Pirineus de Girona: uma direção que une história e paisagens montanhosas pitorescas
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Pirineus de Girona: uma direção que une história e paisagens montanhosas pitorescas

Qualquer pessoa que visite a Catalunha, na Espanha, não pode ignorar Girona — uma cidade medieval rica em história, localizada a apenas 100 quilômetros da conhecida Barcelona (acessível de trem em cerca de 40 minutos). Girona serve como um excelente ponto de partida para conhecer os arredores dos Pireneus Espanhóis.

Os Pireneus, localizados entre as regiões de Navarra, Aragão e a própria Catalunha, formam a fronteira entre a Espanha e o resto da Europa, fazendo divisa com a França e o pequeno principado de Andorra. Estas montanhas, cuja altitude pode ultrapassar 3 mil metros, escondem belas paisagens, bem como flora e fauna ricas, e ao redor da cordilheira há muitas aldeias com vistas deslumbrantes da cadeia montanhosa.

Os Pireneus podem ser explorados em qualquer estação do ano, mas no verão, a rota para os pés das montanhas adquire um charme especial: de junho a setembro, fica mais quente e a vegetação floresce. Esta é a estação mais popular entre os turistas, portanto, recomenda-se planejar a viagem com antecedência e estar preparado para preços mais altos em comparação com a baixa temporada.

Se você deseja conhecer os Pireneus Espanhóis, pode traçar um roteiro que abranja três regiões onde eles se encontram: Navarra, Aragão e Catalunha. Na Catalunha, além de Girona, a cidade de Lleida também é uma boa base para estudar os Pireneus e suas aldeias. De Lleida, é possível visitar as aldeias de Boí, Taüll e Bellver de Cerdanya, repletas de igrejas e pinturas românticas.

A cidade, situada entre os rios Ter e Fluvià, formou-se em torno do mosteiro beneditino de Santa Maria de Ripoll, que é sua principal atração. O mosteiro foi fundado no século IX e é considerado um dos centros monásticos mais importantes da Catalunha. Ao redor da fundação do mosteiro existe uma lenda sobre Wilfredo, o Barbudo.

Wilfredo era conde de Barcelona e recebeu esse apelido devido à sua juba farta, que o distinguia de outros nobres. Ele também desempenhou um papel na unificação da Catalunha e na fundação da dinastia histórica da região. Foi o último conde de Barcelona a receber o título dos reis franceses.

O mito associado a este nobre também explica a origem lendária da bandeira catalã: após a batalha ao lado dos francos contra os normandos, o Barbudo supostamente feriu-se. O Rei Carlos, Calvo (isto não é brincadeira), depois passou os dedos manchados de sangue pelo escudo dourado de Wilfredo, criando quatro faixas vermelhas que hoje estão representadas na bandeira da Catalunha.

Esta fábula não tem confirmação histórica, mas faz parte da mitologia local, pois acredita-se que o mosteiro foi construído por Wilfredo para seu próprio sepultamento, e realmente há restos mortais atribuídos a ele lá.

Perto do mosteiro de Santa Maria de Ripoll, encontra-se a igreja de Sant Pere. Inicialmente, o templo foi fundado no século IX. Sua arquitetura inclui elementos pré-românicos do século XII, pois sofreu reconstruções ao longo dos séculos.

Este mosteiro também está na província de Girona e está ligado a Wilfredo. Sant Joan de les Abadesses é o único mosteiro feminino da Catalunha, que foi outrora administrado pela filha de Wilfredo, Emma.

As aldeias ao redor de Girona são ricas em história e lendas medievais. Este mosteiro também tem sua fábula: o Conde Arnau, uma figura tirânica do folclore catalão, supostamente apaixonou-se pela abadessa local. A lenda diz que ele também fez um pacto com o diabo para construir Pont Vell (que também é uma atração de Girona) em uma noite.

Devido aos seus pecados e crueldade para com os vassalos, Arnau foi condenado a vagar pelos Pireneus à noite, montado em um cavalo piromaníaco e acompanhado por cães infernais.

Santuário de Montgrí

O Santuário de Montgrí oferece vista para os Pireneus a uma altitude de 1408 metros acima do nível do mar. A névoa pode ocultar a vista panorâmica, embora o clima na região mude frequentemente. O santuário possui uma escadaria de 144 degraus, que, claro, também está cercada por um mito.

Entre os atos de tirania do Conde Arnau, ele supostamente ordenou a construção de uma escadaria de pedra e nunca pagou aos trabalhadores responsáveis pela construção — o que também levou à sua condenação a vagar pelas montanhas sem descanso.

Campodorny

Conhecido como a 'pequena Suíça catalã', Campodorny fervilhava no verão, pois era um destino favorito da burguesia da região. A popularidade da aldeia está parcialmente ligada a Bartomeu Robert e Jarzabal, Dr. Robert, um médico respeitado de Barcelona do final do século XIX.

O médico aconselhava os pacientes a visitar este local, pois acreditava que o ar de montanha era benéfico para a saúde. Lá, é possível ver o busto do Dr. Robert no passeio de Maristany, onde também estão expostas obras dos arquitetos Enric Sany e Josep Coderch.

Localizada na área Pré-Pirineica a quase 600 metros de altitude, esta aldeia montanhosa possui construções de pedra, pontes e casas com varandas de madeira típicas do período medieval. Entre as principais atrações, os visitantes encontrarão a igreja de Sant Cristòfol, construída em estilo românico, com campanário e escultura de Cristo em majestade de dois metros.

A gastronomia também é uma característica da aldeia; entre os pratos locais estão a salsicha butifarra, pão com tomate ou queijo de ovelha, bem como pratos de batata, vitela e borrego, característicos da culinária de montanha.

Além de visitar as aldeias da província de Girona, vale a pena explorar a própria cidade. Girona também possui construções medievais típicas, como o Pont Vell (Ponte Velha) e a Catedral de Girona, que serviu de cenário para a série 'Game of Thrones'.

Os Jardins d'Artigas são um dos ápices da arquitetura de Girona. Este parque ao ar livre foi projetado por Gaudí, unindo recursos naturais com estruturas especiais concebidas pelo arquiteto.

O bairro judeu da cidade é um dos mais bem preservados da Europa e também merece visita. O centro Bonastruc sa Porta é a última sinagoga medieval na Espanha, utilizada até 1492, quando os judeus foram expulsos do país.

Para aqueles interessados em arte e história, também vale a pena visitar os museus da cidade, como o Museu de Arte de Girona, o Museu de Cinema de Girona e o Museu Dalí, localizado em Figueres. Um dos restaurantes mais famosos e premiados do mundo também está em Girona — El Celler de Can Roca.

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O Rio Magdalena percorre toda a Colômbia, ecoando a trajetória literária de Gabriel García Márquez. No universo de Gabo, o Caribe colombiano é um cenário onde o cotidiano se funde com o extraordinário, a mitologia convive com a história e a presença dos mortos é constante. Através de romances que abrangem décadas e cidades que desaparecem, Gabo capturou as paisagens e as lembranças do rio que vivenciou em antigos navios a vapor durante seus anos de estudante.

Nascendo no Maciço Colombiano, nos Andes, o Magdalena se estende por mais de 1.500 quilômetros até desaguar no Caribe. Por séculos, ele funcionou como uma das principais artérias de circulação da Colômbia, conectando o interior à costa. Produtos como café, tabaco, metais, correspondências, soldados e passageiros transitavam por suas águas antes que as estradas, desenvolvidas no século XX, reestruturassem o fluxo de tráfego nacional. Com o crescimento do transporte terrestre, os portos perderam relevância e diversas localidades ficaram isoladas.

Em 2025, o Magdalena retomou o recebimento de passageiros em cruzeiros fluviais. O relato descreve o embarque no AmaMelodia, operado pela AmaWaterways, para uma viagem de sete noites entre Barranquilla e Cartagena, proporcionando uma imersão em um trecho da Colômbia que remete às obras de Gabo.

Diferentemente dos grandes navios marítimos, que oferecem vasta programação e múltiplos restaurantes, a proposta no Magdalena é promover a desaceleração, observando a vida local enquanto o AmaMelodia navega em sintonia com as cores da paisagem. Embora o conforto seja mantido a bordo, o rio permanece presente, entrando pelas janelas da cabine, acompanhando as refeições e sendo visível no convés, criando uma experiência íntima.

As águas tranquilas servem como portal para cenários coloniais que parecem parados no tempo. Embora Macondo fosse ficção, o autor pôde testemunhar elementos do realismo mágico em diversos momentos. A viagem teve início em Barranquilla, a maior cidade da região, local onde Gabo estudou e se casou, e também onde Shakira nasceu. O encontro com o AmaMelodia ocorreu na foz do rio, denominada “Bocas de Ceniza”, onde a água escura de sedimentos se mescla ao tom azul do mar.

O navio possui três níveis, 32 cabines e acomoda até 64 passageiros por viagem. Internamente, o AmaMelodia reflete um estilo colombiano, apesar de seu casco ter origem no Vietnã, exibindo tecidos vibrantes e decorações de artistas locais. A disposição interna é funcional, com fácil acesso a áreas como lounge, bar, restaurante, academia e salas de massagem. Um destaque foi o convés superior, equipado com espreguiçadeiras, guarda-sóis e uma pequena piscina, ideal para refrescar-se do calor intenso.

A cabine do viajante, com aproximadamente 22 metros quadrados, superou as expectativas de espaço em um barco fluvial. Contudo, o maior prazer residia no exterior; grandes portas de vidro davam acesso a uma varanda, permitindo que o Magdalena parecesse invadir o espaço privado. Do leito, era possível acompanhar o rio, e cada manhã era dedicada a observar a paisagem única, que jamais se repetia.

O AmaMelodia foi projetado especificamente para a navegação no Magdalena. Na primeira noite, o viajante descobriu que o maior luxo a bordo era simplesmente poder observar. No topo de uma colina, destacava-se a Igreja de Santo Domingo de Guzmán, em tons de azul e branco, com a cidade se espalhando abaixo em cores variadas. A arte do grafite adornava fachadas, murais, escadarias e telhados. Foi assim que Usiacurí recebeu o AmaMelodia em sua primeira parada.

Durante o passeio pelas ruas de Usiacurí, houve um encontro com crianças de uma escola que dançavam ao lado do navio. Enquanto algumas seguiam a coreografia com grande foco, outras demonstravam distração, correndo para se reintegrar ao grupo ao perceberem que haviam perdido os passos. A identidade cultural e econômica de Usiacurí baseia-se na tecelagem artesanal da palma de iraca. Antes de se tornar um acessório, bolsa, chapéu, luminária, descanso de prato, fruteira ou cesto, a fibra vegetal passa por processos de tratamento, tingimento, lavagem e secagem. O tempo dedicado junto às artesãs revelou a habilidade com que tecem, e os tingimentos, realizados manualmente, encantaram pelo vigor das cores obtidas. O viajante participou do processo, trançando um pequeno anel que preserva como lembrança.

A cidade abriga a residência do poeta Julio Flórez, falecido em 1923. Considerado um dos maiores expoentes do romantismo na Colômbia, seus poemas possuíam uma melodia tal que muitos foram adaptados em canções populares. Esta casa foi transformada em museu, preservando livros, mobiliário e pertences pessoais.

Ao retornar ao AmaMelodia, o entendimento sobre o clima tornou-se evidente, pois o calor influenciava significativamente o ritmo da viagem. Algumas excursões iniciavam antes das sete da manhã, e os roteiros evitavam longas caminhadas. Em diferentes momentos, o barco era substituído por tuk-tuks coloridos, conhecidos como paolas, ou por embarcações menores.

Nas manhãs livres, o ritual matinal consistia em uma sessão de alongamento no convés enquanto a temperatura ainda era amena. Este momento de despertar corporal era complementado pela visão de água, vegetação, diversas aves e pequenas canoas. Essa atividade tornou-se um pequeno costume pessoal.

Foi durante a navegação que se compreendeu que o Magdalena transcendia a função de mero trajeto entre pontos turísticos; ele era a própria jornada. O ditado filosófico «o que importa não é o destino, mas a jornada» ganhou pleno significado. Em uma tarde no convés, uma nuvem de poeira marrom surgiu, seguida por um rebanho de gado que seguia em fila pela margem. Eram dezenas de animais, acompanhados por vaqueiros de chapéus amplos, que estalavam chicotes no ar.

Mais adiante, um grupo de quatro ou cinco árvores exibia grandes flores brancas. Ao se aproximar o barco, o que parecia ser flora começou a se mover e a alçar voo: eram garças, mas na memória do viajante, isso evocava o realismo mágico. As aves se aglomeravam nos galhos, quase ocultando as árvores.

Nos trechos mais estreitos dos canais, a proximidade com a terra era tanta que era possível sentir a vibração dos povoados. Podia-se ouvir música vinda das residências, observar crianças soltando pipa e cães correndo em direção à água, latindo para o barco. Sob as árvores, famílias buscavam abrigo do sol, e o viajante presenciou uma mulher preparando o almoço em casa.

Em certas ocasiões, o AmaMelodia era deixado para seguir em embarcações menores. Ao entrar nos canais, o ruído da lancha diminuía, intensificando a sensação de proximidade. Foi em uma dessas saídas que foram encontrados pescadores, protegidos por grandes chapéus de palha, operando quatro canoas de cores distintas. Alguns fumavam, e as mãos robustas manejavam a rede com perícia, ajustando os pesos e lançando a sorte sobre o rio. A rede se abria em um círculo quase perfeito antes de cair na água, retornando minutos depois com peixes. Os pescadores notavam a curiosidade dos passageiros, e alguns sorriam timidamente enquanto o ciclo das redes recomeçava.

Mais adiante, no horizonte, pontos pretos e brilhantes surgiram na água: um bando de búfalos atravessava o rio em fila, ostentando chifres enormes e parte do corpo submersa. O sol refletia no pelo úmido, criando brilhos prateados. Os gigantes passaram perto da embarcação e prosseguiram ruidosamente até a margem oposta.

Os guias identificavam aves que o viajante demorava a localizar, incluindo o frango-d'água-azul, garças, trinta-réis e outras espécies aquáticas e rapaces, como o gavião-belo. Entre os galhos, foram vistas famílias de bugios vermelhos movendo-se com notável agilidade. Apesar da exuberante paisagem, o Magdalena enfrenta desafios como sedimentação, desmatamento, ocupação irregular das margens e poluição hídrica, questões inerentes à realidade do rio e de seus habitantes ribeirinhos.

Ao final desse percurso, novas cores surgiram: nas fachadas das casas, nas igrejas e, posteriormente, nas saias das mulheres que dançavam em Mompox, a próxima parada. Durante o período colonial na Colômbia, Mompox era um centro vital para conectar a costa aos Andes. Fundada no século XVI em uma ilha fluvial, a cidade prosperou devido à sua localização estratégica entre Cartagena e o interior da então Nova Granada. Suas margens eram movimentadas por grandes embarcações, e as ruas fervilhavam com o comércio de tabaco, metais preciosos e o contrabando de escravizados. Com a mudança das rotas fluviais, a cidade perdeu parte de sua função comercial original, mas manteve igrejas, casarões e oficinas de ourivesaria, sendo seu isolamento relativo um fator de preservação urbana. Em 1995, Mompox foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco.

O AmaMelodia permaneceu ancorado em Mompox por dois dias, permitindo explorar a cidade em diferentes momentos do dia. Às 12h, a sensação térmica ultrapassava os 45°C, levando ao esvaziamento das ruas e à necessidade de calcular qualquer deslocamento com base na proximidade de áreas sombreadas, visto que os ventiladores pareciam operar além de sua capacidade. No final da tarde, a cidade ganhava vida novamente, com portas se abrindo, cadeiras sendo dispostas em frente às casas e leques coloridos balançando intensamente.

A Albarrada, a via do calçadão marginal com muro de pedra, passa por importantes igrejas católicas de Mompox, como Santa Bárbara, San Francisco e Imaculada Concepción. Os participantes participaram de uma oficina de filigrana, técnica de ourivesaria artesanal, onde o metal era esticado até formar fios finíssimos, seguidos por torção, achatamento, curvatura e soldagem. Observar uma peça finalizada expõe a quantidade de horas de trabalho dedicadas. A tradição local da ourivesaria possui raízes profundas; antes da chegada espanhola, povos indígenas da região, como os zenú, já dominavam métodos avançados de trabalho com metais, como a fundição por cera perdida, um processo metalúrgico ancestral que gera peças detalhadas a partir de um molde de cera.

O calor persistia mesmo durante a noite. Durante a Mompox Midnight, as ruas eram preenchidas por famílias, com crianças correndo entre adultos e barracas de comida, aproveitando sorvetes e participando de jogos como tiro ao alvo. Subitamente, os tambores começaram a tocar. Mulheres surgiam vestidas com saias volumosas e velas nas mãos, enquanto os homens se aproximavam, fazendo reverências, curvando-se e recuando. Elas giravam, expondo suas saias ao ar, enquanto o suor escorria. O viajante acabou participando da dança.

Os sabores colombianos eram apresentados de diversas formas nas refeições do AmaMelodia, incluindo pratos com camarão, coco, banana-da-terra, ceviche, peixes e frutas tropicais, além de opções internacionais. Detalhes inesperados marcaram a experiência, como os sorvetes servidos a bordo, que o viajante repetia constantemente. Um garçom ensinou uma combinação incomum: sorvete de chocolate com sal e pimenta-do-reino moída na hora, um sabor que foi mantido após a viagem.

Ao entardecer, o bar se tornava ponto de encontro para o Sip & Sail, o happy hour do navio. Os passageiros se reuniam para socializar, beber, jogar cartas ou jogos de tabuleiro. Neste momento, a equipe também divulgava a programação do dia seguinte, detalhando horários, passeios e informações práticas das excursões.

É possível conhecer a arte da caça com falcões no Alentejo (Portugal)
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É possível conhecer a arte da caça com falcões no Alentejo (Portugal)

A caça com falcões, uma prática ancestral que envolve o treinamento e voo de aves de rapina, permanece popular na região do Alentejo. Inicialmente utilizada para caça e coleta de alimentos, esta atividade atravessou séculos e hoje é parte da cultura local, envolvendo espécies como falcões, águias e abutres.

Em Portugal, esta tradição está incluída no Registro Nacional do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO desde 2016. Os conhecimentos relacionados a esta prática são transmitidos de geração em geração através de treinamento e preparação, e nos últimos anos tem havido um foco especial no bem-estar das aves, na conservação do habitat e no respeito pela natureza.

A atividade possui dois formatos tradicionais. No voo em altitude, os falcões são soltos para ganhar altura e perseguir a presa no ar. No voo baixo, aves como abutres e águias partem da palma da mão do falcoeiro e seguem trajetórias próximas ao solo, acompanhando o relevo e a vegetação.

Aqueles que desejam ver a caça com falcões de perto podem visitar o Vila Galé Collection Alter Real, um hotel de quatro estrelas em Alter do Chão. Este complexo está localizado perto da Coudelaria de Alter, fundada pelo Rei D. João V em 1748 e considerada a mais antiga do mundo a operar continuamente no mesmo local, dedicada à criação de cavalos puros do tipo lusitano.

A visita inclui demonstrações de voo de falcões e a oportunidade de experimentar 'voar com a ave na luva', durante a qual o visitante interage com as aves de rapina, guiando-as para a sua luva. O hotel também dispõe de um Museu de Caça com Falcões, onde são apresentados conhecimentos sobre a prática e o tratamento dos animais.

Além da apresentação com aves, a coudelaria oferece passeios, aulas de equitação, galope e arreio — três áreas do mundo equestre. O hotel está situado no território da Herdade da Tapada do Arneiro, uma vasta área de cerca de 800 hectares, onde também são oferecidas atividades ao ar livre, como caminhadas, trekking e passeios a cavalo.

A infraestrutura do hotel inclui 77 apartamentos, duas piscinas ao ar livre para adultos e uma infantil, um spa com piscina interior aquecida, restaurante de cozinha regional, bar, biblioteca, salas de conferências e salão de banquetes. Há também uma sala de vinhos para degustação e um antigo lagar de azeite restaurado com forno a lenha.

O custo da estadia começa a partir de 150 euros por casal. Mais informações podem ser encontradas no site do Vila Galé Collection Alter Real.

Outra opção para observar falcões em ação é o Badoca Safari Park, localizado em Vila Nova de Santo André. O parque ocupa uma área de 90 hectares e abriga cerca de 600 animais de mais de 80 espécies, incluindo zebras, girafas e até cangurus.

Uma das atividades do complexo é a apresentação de aves de rapina com a participação de águias, abutres e necrófagos. Durante 30 minutos, um treinador demonstra o voo dos animais e fala sobre as características de cada um relacionadas ao seu habitat. A demonstração também revela a anatomia dos animais e seus hábitos alimentares, distinguindo predadores que caçam presas e necrófagos que as consomem. Os visitantes também assistem a simulações de cenas de caça inspiradas no comportamento das aves na natureza.

As sessões de caça com falcões ocorrem duas vezes ao dia; o horário é indicado no balcão ao chegar ao parque. O custo dos bilhetes começa a partir de 24 euros. Detalhes estão disponíveis no site oficial do Badoca Safari Club.

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