A Nike está aprofundando seu processo de reestruturação sob a liderança do presidente-executivo Elliott Hill. Devido ao agravamento das dificuldades enfrentadas no mercado chinês, a companhia comunicou um plano que envolve a redução adicional de postos de trabalho e a reorganização de suas operações globais de negócios, após prever uma retração anual de receita mais acentuada do que o inicialmente esperado.
A projeção divulgada na quinta-feira, dia 1º, sinaliza que os obstáculos da Nike deverão perdurar por mais alguns trimestres, com destaque para a China, onde as vendas registraram uma queda de 26% em moeda constante durante o primeiro trimestre. Este cenário elevou a apreensão dos investidores sobre o ritmo da recuperação conduzida por Hill, resultando em uma queda de 8,5% nas ações da empresa durante o pregão estendido.
A empresa tem buscado restabelecer o crescimento sob a administração de Hill, concentrando esforços em áreas estratégicas, como o segmento de corrida, e na melhoria dos laços com varejistas atacadistas. Contudo, analistas apontam que as dificuldades são, em grande parte, causadas pela insuficiência de lançamentos de produtos novos e atrativos em quantidade adequada, o que forçou um aumento na dependência de promoções e descontos.
Além de ter registrado receitas no primeiro trimestre abaixo das expectativas dos analistas, a Nike anunciou alterações em seu modelo operacional. Tais medidas abrangem a diminuição de pessoal e a mudança na estrutura corporativa de quatro para três regiões geográficas: Américas, Ásia-Pacífico, Grande China e EMEA.
A companhia ainda não especificou o número exato de vagas que serão extintas como parte desta reestruturação, mas os avisos aos colaboradores começarão somente em 2027. Este programa, que complementa demissões anunciadas anteriormente no ano corrente, visa gerar uma economia estimada em torno de US$ 2,5 bilhões até o exercício fiscal de 2031, sendo a maior parte desse montante esperada nos exercícios fiscais de 2029 e 2030.
Em relação às projeções financeiras, a Nike antecipa uma queda de receita na faixa superior de um dígito para o ano fiscal de 2027. Em média, os analistas estimam uma redução de aproximadamente 2% na receita anual, conforme dados compilados pela LSEG.
