Governo brasileiro identifica riscos de plataformas de IA para menores de idade
Leia mais
Tecnoblog
tecnoblog.net

Governo brasileiro identifica riscos de plataformas de IA para menores de idade

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) detectou potenciais perigos para crianças e adolescentes em 13 aplicativos de «companheiros de IA» acessíveis no Brasil. A investigação apontou falhas relacionadas à checagem de idade, uso excessivo, exposição a conteúdo sexualizado e a coleta de dados pessoais.

Este levantamento foi realizado pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), que compilou estudos, informações públicas e testes sobre esses tipos de serviços. O material resultante foi enviado para análise da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

Esses serviços são projetados para sustentar conversas contínuas e individualizadas, sendo capazes de simular laços afetivos e oferecer suporte emocional, além de armazenar dados fornecidos pelo usuário. A lista analisada inclui plataformas como Character.AI e Replika.

De acordo com a Sedigi, este setor experimentou um crescimento acelerado: um relatório do Unicef indica que o número de plataformas saltou de 16 em 2022 para 128 em julho de 2025. Somente no primeiro semestre de 2025, esses serviços registraram 60 milhões de instalações.

O documento destaca riscos como o desenvolvimento de um apego muito forte, a substituição de relacionamentos humanos, o uso compulsivo e a exposição a interações inadequadas ou sexualizadas. Também foram mencionadas a coleta de informações privadas e a construção de perfis emocionais e comportamentais.

O estudo revelou que dez dos sistemas avaliados aceitam a autodeclaração de data de nascimento ou uma confirmação simples de maioridade. Testes conduzidos pela Sedigi demonstraram que esse método pode ser burlado, possibilitando que usuários adolescentes criem perfis de adultos.

A relevância do tema aumentou com a vigência do ECA Digital desde março. Esta legislação estabelece que as plataformas devem possuir métodos eficientes de verificação de idade quando oferecem conteúdo impróprio para menores, proibindo, em certas circunstâncias, que a autodeclaração seja o único controle. Além disso, o decreto regulamentador equipara interações automatizadas de natureza sexualmente explícita a material pornográfico.

A Sedigi também identificou possíveis problemas ligados ao uso de perfis emocionais para promover ofertas, publicidade ou recursos pagos. Por isso, a nota sugere que a ANPD examine esses riscos, enquanto a Senacon deve investigar questões de defesa do consumidor e eventuais práticas comerciais exploratórias ou enganosas.

A apreensão com os laços afetivos formados com IAs não é exclusiva do Brasil. Em julho, a China implementou normas contra IAs de namoro que fomentam a dependência emocional, forçando empresas a desativarem funcionalidades de intimidade. Na União Europeia, uma proposta em debate prevê restrições de acesso a chatbots de IA e redes sociais para menores de 15 anos, juntamente com mecanismos de supervisão parental e verificação de idade.

É importante notar que, no Brasil, esta análise ainda não implica que as 13 plataformas tenham infringido alguma regra. O Ministério da Justiça enfatiza que os provedores desses serviços terão direito ao devido processo legal e à ampla defesa.

Histórias semelhantes

Estatal italiana Poste Italiane assume controle indireto da TIM, impactando o cenário brasileiro
Leia mais
tecnoblog.net

Estatal italiana Poste Italiane assume controle indireto da TIM, impactando o cenário brasileiro

A estatal italiana de serviços postais, denominada Poste Italiane, assumiu oficialmente o controle da Telecom Italia, proprietária da TIM, tornando-se a nova administradora indireta da operadora de telefonia no Brasil. Esta transação, avaliada em 13 bilhões de euros (equivalente a cerca de R$ 76,8 bilhões), elevou a participação da estatal de 20,1% para 66,62% no capital social do Grupo TIM.

O acordo foi notificado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última sexta-feira, dia 18. O objetivo desta operação é estabelecer um conglomerado europeu robusto em infraestrutura e serviços digitais.

De acordo com informações divulgadas pelo portal Teletime, a alteração na gestão da matriz europeia não deve modificar a estratégia da operadora no Brasil no curto prazo. Alberto Griselli, CEO da TIM Brasil, esclareceu que a empresa agora faz parte de um grupo com grande solidez financeira, o que proporciona maior liberdade para realocar capital e diminuir endividamentos. Por sua vez, a Poste Italiane manifestou que considera a unidade brasileira como um componente essencial para seus negócios.

Atualmente, a operadora ocupa a terceira posição no mercado nacional, detendo 22,9% dos acessos móveis, ficando atrás das empresas Vivo e Claro. Além disso, a TIM está preparando a reformulação do TIM Beta, conforme reportado exclusivamente pelo Tecnoblog. A diretoria da TIM no Brasil assegurou que os acionistas serão mantidos informados sobre quaisquer desenvolvimentos decorrentes dessa aquisição.

A união entre Poste Italiane e Telecom Italia, que já era a terceira maior força no setor de telecomunicações italiano, resulta na formação de um dos maiores grupos corporativos da Europa. A companhia resultante terá receitas anuais de 27 bilhões de euros (aproximadamente R$ 158 bilhões) e empregará mais de 150 mil colaboradores.

Com essa reestruturação, o governo italiano intensifica seu domínio sobre infraestruturas críticas de dados e planeja realizar cortes de despesas e benefícios financeiros no valor de 700 milhões de euros (R$ 4,1 bilhões) anualmente.

Neurocientista refuta hipótese de que inteligência artificial possa levar ao fim da humanidade
Leia mais
olhardigital.com.br

Neurocientista refuta hipótese de que inteligência artificial possa levar ao fim da humanidade

A alegação de que existe mais de 10% de chance de a inteligência artificial (IA) exterminar toda a humanidade foi feita por Evan Hubinger, diretor de alinhamento na Anthropic, em 8 de setembro, e rapidamente ganhou destaque nas redes sociais. No entanto, o doutor Álvaro Machado Dias, neurocientista, futurista e professor da Unifesp, classificou essa ideia como mera narrativa, afirmando que "não há a mínima plausibilidade nesse papo" durante uma entrevista ao Olhar Digital.

A publicação de Hubinger fazia referência a um tweet anterior de Jacob Coxon, que havia trabalhado tanto na OpenAI quanto na Anthropic, focando no pré-treinamento de modelos de IA. Coxon havia apresentado um alerta logo após deixar a Anthropic, sugerindo que ambas as companhias estavam "correndo em direção a uma superinteligência capaz de se aprimorar sozinha e apostando as nossas vidas".

Hubinger reforçou sua crença, declarando: "Nós acreditamos, com toda a seriedade, que a IA poderia matar os humanos! Eu, pessoalmente, acho que a probabilidade é superior a 10% na próxima década". Ele adicionou que, embora acredite que a Anthropic esteja fazendo o melhor possível, ainda não há um plano claro para resolver o problema do alinhamento da superinteligência.

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, expressou ceticismo sobre a metodologia, questionando como Hubinger chegou ao percentual de 10%, solicitando a premissa do cálculo. Igreja complementou que, em uma tabela de riscos, ele tem maior receio de decisões equivocadas tomadas por pessoas até o final da década.

Álvaro Machado Dias reiterou que a ideia de a IA se revoltar, adquirir intencionalidade ou atacar humanos é puramente narrativa. Ele explicou que isso exigiria um tipo de intencionalidade presente em seres humanos e outras espécies, algo que não se observa em máquinas. Além disso, ele apontou a ausência de uma capacidade de execução visível para tal cenário.

O neurocientista ressaltou que a IA necessita de acesso a recursos extremamente sensíveis, como laboratórios para síntese de armas biológicas, áreas que são altamente regulamentadas. Contudo, ele reconheceu que a IA pode causar grandes danos através de interfaces digitais, citando o exemplo de uma IA projetada para criar vírus de computador polimórficos ou sequestrar bases de dados sensíveis de hospitais.

Machado Dias fez uma distinção crucial: é preciso diferenciar o que é viável no domínio do "como" (realidade prática) daquilo que, ao analisar o "como", simplesmente não faz sentido. Paralelamente, Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um artigo em 12 de setembro admitindo que o ritmo acelerado do desenvolvimento de IA, devido ao "autoaperfeiçoamento recursivo", exige uma desaceleração coordenada entre as empresas do setor.

Essa proposta foi endossada por Sam Altman (OpenAI), Elon Musk (xAI) e Demis Hassabis (ex-CEO do Google DeepMind). Hassabis apoiou o ensaio de Amodei, enquanto Musk concordou com a afirmação de Amodei. Altman esclareceu que desacelerar não implica parar, mas sim investir em auditorias e testes de segurança para garantir que a capacidade dos modelos não ultrapasse seu alinhamento.

Em contraste, Donald Trump desconsiderou os avisos de Amodei, Altman e Musk, minimizando os riscos da IA e defendendo a manutenção da liderança dos EUA sobre a China. A China reagiu ao artigo de Amodei através do jornal estatal Global Times, alegando que a iniciativa visava criar um "manual da Guerra Fria" para conter o avanço chinês e proteger a hegemonia tecnológica americana.

Machado Dias destacou que a paralisação do avanço da IA não depende de autorização governamental, bastando simplesmente cessar o desenvolvimento. Ele observou que a hesitação em pausar reside no fato de que nenhuma das grandes empresas (Anthropic, OpenAI, Google, xAI) parece disposta a adotar essa postura unilateralmente. Ele concluiu que, estrategicamente, adotar uma postura cautelosa é vantajoso, pois transfere um risco potencial corporativo para o âmbito governamental e social.

Sobre as posições dos governos dos EUA e da China, o especialista pontuou que, embora os americanos tenham iniciado o desenvolvimento (com o ChatGPT) e invistam mais, a postura chinesa de exigir discussão sobre desaceleração é legítima. No entanto, ele alertou que ambos os países buscam expandir sua tecnologia globalmente, e, no fim das contas, "ninguém quer parada nenhuma".

Foco no Brasil: Destaques mensais em arquitetura, paisagismo e práticas coletivas
Leia mais
archdaily.com.br

Foco no Brasil: Destaques mensais em arquitetura, paisagismo e práticas coletivas

Em todo o território brasileiro, a arquitetura manifesta-se através de diversas práticas, escalas e interações com o ambiente local. A seleção deste mês ressalta ações que transcendem os limites tradicionais da disciplina, focando em abordagens colaborativas que unem projeto e construção, além de projetos sensíveis à paisagem, à memória e à comunidade.

Além dos edifícios e espaços públicos recentemente finalizados, novas intervenções culturais em São Paulo e no Rio de Janeiro demonstram a convergência da arquitetura com a arte, o patrimônio e o contexto urbano.

Práticas brasileiras expandem o escopo da atuação arquitetônica

Duas iniciativas brasileiras foram incluídas entre as 20 selecionadas no prêmio ArchDaily Next Practices Awards de 2026, que visa reconhecer métodos que ampliam o papel da arquitetura por meio de variadas formas de atuação.

A AGENCIA TPBA, sediada no Rio de Janeiro, trabalha com propostas urbanas, edifícios, concursos e instalações temporárias, explorando as relações entre cidade, construção e espaço em diferentes formatos e escalas. Já Talles Lopes, atuando em arquitetura, artes e pesquisa em Anápolis, Goiás, utiliza levantamentos visuais e arquivísticos para analisar as paisagens periféricas do Brasil e suas maneiras de representação.

Embora empreguem metodologias distintas, ambas as abordagens levam a arquitetura para além de um modelo profissional estrito, utilizando a pesquisa, a especulação, o material de arquivo e a obra construída como ferramentas de engajamento com o cenário construído nacional.

USINA revisita a arquitetura por meio da construção coletiva

Com mais de trinta anos de experiência em habitação de interesse social e autogestão, a USINA — Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado (USINA CTAH) estabeleceu-se como uma referência crucial em construção coletiva no Brasil.

Um editorial sobre o grupo aponta como a crescente especialização e a industrialização acabaram por separar os processos de construção, financiamento, gestão e projeto. Em contraste, os mutirões coletivos, as cooperativas e a construção autogerida promovem a aproximação dessas fases, tratando o canteiro de obras como um local de aprendizado compartilhado e tomada de decisões conjuntas.

O trabalho da USINA ilustra como a participação pode ir além de uma mera consulta, integrando o próprio ato de construir ao núcleo do processo arquitetônico e levantando questões sobre quem detém o poder decisório e o conhecimento na criação do ambiente construído.

Projetos em Destaque

Território-Parque / MACh Arquitetos + Connatural

No Córrego do Feijão, MACh Arquitetos e Connatural conceberam o Território-Parque como uma resposta para reconectar a comunidade à sua história e paisagem após o rompimento da barragem ocorrido em 2019.

O projeto organiza quatro setores interligados: a Área Central, o Campo de Futebol, o Parque Ecológico e a Área Simbólica, utilizando uma estratégia paisagística focada na água. Canais de irrigação, jardins filtrantes e wetlands construídos complementam os espaços públicos, recreativos, culturais e ecológicos.

Elementos existentes, como um muro de pedra seca do cemitério, a vegetação nativa e uma casa de adobe, foram integrados ao desenho. A proposta também inclui um jardim sensorial e um local de velório dedicado à memória das 272 vítimas, além de um mercado comunitário e um Centro de Cultura e Artesanato para apoiar a produção local e atividades culturais.

Em São Paulo, o escritório Andrade Morettin Arquitetos Associados projetou o Infantil do Colégio Santa Cruz, centrado em um pátio que serve como principal área de convívio e lazer. Este pátio funciona também como uma zona de transição entre a escola e a Marginal Pinheiros, sendo a volumetria do prédio uma barreira acústica, mas aberta para o norte.

As salas de aula estão dispostas ao redor do pátio e acessam quintais individuais, promovendo boa ventilação cruzada, iluminação natural e oportunidades de atividades externas. Uma rampa conduz ao andar superior, onde se encontram os ateliês de artes, as salas administrativas e o refeitório, todos com acesso a terraços cobertos. O edifício, com 3.417 metros quadrados, emprega um sistema estrutural modular que mescla madeira engenheirada, concreto, aço e drywall, permitindo adaptações ao desenvolvimento pedagógico.

Na Chapada dos Veadeiros, perto do Parque Nacional, o Mirante de São Jorge foi projetado por Alan Chu no topo de um morro historicamente usado pela comunidade para observar o pôr do sol. O projeto minimiza seu impacto ambiental ao se instalar em uma clareira não utilizada e usar uma estrutura elevada sobre pilotis, protegendo a drenagem natural, a vegetação nativa e a topografia.

Um mirante circular de 57 metros de diâmetro e oito metros de largura é formado, criando um espaço contínuo para observação da paisagem. Uma cobertura curva de madeira oferece abrigo, enquanto árvores pré-existentes atravessam a estrutura, fortalecendo a ligação com o local. O projeto equilibra um ponto de encontro público com uma intervenção de baixo impacto na paisagem do Cerrado.

No Radar

Em São Paulo, o MASP finalizou a nova passagem subterrânea que liga o edifício icônico de 1968, desenhado por Lina Bo Bardi, ao edifício Pietro Maria Bardi, inaugurado recentemente.

Esta galeria, com cerca de 50 metros de extensão, foi aberta ao público em 11 de setembro e abriga Pietrolina, uma nova obra de 98 metros da artista brasileira Beatriz Milhazes. A instalação, criada especificamente para o local, une um segmento de pintura de 60 metros com elementos reflexivos, proporcionando uma vivência imersiva na conexão subterrânea do museu.

Na ArtRio 2026, que ocorrerá no Rio de Janeiro na Axia Marina da Glória de 16 a 20 de setembro, a feira se estenderá além dos pavilhões de exposição com instalações *site-specific* e intervenções ao ar livre.

O Jardim das Esculturas da feira apresenta trabalhos de 18 artistas selecionados pela curadora Christiane Laclau, posicionados em diálogo com o Pão de Açúcar, a Baía de Guanabara e os jardins de Burle Marx no Parque do Flamengo. Entre os destaques, Caminho de Casa, de Heberth Sobral, usa o cobogó como ponto de partida para uma instalação espacial que discute pertencimento, memória e transformação, enquanto o inflável Soft Power, de Gabriel Massan, tem sete metros de altura e ocupa as áreas verdes externas aos pavilhões.

Popular