Brasil participa do projeto de telescópio gigante no Chile
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Brasil participa do projeto de telescópio gigante no Chile

Uma nova geração de telescópios está sendo construída para expandir as capacidades de observação do universo, entre os quais destaca-se o Telescópio Gigante de Magalhães (GMT), que está sendo erguido no deserto do Atacama, no Chile. Este observatório será equipado com sete espelhos primários de 8,4 metros de diâmetro, o que garantirá uma área de coleta equivalente a um espelho de 25,4 metros de diâmetro.

O projeto foi tema do programa Olhar Espacial na última sexta-feira (25), onde foi apresentado pelo astrônomo Marcelo Zurita. O convidado do programa foi Eduardo Cipriano, coordenador de disseminação científica do GMT Brasil e professor do IAG-USP. Durante a transmissão, ele explicou detalhadamente como diferentes instrumentos do telescópio poderão complementar o trabalho de outros observatórios.

Apesar da existência de muitos telescópios em operação ou em preparação, o equipamento não precisa competir diretamente, pois cada projeto possui características únicas. No caso do GMT, uma das principais capacidades é a espectroscopia — método de análise de diferentes comprimentos de onda de luz.

Segundo Cipriano, o telescópio terá instrumentos capazes de operar com diferentes níveis de resolução e faixas do espectro. Ele observou que 'o GMT é absolutamente versátil. Temos instrumentação adequada para todas as ciências, mas acredito que há um foco específico na questão dos exoplanetas'.

O pesquisador também enfatizou que os instrumentos podem atender a objetivos muito diversos. 'O GMT é praticamente um espectrógrafo. É uma coleção de espectrógrafos, porque a espectroscopia depende de qual comprimento de onda você deseja, qual faixa geral você precisa e qual resolução espectral você requer', afirmou ele.

Essa diversidade permitirá pesquisas que vão desde o estudo de galáxias e aglomerados até análises mais específicas. Cipriano esclareceu: 'Eu posso ver todo o espectro de uma galáxia. Outras pesquisas, por exemplo, você pode estudar a presença de urânio em estrelas, então você precisa de uma faixa espectral muito específica, mas com altíssima resolução para separar os detalhes.'

A participação brasileira no projeto é coordenada pela FAPESP através do consórcio GMT Brasil. Pesquisadores e instituições nacionais trabalham em áreas como engenharia, óptica, mecânica, eletrônica e software. O projeto também abre oportunidades para a indústria nacional em demandas tecnológicas de alta complexidade.

Entre as áreas que podem se beneficiar do GMT estão o estudo de exoplanetas, primeiras populações de estrelas e primeiras galáxias. O telescópio também poderá contribuir para a chamada arqueologia galáctica, que busca reconstruir a história da Via Láctea com base nos vestígios de galáxias menores absorvidas durante sua formação.

Cipriano acrescentou: 'O G-CLEF, que será o primeiro instrumento, um espectrógrafo óptico de alta resolução, será fenomenal para isso. Ele também desempenhará um papel importante nas primeiras populações de estrelas e primeiras galáxias.'

No entanto, é difícil para o pesquisador prever quais descobertas serão as principais no novo observatório. 'Toda vez que temos um novo instrumento observando além do limite conhecido, recebemos surpresas', disse ele.

Cipriano também citou o próprio progresso das observações astronômicas para explicar por que novos telescópios podem revelar fenômenos que não estavam em suas expectativas principais. 'Toda vez que você começa a observar em um território que antes não observava, a natureza te surpreenderá', observou ele.

O GMT faz parte da tendência de construção de grandes observatórios, mas os custos também impõem limitações. Cipriano explicou, comparando o momento atual na astronomia com a concentração de esforços em grandes aceleradores na física de partículas elementares: 'Não é possível construir mais dez telescópios de bilhões de dólares.'

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O fotógrafo Léo Caldas, natural de Brasília, visitou Fernando de Noronha pela primeira vez e criou uma série impressionante de fotos da Via Láctea. Especializado em astrofotografia, ele se dedica a fotografar o céu noturno, incluindo estrelas, planetas e galáxias.

Durante sua estadia de seis dias na ilha, Caldas preparou oito vídeos em time-lapse. Esta técnica permite acelerar a exibição de fenômenos lentos ao combinar quadros tirados em intervalos de tempo específicos. Para isso, ele utilizou câmeras e um drone, tirando cerca de dois mil fotos.

Ele relatou que Fernando de Noronha era um sonho para ele. Ele fez uma pesquisa e descobriu poucas fotos noturnas da ilha. Por isso, planejou a viagem para um período com pouca precipitação, organizando a visita para coincidir com dois dias de lua cheia e com céu escuro.

A maior parte do material foi filmada com o drone. Este aparelho foi usado em cinco vídeos, seguindo rotas pré-programadas. Por exemplo, ele partiu de Porto de Santo Antônio e seguiu em direção a Forte dos Remédios. O drone voou na velocidade escolhida por ele — 5 km/h — tirando uma foto a cada dois segundos, e todas as imagens foram combinadas em um vídeo acelerado.

Entre os vídeos criados na ilha, o favorito de Caldas é aquele que exibe a Via Láctea ao fundo do Morro Dois Irmãos. Ele deixou a câmera em Pedra do Bode por volta das 18h e programou a captura. Em seguida, foi para Forte dos Remédios, tirou fotos do forte e depois voltou para buscar a câmera. Nesse momento, a Via Láctea estava perfeita, atrás do Morro Dois Irmãos, com a paisagem característica.

Caldas realiza esse tipo de fotografia há 15 anos, mas a fotografia não é sua profissão principal. Ele trabalha como professor de educação física no sistema de ensino público do Distrito Federal e cria essas imagens como hobby, publicando o material nas redes sociais.

NASA

Uma das fotos tiradas por Léo Caldas ganhou reconhecimento internacional. Sua imagem de um eclipse solar total, tirada em 2019, foi selecionada pela NASA para o site Astronomy Picture of the Day (Apod), que publica diariamente imagens astronômicas.

Ele relembrou: «O eclipse é o fenômeno natural mais impressionante. Consegui fotografar um bando de pássaros voando antes do eclipse. A imagem viralizou e foi escolhida como foto do dia da NASA».

Noronha entre os destaques

Léo Caldas planeja viagens especificamente para fotografia e videografia e já visitou diversos lugares na Europa, América do Sul e Estados Unidos, além de muitos locais no Brasil. Ele observou que Noronha foi um dos lugares mais bonitos que ele fotografou. Ele comparou Fernando de Noronha e Lençóis Maranhenses, chamando-os de lugares muito diferentes no mundo que ele fotografou.

O fotógrafo está satisfeito com o resultado da viagem, mas gostaria de tirar fotos do Parque Marinho, cujo acesso é restrito à noite. Ele comentou: «Faltam apenas fotos do parque, para as quais é necessária permissão especial. Pensei em fotografar a Baía dos Golfinhos. Quem sabe se conseguirei tirar essas fotos na próxima visita a Fernando de Noronha».

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