Foco nos habitantes de São Tomé e Príncipe que permanecem diante da emigração dos mais talentosos
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Foco nos habitantes de São Tomé e Príncipe que permanecem diante da emigração dos mais talentosos

Uma freira portuguesa estabeleceu-se em São Tomé e Príncipe no final do século passado. Naquela época, muitas crianças viviam isoladas perto da costa ou na mata, sem acesso à escola, pois era comum que meninas fossem excluídas dos estudos por considerarem que não necessitavam de aprendizado, e muitos jovens recebiam apenas uma refeição ao fim do dia.

Atualmente, ainda existem crianças que dependem de apenas uma refeição, fornecida pelo Projeto de Desenvolvimento Integrado de Lembá. Este projeto é liderado pela missionária, originária de Leiria, e presta assistência direta a mais de três mil membros da comunidade.

A missionária detalha o cuidado oferecido, afirmando que alguns recebem apenas a refeição do almoço antes de irem para casa, enquanto bebês recebem até seis refeições, saindo do local já com banho tomado e quase com o jantar consumido, além de estarem com a fralda trocada.

Ela também lamenta a persistência do abandono dos idosos, mencionando que estes são frequentemente deixados sozinhos sob a crença de que sua vida já foi plenamente vivida.

No entanto, surgem sinais positivos. A missionária observa que as mães começaram a buscar maneiras de alimentar os filhos, mesmo em áreas rurais, e passaram a se preocupar com os lanches infantis. Além disso, os pais residentes nas zonas costeiras estão sendo proativos ao matricular seus filhos nas diversas escolas que atendem crianças de seis meses a treze anos.

Os alunos da irmã Lúcia evoluíram e se tornaram professores, revitalizando e fortalecendo o projeto. Este espaço oferece refeitórios, uma sala de costura, um consultório médico e odontológico, serviços que também beneficiam a comunidade. Adicionalmente, o local abriga um polo universitário e oferece formação profissional, que tem crescido em demanda.

A procura por cursos de carpintaria e marcenaria aumentou, impulsionada pelo desejo dos jovens de migrar para Portugal. Empresários estão exigindo certificados e diplomas para permitir essa emigração, o que agrava o registro recorde de saída de jovens do país nos últimos cinco anos.

O êxodo é considerado um problema sério, mas a missionária afirma que não há alternativa. Ela aponta para a situação de um país onde 75% da população é jovem e onde professores ganham apenas cem euros mensais, gastando duzentos em alimentação. Ela expressa tristeza com o dilema são-tomense, notando que os melhores alunos de sua escola são aqueles que acabaram emigrando, apesar das grandes esperanças depositadas neles para desenvolver o projeto local.

Mantendo o pragmatismo, ela defende que o país deve focar na juventude que permanece, em vez de apenas observar a emigração, ressaltando que tudo começa na educação. É crucial formar bem os jovens que estão no país para que não percam o ânimo e se sintam valorizados.

A missionária, que possui 65 anos e é natural da freguesia da Caranguejeira, recebeu a condecoração de Grande-Oficial da Ordem do Mérito pelo Estado português em 2015. Ela manifesta disposição para ir a qualquer lugar onde haja necessidade, desde que seja útil. Ela deposita sua confiança no trabalho realizado pelos leigos no projeto e na providência divina.

Em dezembro de 2024, a ONU removeu oficialmente São Tomé e Príncipe da lista de Países Menos Desenvolvidos, reconhecendo avanços consistentes. Contudo, cerca de 13% da população ainda vive abaixo da linha de pobreza extrema, e mais de dois terços enfrentam vulnerabilidades socioeconômicas.

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