No final do dia de quinta-feira (dia 1), ou mais precisamente às 17:51, horário brasileiro, a Lua atingirá o perigeu — o ponto mais próximo de sua órbita à Terra. Algumas horas depois, na manhã cedo de sexta-feira (dia 2), ela ocultará uma estrela brilhante localizada na constelação de Touro, em uma espécie de eclipse.
De acordo com a plataforma In-The-Sky.org, a distância da Lua em relação à Terra muda porque sua órbita não é perfeitamente circular, mas sim ligeiramente oval, seguindo uma elipse. Ao percorrer essa trajetória elíptica ao redor do nosso planeta a cada mês, sua distância oscila entre 356.500 km no perigeu e 406.700 km no apogeu (ponto mais distante).
Marcelo Zurita, presidente da Associação de Astronomia Paraibana (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista do Olhar Digital, observa: «Esses valores são médias, pois na prática variam muito devido à influência gravitacional do Sol e de outros planetas do Sistema Solar».
O tamanho angular do corpo celeste também muda pelo mesmo motivo. Ao atingir o perigeu, nosso satélite natural pode ficar até 14% mais brilhante no céu quando visível. No entanto, isso é difícil de notar na prática, pois as fases da Lua mudam simultaneamente.
Algumas horas após se aproximar da Terra, a Lua passará em frente a Beta Tauro (também conhecida como Elnath), a segunda estrela mais brilhante de Touro.
Sobre Beta Tauro
Segundo a plataforma de observação Sky & Telescope, o nome Elnath deriva do árabe e significa «cabeça» ou «aquele que empurra com os chifres». É uma referência direta à posição da estrela na ponta do chifre de Touro. Este nome enfatiza a tradição de associar estrelas brilhantes aos elementos visuais das constelações no céu.
De acordo com o guia da InTheSky.org, o eclipse lunar de Beta Tauro ocorrerá das 3:10 às 6:46 da manhã e estará disponível em quase todo o território brasileiro.
O eclipse lunar é visível apenas em uma pequena parte da superfície da Terra. Como a Lua está muito mais perto do nosso planeta do que outros objetos celestes, sua posição no céu depende da localização exata do observador na Terra devido ao seu grande paralaxe (diferença na posição aparente do objeto em relação ao fundo, como visto por observadores em locais diferentes ou em movimento).
A posição da Lua vista de dois pontos opostos da Terra pode diferir em até dois graus, ou quatro vezes o diâmetro da Lua cheia. Isso significa que, se a Lua estiver alinhada para passar em frente a um objeto específico para um observador em um lado da Terra, do outro lado do globo ela pode aparecer a até dois graus desse objeto.
O mapa mostra vários contornos indicando onde o desaparecimento de Beta Tauro pode ser visto (em vermelho) e onde é possível observar seu reaparecimento (em azul).
Os contornos sólidos mostram os locais onde o eclipse provavelmente será visível com binóculos em uma altitude razoável no céu. Os contornos tracejados, por sua vez, indicam onde o evento ocorre acima do horizonte, mas pode ser invisível devido ao céu muito limpo ou à proximidade da Lua com o horizonte.
Fora desses contornos, a Lua não passa em frente a Beta Tauro em nenhum momento ou está abaixo do horizonte durante o eclipse.
Isso implica que as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e grande parte do Norte do Brasil estão na zona de visibilidade. Apenas o extremo norte do país, na linha de eclipse baixo sobre Amazonas e Roraima, está no limite do fenômeno.
