O romance 'Chorus' de Kamel Daoud foi lançado em persa no Irã
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O romance 'Chorus' de Kamel Daoud foi lançado em persa no Irã

A tradução persa do livro 'Chorus', também conhecido como 'Donzelas', escrito por Kamel Daoud, chegou às livrarias em todo o Irã. De acordo com a ISNA, o livro foi traduzido por Sanaz Fallahfard do francês, e a editora Tadaee Publication o lançou em uma edição de 397 páginas.

O romance 'Chorus' é dedicado às vítimas dos eventos que os árabes aljeirinos chamam de 'década negra'. Durante este período, dezenas de milhares de pessoas morreram na luta do exército contra a insurgência islâmica. O conflito começou em 1991, depois que os islamistas venceram a primeira fase das eleições legislativas, o que levou o governo apoiado pelo exército a anular o segundo turno de votação.

A personagem principal, Oub, é uma jovem mulher argelina que deve lembrar-se da guerra pela independência, que ela não vivenciou, e esquecer a guerra civil dos anos 90, que ela própria experimentou. Sua tragédia está marcada em seu corpo: uma cicatriz no pescoço e cordas vocais danificadas. Silenciosa, ela sonha em recuperar sua voz e só pode contar sua história à filha que carrega dentro de si. No entanto, surge a questão de seu direito de manter essa criança e se é possível dar à luz quando ela está quase perdida?

No país que adotou leis punitivas por qualquer menção à guerra civil, Oub decide retornar à sua aldeia natal, onde tudo começou, e onde talvez os mortos lhe respondam.

Kamel Daoud, de 56 anos, é um escritor e jornalista franco-argelino. Ele é mais conhecido por seu romance 'Investigação Mursault' de 2013 e pelo romance 'Chorus' de 2024, que ganhou o Prêmio Goncourt naquele ano.

O autor relatou anteriormente este ano ter sido condenado a três anos de prisão na Argélia pelo romance 'Chorus', que recebeu o prêmio literário mais prestigiado da França. O escritor, residente na França, também declarou ter recebido uma multa de 5 milhões de dinares argelinos (US$ 38.000).

Daoud indicou que foi condenado com base na chamada Carta de Paz e Reconciliação Nacional — um documento adotado após um referendo em 2005, que concedeu amplas anistias tanto aos islamitas armados quanto às forças de segurança.

'Este documento pune qualquer menção pública à guerra civil', afirmou Daoud. 'Dez anos de guerra, cerca de 200.000 mortos segundo estimativas, milhares de terroristas receberam anistia... e apenas um lado culpado: o escritor.'

Além do processo judicial iniciado pelo tribunal na cidade de Oran, na Argélia, Daoud é alvo de dois mandados internacionais de prisão emitidos pela Argélia em maio de 2025 e corre o risco de perder sua cidadania argelina.

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