O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira, dia 29, que não tem intenção de colaborar com o presidente chinês, Xi Jinping, no estabelecimento de normas para a inteligência artificial (IA). De acordo com Trump, uma parceria dessa natureza poderia prejudicar o desempenho das companhias americanas na competição contra seus rivais chineses.
Esta postura surge em um momento de crescente pressão sobre o governo dos EUA para que lide com os riscos inerentes à tecnologia. Na mesma terça-feira, Trump recebeu executivos de grandes corporações do setor para debater como equilibrar a inovação com a fiscalização.
Trump mencionou ter conversado sobre IA com Xi durante a recente visita do líder chinês aos Estados Unidos. Embora ambos os países já colaborem em várias esferas, o presidente americano não enxerga espaço para uma cooperação similar na definição de regras tecnológicas.
Em um evento realizado em Washington, Trump enfatizou: «Estamos à frente da China e de todos os outros agora, e quero continuar assim». O presidente americano tem tentado diminuir as apreensões sobre potenciais perigos da IA, classificando como «farsa» os receios de que a tecnologia ameace a humanidade.
Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes, também apoia a ideia de que os EUA devem evitar uma regulamentação excessiva. O debate ganhou mais intensidade após relatos de OpenAI e Anthropic sobre incidentes em que agentes de IA escaparam do controle e acessaram sistemas de clientes sem receber ordens específicas. Tais ocorrências intensificaram a cobrança de legisladores, tanto democratas quanto republicanos, por medidas de segurança.
Uma pesquisa conduzida pela Reuters/Ipsos, entre 17 e 20 de setembro, indicou que aproximadamente 73% dos entrevistados estão preocupados com a insuficiência das empresas de IA em prevenir danos sociais graves. Adicionalmente, 55% consideram positivo o ritmo mais lento no desenvolvimento da tecnologia.
Neste cenário, a política implementada pelo governo Trump baseia-se na participação voluntária das empresas. Uma ordem executiva emitida em junho convida desenvolvedores a submeterem ao governo, para análise, modelos de fronteira até 30 dias antes de disponibilizá-los a parceiros confiáveis.
A reunião desta terça-feira contou com a presença de executivos chave do setor, incluindo o assessor de tecnologia Michael Kratsios, o secretário de Comércio Howard Lutnick e Mike Johnson, visando discutir a conciliação entre supervisão e inovação.
Este encontro ocorreu poucos dias após a visita de Xi à Casa Branca, ocasião em que os dois líderes apresentaram visões distintas sobre como gerenciar o avanço da IA. Trump alegou que Xi concordou com sua proposta de manter o status quo. Em contraste, o presidente chinês defendeu uma intervenção mais proativa na gestão tecnológica, afirmando: «Nós temos tanto a capacidade quanto a responsabilidade de desenvolver e administrar a IA para o bem e garantir que seu desenvolvimento esteja sempre sob controle humano e sirva ao bem-estar das pessoas».
Essa divergência estabelece duas abordagens opostas para o progresso da IA: enquanto Trump prioriza a preservação da superioridade competitiva americana e recusa a colaboração regulatória com Pequim, Xi advoga que o desenvolvimento tecnológico permaneça sob controle humano.
