O Ministério do Comércio chinês divulgou detalhes sobre a renovação do chamado «acordo conjunto», estabelecido em Kuala Lumpur em outubro de 2025. Esta prorrogação estende a suspensão de certas medidas, tanto pautais quanto não pautais, que foram implementadas durante a disputa comercial entre as duas maiores economias mundiais.
A decisão foi anunciada após a recente visita de Estado do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos. O acordo original havia sido válido até novembro do ano corrente, e a confirmação veio após o encontro entre Xi Jinping e seu homólogo norte-americano, Donald Trump, realizado na cidade sul-coreana de Busan.
Embora Pequim tenha evitado confirmar explicitamente a extensão anunciada pelo Secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, o Ministério das Relações Exteriores chinês apenas mencionou que as equipes econômicas haviam chegado a um novo «acordo conjunto» após a cimeira presidencial.
O Ministério do Comércio informou que ambas as nações manterão as negociações durante este período de prorrogação, com o objetivo de chegar a uma «solução acordada». Segundo o ministério, este pacto oferece espaço para que ambos os lados revisem e avaliem a aplicação do combinado, além de considerarem formas de impulsionar as relações comerciais e econômicas entre China e Estados Unidos.
Além disso, o ministério detalhou outros resultados obtidos na oitava rodada de consultas econômicas e comerciais, que ocorreu entre 20 e 23 de setembro em Nova Iorque e Washington, antes da reunião entre Xi e Trump. Entre esses pontos, destaca-se um plano de redução mútua de tarifas alfandegárias para produtos avaliados em cerca de 30 bilhões de dólares (equivalente a mais de 26 bilhões de euros) por cada país.
Neste esquema, aproximadamente 90% dos itens envolvidos terão suas tarifas diminuídas para os patamares de «nação mais favorecida», assim que os processos legais internos forem finalizados. Os dois países também concordaram em instituir um Conselho de Comércio bilateral, cuja primeira função será tratar desse pacote tarifário, e um Conselho de Investimento focado em oportunidades e entraves empresariais.
O Conselho de Comércio incluirá um grupo de trabalho dedicado ao setor agrícola, e o carvão americano será incorporado ao regime de diminuição de direitos aduaneiros. Pequim vê isso como um fator que simplificará suas importações dessa matéria-prima durante os anos de 2027 e 2028.
No campo da inteligência artificial, a China confirmou que o vice-primeiro-ministro He Lifeng e Scott Bessent irão conduzir um diálogo específico. A primeira sessão desse diálogo já aconteceu, e as partes definirão um canal de comunicação para lidar com «incidentes» relacionados à tecnologia antes de um novo encontro previsto para o final de novembro.

