Uma declaração conjunta assinada pela Comissão Europeia e pela Ucrânia anunciou que ambas as partes encontraram os meios necessários para suprir as exigências orçamentais e de Defesa da Ucrânia referentes a 2026. Foi também reafirmada a necessidade de garantir que esses recursos sejam disponibilizados dentro do prazo estipulado.
Neste documento, as entidades declararam que, para o ano de 2027, chegaram a um acordo para acelerar a alocação de 45 mil milhões de euros, utilizando o âmbito do empréstimo de 90 mil milhões de euros concedido pela União Europeia (UE) à Ucrânia. Adicionalmente, foi decidido iniciar os trabalhos para mapear quaisquer necessidades orçamentais e de Defesa suplementares.
As partes fizeram referência a outros países que não fazem parte da UE, mas que se comprometeram a apoiar a Ucrânia, como Reino Unido, Japão e Canadá. Ambas concordaram que esses parceiros externos devem honrar os seus compromissos financeiros e aumentar os seus esforços, considerando os grandes desafios que Kiev enfrenta.
Em mensagem partilhada nas redes sociais após a divulgação deste comunicado, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, comentou que o diálogo entre Kiev e Bruxelas resultou em bons desfechos no que tange às necessidades financeiras e de Defesa da Ucrânia para os anos de 2026 e 2027.
Zelensky afirmou que houve consenso sobre o formato, o cronograma e as providências necessárias para assegurar o financiamento total dessas demandas. Ele acrescentou que, dali em diante, haverá coordenação mensal do trabalho e das ações, garantindo uma colaboração constante.
Este anúncio ocorre após Volodymyr Zelensky ter declarado em agosto que a Ucrânia estava a enfrentar um défice orçamental aproximado de 27 mil milhões de dólares (equivalente a cerca de 23 mil milhões de euros), solicitando à UE que antecipasse os pagamentos do empréstimo de 90 mil milhões de euros para ajudar a mitigar a situação.
A Ucrânia, que depende substancialmente da assistência financeira dos seus aliados ocidentais para lidar com a invasão russa, atravessa uma situação económica em declínio. O país tem estado envolvido há vários meses numa escalada de ataques de longo alcance vindos de Moscovo, o que forçou a utilização antecipada dos fundos previstos para o restante de 2026.
Os ataques russos causaram danos severos nos setores da metalurgia e na exportação agrícola, que são vitais para a economia ucraniana. Segundo Roksolana Pidlassa, presidente da Comissão de Orçamento do parlamento ucraniano, cada dia de guerra custa 190 milhões de dólares (aproximadamente 165 milhões de euros) à Ucrânia, e o país não possui capacidade para absorver esses custos sozinho.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, iniciada em 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa numa crise de segurança classificada como a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
