Pesquisadores retomaram o estudo de uma formação geológica no leste da Turquia, que por décadas foi considerada um local potencial para a Arca de Noé. O grupo, liderado pelo professor Cenkcer Atilay, reuniu vinte e cinco cientistas de diferentes países para estudar a formação Durupnar.
A pesquisa foi conduzida sem escavações, utilizando radares, bem como modelos bidimensionais e tridimensionais. Os trabalhos foram concluídos em setembro, e os resultados serão publicados em 2027. No entanto, estudos anteriores já estabeleceram que esta estrutura tem origem geológica.
A ligação com a embarcação bíblica deriva do relato do Livro de Gênesis, segundo o qual após o grande dilúvio, a arca supostamente parou nos 'montes do Ararate'. A interpretação deste trecho levou a que a região se tornasse alvo de expedições ao longo dos séculos.
A formação Durupnar não está localizada diretamente no Monte Ararat, mas a cerca de 29 quilômetros do pico do Grande Ararat e faz parte do Monte Tendürek. Sua forma oval, que lembra o nariz de um navio, é uma das razões que sustentam essa hipótese.
A nova pesquisa é resultado da colaboração entre pesquisadores turcos e o grupo norte-americano Noah’s Ark Scan. Esta organização prioriza métodos que permitem estudar o território sem a necessidade de realizar trabalhos de escavação.
A hipótese voltou a chamar a atenção nos últimos anos. Em maio de 2025, a publicação Olhar Digital divulgou uma reportagem sobre uma descoberta arqueológica que reacendeu os debates sobre o possível local da Arca de Noé.
Os trabalhos começaram em junho de 2026 e foram concluídos em 11 de setembro. A equipe pretende criar modelos detalhados da formação e realizar análises de radar para estudar o conteúdo sob a superfície. Espera-se que este conjunto de dados ajude a esclarecer a origem da peculiar forma de Durupnar, e a publicação dos resultados está prevista para 2027.
O projeto também possui um aspecto comercial: o grupo responsável pelas pesquisas realiza atividades turísticas no local, vendendo ingressos por US$ 3600 (cerca de 18,6 mil reais).
Entre os fatores que podem ajudar na interpretação desta formação, há também um forte ceticismo de geólogos e arqueólogos em relação à hipótese de que Durupnar seja um navio. Em 1996, pesquisadores da Universidade Estadual da Califórnia em Northridge publicaram um estudo sobre este local e concluíram que se trata de uma estrutura geológica comum.
Segundo os autores, a forma pode ser explicada pela erosão de minerais vulcânicos, movimento de lama e deslizamentos de terra. Um deles, David Fassold, inicialmente acreditava que a formação poderia conter restos de um navio, mas mudou de opinião após visitar o local nos anos 1990, chamando essa história de 'a mais antiga fraude contínua'.
O ceticismo é compartilhado também por grupos cristãos criacionistas que veem o Livro de Gênesis como um relato histórico. Portanto, embora a nova investigação possa fornecer dados adicionais sobre Durupnar, o material existente não contém provas que confirmem que a formação é a Arca de Noé.
