Embora o termo "gostar" possa ser um exagero, evidências científicas demonstram que os gatos conseguem perceber quando estão sendo abordados verbalmente. Uma investigação realizada na França utilizou gravações de voz de donos e de pessoas desconhecidas, comparando falas dirigidas a humanos e falas direcionadas aos próprios gatos, utilizando frases cotidianas como "Você quer brincar?" e "Você quer um petisco?".
Os cientistas notaram uma resposta específica nos gatos ao ouvirem gravações dos donos falando diretamente com eles. Em contraste, os animais permaneceram apáticos quando os donos conversavam com outras pessoas ou quando as vozes pertenciam a estranhos, independentemente de o conteúdo ser dirigido aos gatos ou não.
Este estudo revelou dois pontos cruciais: primeiramente, os gatos são capazes de distinguir falas destinadas a outros seres humanos daquelas direcionadas a eles. Este tipo de comunicação, denominado pelos pesquisadores como *cat-directed-speech* (CDS), frequentemente emprega tons mais agudos e frases mais curtas e repetitivas, o que facilita a distinção pelo animal.
Adicionalmente, a pesquisa sugere que os gatos estabelecem uma conexão comunicativa com seus tutores. Segundo a especialista em comportamento felino Kristyn Vitale, que não participou do estudo, embora os gatos tenham reputação de serem indiferentes, pesquisas recentes mostram que eles prestam grande atenção aos humanos, podendo aprender que certas vocalizações carregam significados específicos. No entanto, ela ressalta que o estudo realizado foi de pequena escala.
De modo geral, os gatos expressam afeto de diversas maneiras, mesmo sem possuírem a capacidade de fala. Sinais positivos incluem esfregar-se nas pernas dos tutores, erguer a cauda ao vê-los, piscar lentamente em momentos de relaxamento, permitir a proximidade durante o descanso e utilizar o tutor como travesseiro.
Reconhecimento de Nomes
Outra pesquisa, conduzida pela Universidade de Tóquio, avaliou a reação de 78 gatos para determinar se eles conseguiam identificar seus próprios nomes. Os resultados indicaram que, na maior parte das vezes, os animais distinguem a pronúncia de seus nomes de outras palavras, inclusive aquelas com sons semelhantes, independentemente de quem esteja falando – seja o tutor ou um indivíduo desconhecido.
Os pesquisadores concluíram que isso demonstra que "os gatos conseguem distinguir enunciados humanos com base em diferenças fonêmicas". Um estudo similar, realizado por cientistas japoneses, sugeriu que, além de reconhecerem seus nomes, os gatos também parecem identificar os nomes de outros felinos com quem convivem e podem até saber os nomes das pessoas que residem na mesma casa.
Para testar essa hipótese, os cientistas observaram gatos que viviam em lares com múltiplos animais da mesma espécie ou em "cafés de gatos" no Japão, locais onde visitantes interagem com os residentes. Nos testes, os gatos eram expostos a fotografias de um felino conhecido do mesmo ambiente (o "gato-modelo") em uma tela de computador. Enquanto a imagem era exibida, uma gravação da voz do tutor proferia em voz alta o nome do gato-modelo (situação chamada "condição congruente") ou um nome diferente ("condição incongruente").
A equipe observou que os gatos de ambientes domésticos dedicavam mais tempo olhando para a tela durante a condição incongruente, o que pode indicar confusão ou curiosidade diante da inconsistência entre a imagem e o nome falado. Contudo, esse comportamento foi exclusivo dos gatos domésticos, não ocorrendo com os gatos dos cafés de gatos. Os pesquisadores especulam que os gatos domésticos aprendem essas associações entre nomes e rostos observando interações entre outros membros da casa. Já aqueles que vivem em "cat cafés", rodeados por dezenas de outros gatos e pelo fluxo constante de estranhos, provavelmente não têm as mesmas oportunidades de aprendizado social dos nomes de outros felinos.
