Roteiro de um dia em Macon: música rock, cultura indígena e culinária do sul
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Roteiro de um dia em Macon: música rock, cultura indígena e culinária do sul

Macon é uma cidade que pode ser incluída no roteiro de viagem pela Geórgia sem grandes expectativas, mas descobrindo seu apelo inesperado. Localizada a cerca de 130 quilômetros de Atlanta, a apenas duas horas de carro, ela tem um tamanho confortável para ser explorada em um dia, oferecendo ao mesmo tempo uma quantidade surpreendente de atrações.

Embora Macon não tenha a escala ou a fama de Atlanta, é aí que reside seu charme. Situada no centro do estado, ganhou o apelido de 'Coração da Geórgia' e combina vestígios pouco conhecidos de culturas indígenas, arquitetura histórica e uma forte tradição musical. Foi aqui que Little Richard nasceu, uma das maiores figuras do rock, e um antigo estúdio de gravação ajuda a contar parte dessa história.

No entanto, talvez o mais interessante seja a diversidade que se pode ver pelo caminho. Em poucas horas, é possível passear por um parque arqueológico ligado aos povos nativos, visitar locais importantes da música americana, observar antigas mansões e provar pratos típicos do Sul.

O Parque Histórico Nacional Oakmulgee Mounds está a caminho de se tornar o primeiro parque nacional e reserva da Geórgia. Ele se estende por 87 quilômetros ao longo do Rio Oakmulgee, e milhares de anos atrás, quatro culturas pré-históricas viviam ali antes da chegada dos colonos europeus.

Os artefatos encontrados testemunham uma ocupação humana contínua há mais de 17 mil anos – um dos registros mais longos da América do Norte. Este também é o território ancestral da nação Muscogee (Creek). Na década de 1830, devido ao Indian Removal Act do governo dos EUA, os Muscogee foram forçados a deixar suas terras na Geórgia e tiveram que marchar até o chamado Território Indígena, no atual estado do Oklahoma, onde ainda está sediada a nação. Nas últimas décadas, o governo de Macon e a nação Muscogee estão restaurando laços. Em 2023, a bandeira Muscogee foi permanentemente hasteada na prefeitura de Macon. Antes de explorar o parque, recomenda-se começar pela visita ao museu para entender melhor a história deste local e dos povos que ali habitaram.

O parque é vasto e se estende até o horizonte, e caminhar pelas terras onde civilizações indígenas existiram séculos atrás é uma experiência fantástica. Os visitantes podem entrar em locais onde cerimônias eram realizadas ou subir ao topo de uma colina de onde os líderes supervisionavam o que acontecia na tribo.

Dica prática: para caminhadas nas trilhas, use sapatos confortáveis e não se esqueça de levar chapéu, protetor solar e água, especialmente nos meses quentes.

Se você ama música, a Capricorn Records é uma parada obrigatória. Na década de 1970, eles lançaram álbuns que ajudaram a definir o som do rock and roll americano do Sul, como Allman Brothers Band, Marshall Tucker Band, Wet Willie e muitos outros. O sucesso veio rápido: 9 álbuns de platina, 17 álbuns de ouro e 5 singles de ouro – tudo isso em um estúdio de cidade pequena. Apesar do impressionante histórico, a Capricorn Records encerrou suas atividades em 1980.

Após quase quatro décadas de silêncio, o espaço voltou a funcionar em 2019, quando a Mercer University decidiu reabri-lo como ponto de colaboração e gravação para músicos locais. Hoje, o museu oferece uma experiência imersiva com um tour por suas instalações, onde é possível visitar o estúdio, além de ver fotos, itens históricos e estações de áudio interativas.

Amantes de arquitetura e história vão adorar visitar a Hay House – uma mansão parecida com cenário de filme. Construída no século XIX, mais precisamente em 1855, a mansão Johnston-Felton-Hay foi declarada Patrimônio Histórico Nacional em 1974 e é considerada um dos melhores exemplos de arquitetura renascentista italiana nos Estados Unidos. Daí vem o carinhoso apelido de 'Palácio do Sul'.

Ao entrar em suas portas, os visitantes são imediatamente transportados no tempo. Móveis luxuosos e decoração original e exuberante foram preservados e ajudam a recriar o estilo de vida da família que ali morava.

Com uma área de cerca de 1670 metros quadrados, a casa serviu como residência por mais de um século antes de se tornar um museu em 1964. Há lendas de que ela é assombrada.

O Tubman Museum (Museu Afro-Americano de Tubman) é o maior museu no sudeste dos Estados Unidos dedicado à arte, história e cultura afro-americana. Fundado em 1981, ele homenageia a abolicionista e ícone americano Harriet Tubman. As exposições abordam as invenções, obras de arte e influência musical dos afro-americanos.

É impossível dizer o que é mais saboroso no H&H Soul Food – a comida ou a história que aconteceu ali. Este restaurante, aberto em 1959 por Inez Hill e Louise Hudson, é hoje uma instituição de Macon, oferecendo comida farta (soul food clássica) e paredes decoradas com retratos da amizade das fundadoras e da lendária banda Allman Brothers, que o Salão da Fama do Rock and Roll considera principal formador do rock and roll americano do Sul e que levou Macon ao mapa musical dos Estados Unidos.

Frequentemente é preciso esperar na fila de entrada, mas é garantido que cada minuto de espera será recompensado ao provar pratos como frango frito, tomate verde frito, bolo macio, grits e outras iguarias. Não perca sobremesas como Pudim de Banana, Pudim de Pão e Cobbler de Pêssego (maçã assada coberta com massa e creme) – todos absolutamente irresistíveis.

Para encerrar a visita em Macon em grande estilo, vá ao Hightales Rooftop Bar, localizado no sexto andar do hotel boutique Forty Five no centro da cidade. Além de um excelente menu de bebidas e petiscos, o bar presta homenagem à verdadeira herança musical de Macon, com pinturas e souvenirs espalhados pelo local. Do terraço aberto, tem-se uma vista privilegiada do centro histórico e arredores, que fica ainda mais bonita ao final do dia. É o cenário perfeito para concluir uma visita marcada por rica história, gastronomia, tradições e Southern rock.

Dicas de transporte: A melhor maneira de se locomover em Macon é de carro, pois as atrações estão espalhadas e o transporte público tem limitações de horário e cobertura. Aplicativos como Uber e Lyft funcionam bem. Uma alternativa é o Rapid Transit, um serviço por aplicativo que é uma mistura de Uber e transporte público compartilhado. Este serviço cobre o centro de Macon, o campus da Mercer University, o bairro de Ingleside, a parte sul do Condado de Bibb e até o Aeroporto Regional de Middle Georgia – uma opção prática para quem chega à cidade de avião e não quer depender de táxis (não funciona aos domingos).

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Guia turístico de Atlanta, metrópole vibrante no Sul dos Estados Unidos
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Guia turístico de Atlanta, metrópole vibrante no Sul dos Estados Unidos

Mesmo vivendo há mais de dez anos em Nova York e estando totalmente acostumada ao ritmo acelerado e à certa impessoalidade das relações, a autora se encanta ao viajar por outras partes dos Estados Unidos e descobrir a diversidade e o calor do país.

Durante uma recente viagem ao estado da Geórgia, ela encontrou a hospitalidade, um ritmo mais tranquilo e o charme das cidades menores. Atlanta, a capital, possui essas características, mas adiciona uma forte dose de energia urbana, apresentando uma cena cultural, gastronômica e artística que a classifica entre as metrópoles mais fascinantes que ela conheceu no país.

Não é coincidência que Atlanta recebeu o apelido de “The City in a Forest” (“A Cidade na Floresta”), visto que aproximadamente 48% de sua área urbana é coberta por árvores, distribuídas em ruas, parques e bairros residenciais. Muitas áreas verdes permanecem integradas à paisagem, em vez de serem totalmente substituídas pelo crescimento urbano, resultando em uma metrópole com um horizonte verde, onde a natureza é mais presente do que o esperado.

A combinação de história, cultura pop, arte urbana, espaços verdes e a cena gastronômica foi o que mais cativou a autora, fazendo-a sair de Atlanta com a sensação de ter descoberto uma cidade mais rica e variada do que imaginava, e ficando completamente apaixonada por ela.

Os moradores locais pronunciam o nome da cidade com os dois T’s mudos, soando parecido com “Élana”, e o visitante logo se acostuma com essa pronúncia.

Pontos de partida e atrações turísticas

Para iniciar a exploração da cidade, o local ideal é o Centennial Olympic Park, construído para os Jogos Olímpicos de 1996. Próximo a este parque, encontram-se várias atrações turísticas importantes, como o Georgia Aquarium, o World of Coca-Cola, o National Center for Civil and Human Rights e o Martin Luther King Jr. National Historical Park.

O Georgia Aquarium proporciona uma imersão no ambiente subaquático. A galeria Ocean Voyager é uma das maiores exposições aquáticas do mundo, contando com um túnel de acrílico transparente de 30 metros e uma grande janela de observação onde foi possível ver tubarões-baleia, raias-manta, garoupas-gigantes e milhares de outros peixes.

A exposição Sharks! Predators of the Deep é destacada como uma das maiores e mais dinâmicas mostras sobre tubarões na América do Norte, reunindo predadores oceânicos conhecidos, e foi descrita como hipnotizante.

Ao lado, encontra-se o World of Coca-Cola. Para os fãs, é uma experiência imersiva na história da bebida mundialmente famosa, que teve origem em Atlanta. Na exposição interativa The Studios, os visitantes exploram a influência da Coca-Cola em áreas como arte, música, moda, esportes e entretenimento, podendo inclusive criar novas versões da garrafa.

A área The Loft exibe uma coleção de quase 200 peças históricas que abrangem mais de 135 anos de memória da Coca-Cola e itens de mais de 30 países. Um destaque é a sala de degustação Taste It!, onde é possível experimentar mais de 100 bebidas da família Coke de diferentes regiões, com sabores que variam do doce ao picante e salgado, incluindo um refrigerante cremoso de framboesa da África (lançado em 1955), uma Sprite sabor pepino da Romênia e um refrigerante da Tanzânia feito de gengibre.

A autora, que não consumia refrigerante desde 1995, fez questão de brindar e beber um copo no World of Coca-Cola, aproveitando o clima de nostalgia no local de invenção da bebida.

Do outro lado da praça, situa-se o National Center for Civil and Human Rights (Centro Nacional de Direitos Civis e Humanos). Este museu interativo e comovente liga a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos aos movimentos globais de direitos humanos, sendo considerado uma visita essencial, pois Atlanta foi o centro do Movimento dos Direitos Civis nos anos 1960.

Em cada sala, são exibidos registros dos eventos históricos, com foco especial na trajetória da população negra. Uma experiência marcante foi a réplica de um bar, onde os visitantes ouviram insultos direcionados a um cliente negro por pessoas brancas através de fones de ouvido, uma vivência descrita como emocionante e quase revoltante.

Por fim, o Martin Luther King Jr. National Historical Park, situado no histórico bairro de Sweet Auburn, é outro ponto obrigatório. Lá, é possível visitar a casa de nascimento do líder religioso, a igreja Batista Ebenezer, onde ele e seu pai atuaram como pastores, e o memorial com seus restos mortais.

Bairros e o Atlanta Beltline

Cabbagetown é um bairro histórico de Atlanta, estabelecido em 1881 ao redor da Fulton Bag and Cotton Mill, uma fábrica têxtil destinada a abrigar seus trabalhadores. Após o encerramento da fábrica em 1977, o bairro entrou em declínio, mas na década seguinte, um grupo de artistas liderou uma revitalização, transformando a área em um local moderno e charmoso, repleto de restaurantes que servem especialidades do Sul, como hambúrgueres e hot dogs.

O Atlanta Beltline é uma antiga linha férrea desativada que foi convertida em um parque linear. Este parque é adornado com murais de arte urbana, ciclovias e trilhas para pedestres. Seu circuito de trilhas ao ar livre possui cerca de 35 km e circunda a cidade, contribuindo para a reputação de Atlanta como “A Cidade na Floresta”.

O Beltline é segmentado em oito trilhas principais: Northwest, Northside, Northeast, Eastside, Southeast, Southside, Southwest e Westside. Existem também três trilhas de conexão: West End Trail, Southwest Connector Trail e Westside Beltline Connector. Ele oferece uma forma interessante de conhecer diversos bairros através de caminhos que atravessam áreas verdes e parques.

Ao caminhar pelo Atlanta Beltline, é possível observar pessoas utilizando bicicletas, patinetes e patins. A recomendação é caminhar sem pressa, aproveitando para descobrir restaurantes, cervejarias, lojas locais e obras de arte públicas. É um bom momento para parar em uma feira livre, tomar um café ou um drinque em um dos bares da região.

A arte é um componente vital desta rota. O Atlanta Beltline Art é citado como a maior exposição temporária de arte pública e galeria linear dos EUA, apresentando murais coloridos, esculturas e fotografias de artistas locais. Há chance de presenciar a criação de uma dessas obras ao vivo.

História e Gastronomia

O Atlanta History Center é um complexo composto pelo Atlanta History Museum e pela Swan House. Nele ocorrem exposições permanentes e temporárias que narram a história da cidade, suas origens como centro de transportes e o impacto dos Jogos Olímpicos do Centenário de 1996.

Um ponto alto da visita é o ciclorama, uma pintura panorâmica de 360 graus disposta em uma parede côncava. Desde 2019, o Cyclorama: The Big Picture retrata a Batalha de Atlanta, um confronto crucial da Guerra Civil Americana ocorrido em 1864, quando as tropas da União avançaram contra as forças confederadas para tomar um importante centro de suprimentos e transporte.

Esta pintura foi totalmente pintada à mão e concluída em 1866, medindo cerca de 15 metros de altura e tendo um comprimento superior ao de um campo de futebol americano, pesando aproximadamente 4.500 quilos. A obra é complementada por bonecos e outros elementos narrativos. Para apreciá-la, é necessário subir uma escada rolante até um mezanino, permitindo observar a pintura de múltiplos ângulos.

Este ciclorama é um dos únicos dois existentes nos Estados Unidos; o outro retrata a Batalha de Gettysburg e está na Pensilvânia, conferindo a Atlanta um patrimônio histórico singular. A pintura é notável e hoje pode ser vista como uma precursora da realidade virtual.

A diversidade e a qualidade da gastronomia foram aspectos que mais impressionaram a autora. Desde restaurantes tradicionais até os de alta gastronomia, cada refeição foi prazerosa.

O Ponce City Market, um edifício antigo da década de 1920 que antes sediou a Sears, foi revitalizado e agora abriga um mercado gastronômico excepcional, lojas independentes e um parque de diversões vintage no terraço com vista panorâmica. No food hall, chefs e empreendedores oferecem uma vasta gama de opções gastronômicas.

Para um clima charmoso, sugere-se tomar café da manhã no Café Intermezzo, que simula uma autêntica cafeteria europeia do século XIX. Oferece mais de 60 opções de doces, além de bebidas quentes, frias e alcoólicas, funcionando do café da manhã até tarde da noite, proporcionando uma atmosfera semelhante à de Viena.

Ao passear por Cabbagetown, recomenda-se uma parada no Breaker Breaker, que possui uma atmosfera descontraída, típica de restaurantes à beira-mar. O cardápio inclui clássicos de frutos do mar, como porções de peixe frito e sanduíches poboy de camarão. O pátio espaçoso permite desfrutar de drinques frozen e refeições casuais ao ar livre, sendo um bom local para digerir após caminhar pelo BeltLine.

Um dos destaques da viagem foi o jantar no Yebo Beach Haus, localizado em Buckhead, um bairro sofisticado conhecido como a “Beverly Hills do Leste”, com shoppings de luxo e restaurantes refinados. O menu apresenta uma fusão bem-sucedida de culinária praiana com influências sul-africanas, harmonizada com vinhos da África do Sul, criando um ambiente belíssimo e imperdível.

Para quem aprecia natureza, um brunch no The Chastain é sugerido. Este bistrô de bairro sofisticado oferece culinária “farm-to-table” e foi reconhecido com a Estrela Verde Michelin pelo seu foco na sustentabilidade, utilizando ingredientes cultivados em sua própria horta.

Outra sugestão é almoçar ou jantar no Delbar Inman Park, que possui outras duas unidades na cidade. Apesar de seu estilo descontraído, a culinária do Oriente Médio é tratada com seriedade, e o restaurante é reconhecido pelo Guia Michelin. Fundado pelo chef Fares Kargar, ele serve sabores autênticos da Pérsia e do Oriente Médio com um toque moderno, além de ótimos coquetéis.

Em uma cidade com o Beltline como projeto central, caminhar é altamente incentivado. Hospedar-se no bairro histórico Old Fourth Ward facilitou o acesso a vários pontos do roteiro. Alternativamente, Atlanta dispõe de ônibus, metrô e trem para deslocamentos mais longos.

Uma opção pitoresca é o Atlanta Streetcar, um bonde elétrico que opera em um circuito no centro da cidade (Downtown), ligando locais como o Centennial Olympic Park, o Martin Luther King Jr. National Historical Park e o distrito de Sweet Auburn. Além disso, os serviços de carros por aplicativo e Waymo estão disponíveis.

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