O Ford Verona, que foi o primeiro sedã derivado da família Escort introduzido no Brasil em 1989, durante o período da Autolatina, a união entre Ford e Volkswagen, possuía méritos, mas não atingiu o patamar dos sedãs médios da década de 1990. Apesar de compartilhar quase toda a sua base mecânica com o Escort, ele obteve um nome e uma identidade próprios no mercado. A produção do Verona foi mantida até 1996, data em que ele foi retirado de circulação junto com o término da parceria entre as duas montadoras.
Curiosamente, o fim da produção do Verona coincidiu com o ressurgimento de sua identidade original. Após o encerramento da Autolatina, a Ford retomou seu caminho autônomo e, no final de 1996 e início de 1997, lançou a nova geração nacional do Escort. Neste momento, o antigo Verona passou a ser denominado simplesmente Escort Sedan, padronizando-se à nomenclatura usada em outros mercados.
Esta nova linha Escort incluía as versões hatchback, perua SW e sedã. O modelo apresentava um design renovado, inspirado nos Escorts europeus da época, e utilizava mecânica inteiramente desenvolvida pela Ford. Sob o capô, encontrava-se o motor Zetec 1.8 16V de 115 cv, importado da Inglaterra, acoplado a um câmbio manual de cinco marchas também criado pela marca. Este conjunto era considerado moderno e sofisticado, colocando o Escort em uma posição competitiva no cenário automotivo brasileiro.
Embora o novo visual tenha sido bem recebido, especialmente na versão hatchback, que manteve a preferência dos compradores, a perua também contava com um público leal, particularmente entre famílias que valorizavam aquele formato de carroceria. Contudo, o Escort Sedan falhou em replicar o sucesso esperado pela Ford, mesmo possuindo boas qualidades técnicas e um nível de acabamento satisfatório.
O principal obstáculo era a transformação do mercado. O sedã da Ford enfrentou concorrentes extremamente fortes no segmento que visava ocupar. Dentre esses rivais, destacavam-se o Volkswagen Polo Classic, que vinha da Argentina com boa reputação, e as versões de entrada do Chevrolet Vectra, um veículo maior e muito apreciado pelo consumidor brasileiro. Frequentemente, clientes dispostos a investir um pouco mais optavam pelo sedã da GM.
Reconhecendo a dificuldade de posicionamento do modelo, a Ford introduziu, no final de 1999, já na linha 2000, uma variante equipada com o motor Rocam 1.6 8V de 95 cv. A meta dessa mudança era diminuir o preço inicial e aumentar a competitividade do Escort Sedan. O modelo continuava oferecendo um diferencial importante, o vasto porta-malas de 459 litros, além de um espaço interno adequado para a família. Apesar disso, as vendas nunca apresentaram o crescimento projetado.
Na prática, a introdução da versão 1.6 ajudou a pavimentar o caminho para o lançamento do Focus no Brasil. Na Europa, o novo modelo já havia substituído o Escort, e a mesma estratégia seria adotada no país. Além de competir com seus adversários estabelecidos, o Escort Sedan passou a disputar espaço dentro da própria concessionária com um projeto mais contemporâneo e atual, que rapidamente ganhou a preferência dos consumidores.
A Ford também tentou direcionar as versões 1.6 para frotistas e taxistas, enfatizando os benefícios como baixo custo de manutenção, economia de combustível e bom espaço interno. Não obstante, o modelo seguiu registrando resultados modestos e jamais atingiu o volume de vendas previsto pela fabricante. Em 2003, ele foi descontinuado definitivamente, encerrando uma trajetória repleta de expectativas não concretizadas.
Ao longo dos anos, o Escort Sedan também acumulou reclamações frequentes. Os proprietários reportavam um desgaste precoce dos componentes da suspensão dianteira, que frequentemente emitia ruídos nas vias brasileiras. Problemas elétricos também eram relativamente comuns nos carros mais utilizados, sobretudo aqueles com desgaste no chicote e nos conectores elétricos. Nas versões equipadas com o motor Zetec, muitos donos mencionavam falhas no sistema de arrefecimento, que, se ignoradas, poderiam levar ao superaquecimento e danos na junta do cabeçote.
Considerando a forte concorrência, a chegada do Focus e os problemas que mancharam sua imagem no mercado de seminovos, o Escort Sedan concluiu sua vida útil sem deixar um legado marcante. Embora fosse um carro tecnicamente capaz e moderno para sua época, ele nunca conseguiu persuadir o comprador brasileiro de que representava a melhor alternativa entre os sedãs médios disponíveis no mercado.


