Embora o preço e o tamanho possam ser pontos de crítica, os celulares dobráveis oferecem funcionalidades únicas ou aprimoram características existentes. O Guia de Compras realizou um teste comparativo entre dois modelos recentes: o Motorola Razr Fold e o Samsung Galaxy Z Fold8, avaliando aspectos como design, câmeras, multitarefas, desempenho e autonomia da bateria.
Em termos de custo, o aparelho da Motorola está cotado em aproximadamente R$ 16 mil, enquanto o Samsung começa em R$ 12,6 mil, segundo pesquisas realizadas em lojas online no final de setembro.
Design
Os dois dispositivos apresentam abordagens distintas. O Motorola Razr Fold prioriza a produtividade, contando com uma tela interna e externa amplas e acompanhando uma caneta stylus para anotações. Suas dimensões são de 160,1 x 144,5 x 4,7 mm quando aberto e 160,1 x 73,6 x 10,1 mm quando fechado, pesando 243 gramas, o que o torna maior e mais pesado que seu concorrente.
O Samsung Galaxy Z Fold8 adota um formato que remete a um passaporte, apresentando uma tela externa mais larga e um display interno comparável ao de um tablet compacto. Suas medidas são 161,4 x 123,9 x 4,5 mm aberto e 123,9 x 81,9 x 9,7 mm fechado, com um peso de 201 gramas. A diferença crucial reside na proporção das telas.
No Samsung, a tela externa possui proporção 10:16, ideal para fotografia com o celular fechado. Ao ser aberto, o aparelho assume o formato 4:3, mais adequado para visualização de vídeos e organização de aplicativos. Já o Motorola apresenta uma tela externa mais alongada, com proporção 9:21, próxima à de smartphones convencionais, e o painel interno é quase quadrado, em 8:7,2. Embora ambos sejam bons para assistir vídeos com a tela aberta, eles exibem faixas escuras dependendo do formato do conteúdo, como ocorre no Instagram e TikTok, ou nas bordas superior e inferior do YouTube em tela cheia.
As telas maiores beneficiam os jogos por oferecerem mais espaço visual. Contudo, ambos compartilham o problema comum dos dobráveis: o vinco visível na tela interna, sendo mais acentuado no Motorola. Além disso, o acabamento brilhante das telas internas faz com que marcas de dedos apareçam facilmente.
Multitarefa mais fácil
A capacidade de executar múltiplas tarefas simultaneamente é um ponto destacado pelos fabricantes, embora não seja inédita em comparação com smartphones tradicionais. Essa funcionalidade opera de maneira muito eficiente em ambos os dobráveis, permitindo dividir a tela entre aplicativos como galeria e câmera, ou um site e bloco de notas.
O Motorola obtém uma vantagem adicional nesse aspecto por incluir a caneta stylus Moto Pen Ultra na caixa. Esta caneta Bluetooth possui bateria interna recarregável no estojo externo. Devido à espessura fina do Razr Fold, ela não poderia ser armazenada dentro do celular. Vale mencionar que uma Moto Pen Ultra vendida separadamente custa na faixa de R$ 900.
Desempenho e bateria
Ambos os modelos utilizam processadores de ponta: o Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy no Samsung e o Snapdragon 8 Gen 5 no Motorola. Durante os testes, nenhum dos aparelhos demonstrou lentidão ou travamentos. O Z Fold8 dispõe de 12 GB de RAM e opções de armazenamento de 256 GB, 512 GB e 1 TB, enquanto o Razr Fold oferece 16 GB de RAM e 1 TB.
Nos testes de vídeo, o Motorola obteve uma ligeira superioridade sobre o Samsung. O Razr Fold possui uma bateria de 6.000 mAh, contra 4.800 mAh do Galaxy Z Fold8. Em testes utilizando apenas a tela externa, ambos superaram as 20 horas de autonomia, registrando 20h47 no Razr e 20h12 no Galaxy. Essa diferença, apesar dos tamanhos de bateria distintos, reflete a otimização de energia implementada por cada fabricante, sendo que a duração real depende do uso individual.
Câmeras
A qualidade fotográfica é frequentemente citada como um desafio dos celulares dobráveis. No entanto, o formato confere aos dobráveis maior versatilidade, pois podem ser dobrados para servir como suporte ou tripé, ou utilizar a câmera principal para selfies auxiliadas pela tela externa.
O Galaxy Z Fold8 possui duas câmeras traseiras, ambas com resolução de 50 megapixels (uma grande angular e uma principal). O Razr Fold conta com três lentes traseiras, também de 50 MP (principal, telefoto e grande angular). Em condições de iluminação adequadas, ambos os aparelhos conseguiram equilibrar bem brilho, contraste e exposição ao serem testados na resolução máxima.
Com zoom e luz apropriada, os resultados foram semelhantes, mas notou-se uma variação na tonalidade do verde no fundo. Ambos os modelos incluem Modo Pro para ajustes manuais e zoom óptico (2x no Samsung e 3x no Motorola). Apesar da versatilidade, o Motorola exagerou no alto contraste dinâmico em certas situações e apresentou confusão de cores em outras, como visto em fotos de modo retrato.
As câmeras de selfie são duplas em ambos. O Motorola utiliza lentes de 32 MP (interna) e 20 MP (externa), enquanto o Samsung emprega 10 MP em ambas as telas. Embora a câmera principal tenha apresentado melhor desempenho, é necessário um período de prática para coordenar o uso das câmeras principais e frontais.
Adicionalmente, os modelos oferecem recursos divertidos. O Motorola possui a Foto Guiada, que permite solicitar a um terceiro que tire uma foto em um local turístico, encaixando a pessoa na paisagem capturada. Já o Samsung utiliza o recurso Fancam, baseado em inteligência artificial, para editar vídeos focando em uma única pessoa, gerando cortes ideais para redes sociais.
Conclusão
Apesar do alto custo, os celulares dobráveis se mostram uma alternativa mais confiável em 2026 em comparação com gerações anteriores. O Z Fold8 representa a primeira incursão da Samsung neste formato menor, similar ao que a Apple introduziu no iPhone Duo. O Razr Fold é o primeiro modelo
