A inovação na PUC-Campinas transcende os limites dos laboratórios e do desenvolvimento tecnológico, abrangendo a formação discente, o empreendedorismo, a pesquisa aplicada e, crucialmente, a ligação entre o saber universitário e os desafios práticos da sociedade. Nesse contexto, o Mescla, hub de inovação da instituição, funciona como um ponto central de articulação entre o meio acadêmico, corporações, governo e a comunidade em geral.
Desde sua inauguração em fevereiro de 2020, o Mescla tem trabalhado para estabelecer um ambiente focado na inovação aberta, no espírito empreendedor e na proximidade da Universidade com o ecossistema de inovação. Sua infraestrutura inclui laboratórios e áreas dedicadas ao desenvolvimento de projetos, como o FabLab, que possui afiliação com o MIT, além de espaços especializados em inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT), cibersegurança e informática em saúde e inovação. Adicionalmente, o Mescla faz parte do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec) e opera como Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade.
A meta estabelecida é promover a inovação em múltiplas vertentes. Para os estudantes, o Mescla possibilita transformar ideias em projetos, desenvolver habilidades empreendedoras e vivenciar cenários próximos à realidade profissional. Empresas encontram no espaço um local para acessar talentos, pesquisa aplicada, infraestrutura e novas tecnologias. Já o poder público e outros segmentos sociais ganham oportunidades de colaboração e desenvolvimento de soluções para problemas concretos.
Do conceito à execução
Roberto Soboll, diretor executivo do Mescla, enfatiza que este movimento é vital dada a rapidez das mudanças tecnológicas. O avanço da inteligência artificial generativa e o aumento da capacidade computacional estão alterando os métodos de pesquisa, a criação de produtos e o desenvolvimento de soluções, ao mesmo tempo em que impulsionam as aplicações de IoT e IA.
Soboll declara: «A sociedade vive um momento de inflexão tecnológica e precisamos estar preparados para isto. Inovação passa a ser o principal indutor de desenvolvimento para nós». Um dos objetivos centrais do Mescla é abordar a inovação de forma abrangente, acompanhando todas as fases do desenvolvimento de uma ideia ou tecnologia. Sob a atual administração de Soboll, a atuação está organizada em quatro pilares principais: transferência tecnológica, empreendedorismo, capacitação e suporte a empresas e governo.
No âmbito do empreendedorismo, a proposta visa amparar o estudante desde a fase inicial de concepção até estágios mais avançados de um negócio. O ambiente provê mentoria, capacitação, suporte e áreas de coworking, facilitando a evolução e a maturação dos projetos. Este processo também aproxima a formação acadêmica do mercado de trabalho. Os alunos não apenas aprendem conceitos teóricos de empreendedorismo, mas também vivenciam situações onde precisam identificar falhas, sugerir resoluções, colaborar em equipe e enfrentar desafios reais.
Soboll explica: «O aluno tem o papel de renovação do ecossistema e traz junto seu potencial empreendedor. O Mescla o prepara para a era exponencial, desenvolvendo competências práticas, vivência de empreendedorismo e oportunidades profissionais em ambientes reais de inovação». A parceria com empresas intensifica esse processo. Com base em desafios apresentados pelo setor produtivo, estudantes, pesquisadores e profissionais podem colaborar no desenvolvimento de soluções, utilizando o conhecimento acadêmico, a pesquisa aplicada e a infraestrutura tecnológica disponível.
Um ciclo entre Universidade e sociedade
Além de aproximar diversos públicos, o Mescla busca estabelecer um fluxo contínuo de intercâmbio. O conhecimento gerado na PUC-Campinas pode ser levado à sociedade por meio de projetos, tecnologias e soluções, enquanto os problemas identificados externamente retornam ao ambiente universitário como novas questões, oportunidades de pesquisa e caminhos para a inovação.
Soboll descreve isso como um ciclo virtuoso entre a Universidade e a sociedade. Ele ressalta: «Cabe ao Mescla ser um eixo que leva o valor da PUC-Campinas para a sociedade, e através desta interação alimente a Universidade, criando um círculo virtuoso de conhecimento, alinhando demanda e oferta, gerando valor». Neste modelo, as empresas trazem desafios de negócio; estudantes e pesquisadores oferecem conhecimento e capacidade de desenvolvimento; o governo participa da coordenação e elaboração de soluções; e a sociedade se beneficia de projetos focados em temas importantes, como saúde, sustentabilidade e educação.
Preparo para o futuro tecnológico
A transformação impulsionada pela inteligência artificial representa um novo desafio para o Mescla. Mais do que apenas acompanhar a evolução das ferramentas, a Universidade trabalha para criar condições para que profissionais e organizações entendam e apliquem essas tecnologias de modo estratégico. Prevê-se, para 2027, a operação do AI.VOS – Centro de Inovação Aberta em Inteligência Artificial, uma estrutura de mais de 6 mil metros quadrados equipada com computador de alto desempenho. Este espaço deve auxiliar empresas na adoção de IA, além de oferecer treinamentos, locais de experimentação e áreas para estudos e validação de conceitos.
Essa iniciativa expande a capacidade da PUC-Campinas de atuar em uma área que já está redefinindo setores inteiros da economia e da sociedade. Para Soboll, há uma oportunidade particularmente relevante de trabalhar com organizações cujo foco principal não é a tecnologia, mas que necessitam integrar a inteligência artificial em seus processos. A proposta também engloba a residência tecnológica, permitindo que empresas usem a infraestrutura e o conhecimento existentes para testar novas tecnologias e desenvolver soluções antes de implementá-las em larga escala.
Inovação como experiência
Ao integrar laboratórios, empreendedorismo, pesquisa, capacitação e o relacionamento com empresas e governo, o Mescla redefine o conceito de inovação dentro da Universidade. O estudante deixa de ser meramente um receptor de conteúdo e passa a integrar um ecossistema onde pode experimentar, desenvolver projetos e encontrar problemas reais para solucionar. Simultaneamente, a Universidade fortalece sua aptidão para atender às necessidades emergentes da sociedade e do setor produtivo. Além disso, toda essa estrutura contribui para que a taxa de empregabilidade dos estudantes ultrapasse 90% já no primeiro ano após a formatura.
A expectativa é que essa conexão se torne progressivamente mais estratégica. Segundo Soboll, quanto maior for a participação da PUC-Campinas nos desafios reais das empresas e nas discussões sobre políticas públicas e o ecossistema de inovação, maior será a capacidade da Universidade de prever tendências e fornecer respostas de valor. Ele conclui: «O potencial da PUC-Campinas é muito grande. Quanto mais conectados estivermos com a sociedade na transferência tecnológica, mais presentes junto aos desafios reais de empresas e nas discussões de políticas, maior será nossa visão de futuro do ecossistema de inovação».
Por fim, a PUC-Campinas também anunciou que as inscrições para o Vestibular 2027 estão abertas. O Processo Seletivo disponibiliza vagas para mais de 60 Cursos de Graduação da Universidade, devendo ser realizado até 5 de outubro, exclusivamente pelo Portal da PUC-Campinas.
