Análise das razões para a ausência de algumas motocicletas de baixa cilindrada, como Yamaha MT-15 e Honda CB125R, no mercado brasileiro
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Análise das razões para a ausência de algumas motocicletas de baixa cilindrada, como Yamaha MT-15 e Honda CB125R, no mercado brasileiro

No Brasil, as motocicletas pequenas com motores de 150 e 160 cc são as mais comuns nas ruas, sendo simples e destinadas à classe trabalhadora média. Modelos mais sofisticados exigem um preço mais alto e um motor de maior cilindrada.

No entanto, quem conhece o mercado global aponta a existência de modelos tecnológicos de baixa cilindrada, como as japonesas Honda CB125R e Yamaha MT-15. Isso levanta a questão: por que nem todas as motocicletas de baixa cilindrada de qualidade chegam ao Brasil?

Para descobrir esses motivos, foi realizada uma conversa com um especialista em mercado de motocicletas e representantes da equipe Honda.

Decisões Estratégicas dos Fabricantes

Segundo Luiz Vicente F. de Mello, da Bright Consulting, especialista no segmento de motocicletas, todas as decisões se resumem a uma estratégia voltada para proteger a operação ou o lucro do fabricante. Ele enfatizou que cada marca age de maneira diferente, dependendo do que lhe é vantajoso. Mesmo os dois maiores players do mercado brasileiro utilizam estratégias distintas.

O especialista observou que a Yamaha R15 ocupa um «oceano azul», ou seja, não possui concorrentes diretos em seu segmento de preço. Luiz explicou que se a MT-15 começasse a ser vendida no país, isso poderia levar parte do público que prefere a R15 a migrar para a MT-15, o que seria um «canibalismo» de clientes entre irmãs da mesma marca. O especialista acredita que tal «canibalização» de modelos não compensaria, pois o fabricante teria que gastar recursos significativos em desenvolvimento, produção e campanhas publicitárias de um produto que matematicamente não atrairia novos clientes, mas apenas dividiria os compradores já interessados entre dois modelos.

Este problema estratégico é tão específico que não pode ser aplicado a modelos semelhantes, como Yamaha R3 e MT-03. O consultor lembrou que historicamente a MT-03 vende cinco vezes melhor que a R3, o que é atribuído às particularidades do mercado local. Para modelos de 300 cc, o investimento se justifica, enquanto para modelos de 150 cc, ele pode não se pagar.

No caso da Honda, Luiz apontou que se trata de uma unidade motriz completamente nova. Ele considera que, para lançar um modelo premium de baixa cilindrada como a CB125R, a Honda deveria usar um motor que não é produzido no Brasil, visto que atualmente a empresa está migrando de 110 para 160 cc.

O consultor também acredita que, mesmo investindo no lançamento de um novo modelo, as vendas não seriam altas o suficiente para justificar tais custos. Embora reconheça que a chegada de mais motocicletas seria benéfica para os motoristas, para as próprias fábricas isso não é viável.

Posição da Honda

Em certo sentido, a Honda concorda com a opinião do especialista. Quando questionada sobre os motivos do descontinuamento de um modelo tão novo, um representante da empresa assumiu uma posição específica. Luiz Gustavo, responsável pelo setor de Relações Públicas da marca, afirmou que a Honda sempre estuda quais modelos devem ser importados para o Brasil, e isso depende totalmente da demanda pelo produto no país. A empresa monitora constantemente as necessidades e desejos dos clientes, analisando cenários econômicos e geográficos, bem como as intenções dos compradores, antes de desenvolver a estratégia de viabilidade de importação desse modelo.

O representante da Honda ressaltou que as características do mercado fora do Brasil desempenham um papel fundamental. Luiz Gustavo observou que alguns países asiáticos utilizam motocicletas de forma diferente — elas podem ser orientadas para desempenho, viagens ou outros tipos de uso. Portanto, segundo ele, a motocicleta que precisa ser importada de outros mercados não será idêntica à necessária para o mercado brasileiro. É necessário um processo sério de adaptação, o que frequentemente aumenta o custo final para o consumidor.

Luiz de Mello concordou com Luiz Gustavo e com a Honda. O especialista de mercado lembrou que existem países na Europa onde a idade mínima para obter a carteira de motorista é de 16 anos. Um aspecto importante são as condições para obter essa licença. Na Alemanha e em vários outros países, pessoas com mais de 16 anos podem dirigir modelos de até 125 cc com potência de até 15 cv, categoria na qual a Honda CB125R se enquadra. Essas condições contribuem para o aumento das vendas de modelos premium com motores menores. Em mercados como o Brasil, onde apenas a idade e o motor acessível a todos com habilitação categoria A são importantes, a estratégia foca em investir em motores maiores.

Na opinião de Luiz de Mello, o principal problema reside nos investimentos necessários para importar o modelo. Fabricantes como a Kawasaki, que oferece motocicletas premium de baixa cilindrada, enfrentam dificuldades em garantir uma ampla gama devido aos altos custos necessários apenas para importar um novo modelo. A Suzuki, por exemplo, é importada através do Grupo J. Toledo no Brasil, o que dificulta ainda mais o fluxo em massa de modelos devido à burocracia e aos custos mais elevados.

Como afirmam o consultor e a própria Honda, a resposta depende menos do interesse dos motociclistas e mais da situação financeira dos fabricantes. No caso da MT-15, o obstáculo é o risco de que esta «naked» divida clientes com a R15, que hoje não tem concorrentes diretos em seu segmento. Quanto à CB125R, entra em jogo a necessidade de um motor que a Honda não produz no país, combinada com uma venda esperada considerada muito baixa para justificar os investimentos. Enquanto essa fórmula não mudar, aqueles que procuram uma motocicleta de baixa cilindrada mais sofisticada serão forçados a aumentar a classe do motor e o preço para encontrar tal sofisticação.

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