Família transforma experiência europeia em negócio agrícola com framboesas e morangos no Paraná
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Família transforma experiência europeia em negócio agrícola com framboesas e morangos no Paraná

A Lamponi, cujo nome deriva de framboesa em italiano, nasceu de uma experiência familiar no oeste do Paraná. Este fruto vermelho deu origem a um empreendimento rural que adaptou vivências europeias ao contexto agrícola brasileiro.

Os membros da família Favero residiram por vários anos em Barcelona, na Espanha, onde tiveram contato com o cultivo de framboesas. Ao retornar ao Brasil, notaram que essa fruta ainda não era cultivada na região e, há onze anos, decidiram iniciar a produção.

Mattew Favero, que colabora no negócio junto à mãe, Edina Favero, e ao padrasto, Claudiomir Pereira, relatou que a fruta também evoca memórias do tempo passado na Europa. Inicialmente, a família já possuía experiência com plantações de soja e aviários, mas precisou superar obstáculos significativos para estabelecer a nova atividade, incluindo as complexidades burocráticas inerentes a uma empresa de agricultura familiar.

O desafio da adaptação

Mattew destacou que a estruturação da empresa familiar envolve inúmeras normas, questões fiscais, tributárias e administrativas, sendo a organização desses aspectos o maior desafio enfrentado.

Um segundo grande obstáculo foi ajustar uma fruta habituada ao clima frio europeu às condições climáticas específicas do oeste paranaense. De acordo com pesquisas da Embrapa, a framboesa é amplamente cultivada em partes da Europa Oriental e América do Norte, necessitando de períodos frios para seu desenvolvimento, o que complicou a produção local.

Mattew explicou que a decisão de interromper a produção de framboesa fresca se deu por razões climáticas, pois o ideal para a planta são 700 horas com temperaturas abaixo de 7,5°C, condições que o estado não consegue mais oferecer. Embora existam variedades que requerem menos horas de frio, a implementação de uma infraestrutura apropriada exige capital e pessoal especializado; ele mencionou que construir uma estufa para 5 a 9 mil plantas pode custar entre R$ 180 mil e R$ 200 mil.

Mesmo após suspender a produção de framboesas frescas, a família optou por continuar diversificando a propriedade. A experiência com frutos vermelhos direcionou os produtores para o cultivo de morangos. Atualmente, a propriedade conta com cerca de 15 mil mudas espalhadas por cinco estufas, além de uma agroindústria de aproximadamente cem metros quadrados.

Contudo, as variações climáticas também impuseram dificuldades na comercialização dos morangos. Frutas que não atingiam o padrão visual desejado para venda fresca passaram a ser congeladas e vendidas em pacotes na feira local. Foi a partir dessa situação que a família identificou uma nova oportunidade de negócio, que hoje se tornou a principal fonte de renda.

Os morangos congelados da Lamponi exemplificam conceitos de sustentabilidade e economia. Atualmente, a Lampone comercializa os morangos frescos de duas maneiras: no inverno, período de maior colheita, o foco é a venda in natura; no verão, quando a safra diminui, parte da produção é destinada ao congelamento.

A empresa produz anualmente cerca de seis toneladas de morangos frescos e aproximadamente quinze toneladas de morangos congelados. Seus produtos alcançam cerca de sessenta supermercados, além de serem fornecidos a restaurantes, confeitarias, pequenos empreendedores que fabricam picolés artesanais e escolas estaduais através dos programas de merenda.

Para Mattew, a satisfação de transformar a produção da fazenda em alimentos acessíveis aos consumidores é um fator motivacional central para permanecer no campo. Ele ressaltou que o maior incentivo é saber que o produto é resultado de seu próprio trabalho, o que proporciona uma vida honesta e saudável.

A trajetória da família começou com a tentativa de cultivar framboesas em um ambiente climático distinto da Europa. A necessidade de adaptação levou ao cultivo de morangos e, subsequentemente, ao congelamento de frutas que não atendiam aos padrões de venda fresca. Por meio da diversificação, a propriedade conseguiu manter o negócio rural, convertendo uma vivência internacional em uma atividade que hoje atende consumidores de diversas áreas do Paraná.

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