A equipe de projeto descreveu a Casa JF, cuja organização espacial se estrutura em torno de um pátio central. Este pátio abriga áreas destinadas tanto à permanência quanto ao lazer, incluindo gramado plano e piscina. Três volumes adjacentes se abrem para este pátio, compreendendo a sala, a cozinha e os dormitórios.
Devido ao declive acentuado do terreno, que apresenta uma diferença de sete metros entre o ponto mais baixo e o mais alto, os espaços foram distribuídos em três níveis distintos: o nível de acesso/garagem, o nível da sala/cozinha e o nível dos quartos. Essa disposição escalonada dos volumes ao longo do terreno proporciona vistas privilegiadas a partir de cada área, conferindo aos quartos uma posição de mirante.
O acesso à residência ocorre por meio de uma escadaria que atravessa a lateral do volume principal, a sala, configurando-se como sua única porta de saída para o exterior. Esse trajeto de entrada funciona como um elemento de transição entre o ambiente externo, de caráter público, e o interno, de natureza privada. Essa passagem diminui a intensidade da luz diurna, permitindo que os olhos se ajustem antes de serem impactados pela luminosidade do pátio.
O último degrau da escadaria de acesso situa-se na junção entre os volumes da sala e da cozinha. Neste ponto específico está localizado o estúdio de trabalho, que, funcionando como um panóptico, oferece visão panorâmica dos principais espaços da casa e uma vista para o exterior.
A cozinha e a ampla mesa de refeições compartilham o espaço sob uma abóbada de concreto. A dimensão e a configuração desse ambiente estabelecem uma conexão constante com o céu, graças à abertura superior da abóbada e aos jardins do pátio, adicionando um toque de dramaticidade ao cotidiano da cozinha. Elementos como o movimento das nuvens, as variações de cor do céu em diferentes momentos do dia, chuvas fortes e névoa fazem parte da composição deste espaço comum.
Por estar situada no caminho de quem chega à casa ou se move entre a sala e os quartos, a cozinha atua como um ponto intermediário da residência. É um espaço que convida à pausa reflexiva, forçando o indivíduo a observar o céu, o azul e o branco. Toda a dinâmica da casa converge para a cozinha, transformando-a no principal local de encontro e produção.
