A capital Rio Branco encerrou o mês de setembro com um volume de chuvas superior ao projetado, totalizando 168,6 milímetros. De acordo com dados fornecidos à g1 pela Defesa Civil Municipal, este valor representa um aumento de 81,9% em relação à previsão inicial de 92,7 mm.
Cláudio Falcão, coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, informou à g1 que setembro deste ano, um mês historicamente associado à estiagem, apresentou um dos volumes de chuva mais altos quando comparado a anos anteriores. Ele destacou o impacto positivo dessa precipitação, mencionando que o Rio Acre possui atualmente 1,66 metros de nível, enquanto sem essa chuva, estaria entre 1,37 e 1,40 metros.
Impactos positivos e alertas sobre a seca
Falcão ressaltou que os benefícios das chuvas são notáveis, especialmente na zona rural da cidade. Contudo, ele alertou que a chuva de setembro não é suficiente para solucionar os problemas causados pela estiagem. Ele lembrou das consequências graves observadas em julho e agosto, e enfatizou que a resolução da seca depende da manutenção das chuvas nos meses subsequentes, como outubro e novembro.
O coordenador expressou cautela quanto às previsões, citando a dificuldade de acerto neste ano de 2026, que estaria fora das normas habituais. Os dias com maior registro de chuva em setembro foram: 13 de setembro com 19,6 milímetros; 18 de setembro com 24,2 milímetros; 23 de setembro com 11,4 milímetros; e 25 de setembro com 70,6 milímetros.
Rio Acre distante das cotas mínimas
Além do registro incomum de chuvas, o Rio Acre também registrou um dos menores níveis do ano em setembro. Em 6 de setembro, o manancial atingiu 1,59 metros, aproximando-se da menor cota histórica para setembro, que é de 1,25 metro em 2024. No entanto, no último dia do mês, dia 30, o nível subiu para 1,75 metros. Na manhã seguinte, dia 1º, o nível diminuiu nove centímetros, chegando a 1,66 metros.
Setembro é considerado um mês crucial para a medição do manancial. Embora em 2022 o nível tenha chegado a 1,25 metros, isso ocorreu em outubro. As quatro menores cotas anteriores foram, contudo, atingidas durante o mês de setembro.
Temporal causou estragos
No dia 25, uma forte chuva atingiu a capital acreana, resultando em vários danos. Em menos de duas horas, essa precipitação chegou a quase 80 milímetros. Segundo a Defesa Civil Municipal, esse volume representou quase 90% do total esperado para setembro.
O temporal gerou 17 chamados atendidos pelas equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, afetando situações em 14 bairros. Entre os incidentes registrados estavam inundações, árvores caídas sobre residências e vias públicas, risco de desmoronamento e a queda de uma torre.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia colocado o Acre e mais cinco estados em alerta amarelo devido à possibilidade de chuva intensa. O Acre, juntamente com Rondônia, Amazonas, Mato Grosso, Roraima e Pará, registrou chuvas acompanhadas de ventos fortes, variando entre 40 e 70 km/h. Apesar do risco classificado como baixo, ocorreram cortes de energia elétrica e alagamentos na capital acreana.
Um dos locais impactados foi a feira da Economia Solidária, localizada no Lago do Amor. A intensidade do vento derrubou barracas e causou prejuízos aos comerciantes. A chuva iniciou por volta das 18h20. Feirantes filmaram os danos, mostrando barracas tombadas e áreas com acúmulo de água. Carlos Taborga, coordenador do Fórum Acreano da Economia Solidária, relatou que a ventania danificou a parte elétrica das barracas, molhando alguns produtos e objetos. Os vendedores se uniram para prestar auxílio mútuo após os danos causados pelo temporal.

