Ilza Amado Vaz, Ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades de São Tomé, apresentou um discurso na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova Iorque, Estados Unidos. Durante a sua intervenção, ela abordou os efeitos das alterações climáticas nos pequenos estados insulares, classificando esta situação como uma «profunda injustiça climática».
A ministra solicitou que o Índice de Vulnerabilidade Multidimensional seja convertido em critérios práticos para o acesso a financiamento concessional. Além disso, defendeu a plena implementação do Fundo de Perdas e Danos e um acesso mais simples e eficaz ao Fundo Verde para o Clima, argumentando que as limitações institucionais dos países vulneráveis não devem ser um impedimento aos instrumentos de apoio existentes.
Ilza Amado Vaz enfatizou que a experiência de São Tomé como pequena democracia molda a sua visão sobre a representação internacional. Ela salientou que a África possui atualmente um peso demográfico, económico e político que não encontra reflexo adequado nas instituições decisórias globais.
Neste sentido, a chefe da diplomacia são-tomense defendeu a necessidade de reformar o Conselho de Segurança, afirmando que tal mudança não é um favor à África, mas sim uma questão de legitimidade, justiça e eficácia, pois uma entidade responsável pela paz mundial não pode manter uma estrutura de poder datada.
Em prol de uma «maior justiça histórica e representação», a ministra saudou as recentes decisões que reconheceram a gravidade histórica do tráfico transatlântico de africanos escravizados e que promoveram uma representação cartográfica mais precisa dos continentes, corrigindo distorções visuais relativas à África.
Ela acrescentou que estes reconhecimentos devem levar a uma ordem internacional onde a África participe ativamente na definição do futuro, em vez de apenas reagir a decisões tomadas noutros fóruns.
No âmbito do discurso na Assembleia Geral da ONU, a representante de São Tomé também comentou o panorama geopolítico mundial. O país expressou preocupação com os conflitos em várias regiões, incluindo Ucrânia, Sudão, Sahel, Grandes Lagos, Corno de África e Médio Oriente, pedindo o reforço da diplomacia e a proteção dos civis, em linha com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional.
A governante reafirmou o apoio a uma solução de dois Estados para permitir a coexistência pacífica e segura entre Israel e Palestina, fundamentada no direito internacional e nas resoluções da ONU. Adicionalmente, manifestou preocupação com as restrições económicas, comerciais e financeiras que afetam Cuba, apelando ao seu levantamento em benefício do desenvolvimento cubano e declarando solidariedade.
Para finalizar, Ilza Amado Vaz mencionou as eleições legislativas, locais e regionais que ocorreram naquele domingo em São Tomé e Príncipe, destacando inovações como o recenseamento eleitoral automático e a primeira aplicação da Lei da Paridade, o que representa um avanço significativo na promoção da inclusão e participação feminina.
