Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Ieptec) prestou esclarecimentos públicos sobre as reclamações feitas pelos estudantes do Cept Campos Pereira, em vídeo divulgado na quarta-feira, 30 de setembro.

Sobre a climatização, o problema está restrito aos três laboratórios de informática usados em aulas práticas. Atualmente, esses espaços contam com aparelhos de ar-condicionado de 18 mil BTUs. Para aprimorar o clima, o Ieptec já solicitou unidades de 24 mil BTUs, que devem ser instaladas nos próximos dias.

Referente à fissura no piso, o dano foi identificado em 16 de setembro e corrigido no dia seguinte, com a troca das peças comprometidas. Quanto ao forro do corredor, parte da estrutura foi afetada após uma forte ventania e chuva registrada na sexta-feira, 25 de setembro, cedendo na terça-feira, 29. A área danificada foi removida no dia subsequente e a reposição do material já foi solicitada, com previsão de conclusão até sexta-feira, 2 de outubro.

Em relação ao Auxílio Estudantil, o Ieptec declarou que os recursos foram solicitados à Secretaria de Estado de Educação (SEE), que indicou que os repasses pendentes serão normalizados o mais rápido possível. Sobre o transporte escolar, os alunos da Rede Ieptec utilizam os ônibus disponibilizados pela instituição.

Acerca das questões alimentares, o Ieptec assegurou que monitora a preparação e distribuição das refeições, seguindo rigorosamente as normas de higiene, manipulação e segurança alimentar. A instituição reiterou que está atenta a quaisquer relatos dos estudantes e tomará as medidas cabíveis ao identificar qualquer irregularidade.

O Ieptec reconheceu a relevância da manifestação estudantil e reafirmou seu compromisso em acolher a comunidade escolar, resolver as demandas apontadas e assegurar condições apropriadas e seguras para a formação profissional dos alunos da Rede.

Esclarecimento da SEE-AC

A Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE) comunicou que os pagamentos do Auxílio Estudantil dos alunos do CEPT Campos Pereira estão em andamento. Uma parcela foi liberada nesta quinta-feira, 1º de outubro, e os demais pagamentos seguirão o cronograma financeiro estabelecido.

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