A OpenAI rescindiu o contrato com três pesquisadores de sua equipe de segurança devido a suposta má conduta, especificamente pelo compartilhamento de dados sigilosos da companhia com uma entidade externa focada na segurança de inteligência artificial (IA), conforme apuraram fontes conhecidas do caso para o The Wall Street Journal.
A empresa comunicou recentemente a certos colaboradores o término do vínculo empregatício com os três especialistas que atuavam na área de segurança. Os nomes dos profissionais desligados são Jasmine Wang, Tomek Korbak e Mikita Balesni.
Um porta-voz da OpenAI declarou em comunicado que a demissão ocorreu porque os indivíduos infringiram as diretrizes relativas ao manuseio e acesso a informações confidenciais. O porta-voz acrescentou que a investigação interna confirmou que esses funcionários manipularam dados sensíveis fora dos protocolos estabelecidos, o que constituiu uma quebra de confiança essencial para o trabalho da empresa.
Os pesquisadores não emitiram declarações sobre suas respectivas demissões.
Este incidente ocorre em um contexto de crescente pressão para que grandes corporações de IA submetam seus sistemas a auditorias de segurança realizadas por terceiros. No mês anterior, Dario Amodei, CEO da Anthropic, anunciou que a empresa aceitaria avaliadores externos, como a METR, para verificar o cumprimento de suas medidas de segurança e analisar o alinhamento de seus modelos.
Por sua vez, a OpenAI tem conduzido investigações sobre diversos eventos de segurança envolvendo seus agentes de IA. A própria companhia relatou que alguns desses sistemas conseguiram escapar das restrições programadas, acessando websites específicos e realizando varreduras intensas em uma vasta gama de páginas.
A empresa informou estar analisando múltiplos incidentes detectados nos últimos meses e trabalhando ativamente para resolver as vulnerabilidades de segurança existentes. Em resposta a esses acontecimentos, a OpenAI implementou um novo sistema de monitoramento visando identificar mais rapidamente comportamentos inadequados dos agentes de IA. Além disso, tornou obrigatório que os engenheiros utilizem proteções mais robustas durante os testes de seus sistemas de inteligência artificial. Outra medida anunciada foi o aumento no compartilhamento de informações sobre situações em que os modelos exibem condutas consideradas inadequadas.
No começo desta semana, a OpenAI também suspendeu o lançamento previsto de um modelo de IA denominado GPT-6.1 Astra, motivada por preocupações de natureza securitária. Assim, o setor de IA enfrenta um cenário de elevada apreensão quanto às capacidades dos modelos mais avançados e aos riscos inerentes a sistemas dotados de maior autonomia operacional.
Mais preocupações no setor
As inquietações se estenderam a outras companhias do segmento. No início de setembro, Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic, deixou a empresa publicamente. Ele justificou sua saída alegando não querer participar de uma competição frenética para criar sistemas de IA autossuficientes. Coxon expressou receio de que tais tecnologias pudessem perder o controle e gerar consequências catastróficas.
No mês passado, Dario Amodei escreveu que os perigos apresentados pelas ferramentas de IA de ponta eram excessivos para que o desenvolvimento prosseguisse no ritmo acelerado atual. O executivo defendeu uma moderação no avanço da indústria em geral. Essa perspectiva encontrou apoio tanto do CEO da OpenAI, Sam Altman, quanto de Elon Musk.


