Bragança, no nordeste de Portugal, revela suas belezas históricas e culturais esquecidas
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Bragança, no nordeste de Portugal, revela suas belezas históricas e culturais esquecidas

Embora seja relativamente acessível, a cidade de Bragança, localizada no extremo nordeste de Portugal e com pouco menos de 35 mil habitantes, permanece fora do circuito turístico principal devido à sua distância dos grandes centros urbanos. De Lisboa, a viagem de autocarro leva cerca de seis horas, enquanto do Porto são aproximadamente três horas. É importante notar que não existe ligação ferroviária para a cidade.

Situada na histórica região de Trás-os-Montes, na fronteira com a Espanha, Bragança ganhou notoriedade recentemente justamente por não ser um destino excessivamente frequentado. Este local oferece uma alternativa para explorar a história portuguesa em uma área frequentemente negligenciada nos roteiros internos do país.

O Castelo de Bragança

Fundado no século XII pelo rei Sancho I, o Castelo de Bragança constitui um dos pontos mais emblemáticos no centro histórico da cidade. Reconhecida como uma das fortificações mais bem conservadas de Portugal, esta cidadela foi declarada Monumento Nacional em 1910, apresentando muralhas robustas reforçadas por quinze torres.

Torre de Menagem

A Torre de Menagem, datada de 1430, é a principal estrutura da fortaleza e o maior símbolo de Bragança. A finalização desta construção é creditada como o marco que levou a localidade a ser elevada de vila a cidade durante o século XV.

Além disso, há a menção à Torre da Princesa, onde estiveram figuras como Dona Leonor, esposa do quarto duque de Bragança, que teria sido detida (supostamente injustamente) por adultério e posteriormente assassinada pelo marido, Dom Jaime. Esta história pode ter servido de inspiração para a lenda local sobre uma princesa órfã que rejeitou pretendentes propostos pelo tio, optando por um cavaleiro humilde, o que resultou em seu aprisionamento na torre.

Dentro da fortaleza, destaca-se o Domus Municipalis, uma atração arquitetônica singular. Esta estrutura pentagonal serviu historicamente como cisterna e, em seu andar superior, sediou encontros da administração municipal de Bragança. É considerado o único exemplo remanescente de arquitetura civil em estilo românico em toda a Península Ibérica, exibindo características medievais com referências a construções romanas e bizantinas, que geralmente só sobreviveram em templos religiosos.

A região de Bragança é mundialmente conhecida pela tradição dos caretos, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade desde 2019. Neste evento, pessoas vestidas com máscaras, trajes coloridos e chocalhos na cintura percorrem as ruas para celebrar o fim do inverno, coincidindo com o Entrudo do Carnaval. Embora a tradição exista em toda a área, ela é mais proeminente na localidade de Podence, situada a cerca de meia hora ao sul de Bragança.

Mais detalhes sobre essa prática cultural podem ser encontrados no Museu Ibérico da Máscara e do Traje, que exibe elementos dos caretos locais e também de festividades similares realizadas no distrito espanhol de Zamora, do outro lado da fronteira.

Ao se dirigir à fronteira com a Espanha, quem busca conhecer outros aspectos da cultura local deve visitar as célebres aldeias "raianas" (onde "A Raia" designa toda a linha divisória entre os países). Entre elas, Rio de Onor merece destaque: este pequeno povoado, com menos de cem habitantes, mantém vivo o dialeto "rionorês", um tipo de portunhol específico da região. A vila foi até mesmo eleita uma das 7 Maravilhas de Portugal, na categoria "Aldeias".

Para os apreciadores da natureza, o lado bragantino oferece o Parque Natural de Montesinho. Este parque abrange 75 mil hectares no extremo norte da região, proporcionando paisagens montanhosas que chegam a altitudes próximas a 1,5 mil metros.

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