Pesquisa inédita aponta peixe de mais de 400 anos em lago na fronteira dos EUA e Canadá
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Pesquisa inédita aponta peixe de mais de 400 anos em lago na fronteira dos EUA e Canadá

Alguns exemplares de peixes da área dos Grandes Lagos nos Estados Unidos podem ter alcançado uma longevidade superior a 400 anos. Um estudo divulgado no Journal of Fish Biology revelou que um macho da espécie esturjão-de-lago (Acipenser fulvescens), encontrado no rio Black, no estado de Michigan, atingiu 435 anos, superando em quase três vezes a idade do espécime mais antigo previamente documentado.

Caso esta descoberta seja confirmada, ela é notável, pois este peixe teria presenciado eventos históricos significativos da humanidade, tais como a Revolução Francesa, a Segunda Guerra Mundial e o colapso das Torres Gêmeas. Contudo, os próprios autores ressaltam a necessidade de investigações adicionais para validar estas conclusões.

Os esturjões-de-lago são peixes de água doce originários da América do Norte e possuem uma existência que remonta à era dos dinossauros, há mais de 200 milhões de anos. Eles são encontrados predominantemente na bacia dos Grandes Lagos, localizada na divisa entre os EUA e o Canadá. Estes peixes podem atingir comprimentos entre 1,2 m e 1,8 m, e seu peso varia de 13,6 kg a 36,3 kg.

Inicialmente, os pesquisadores estimavam que a expectativa de vida média desses esturjões seria de 50 a 100 anos. Entretanto, o novo estudo contradiz essa noção, indicando que a idade mediana dos machos pode variar entre 87 e 215 anos, enquanto as fêmeas estariam na faixa de 90 a 248 anos. Exemplos específicos incluem o macho de 435 anos e uma fêmea de 292 anos mencionados na pesquisa.

Edward Baker, um dos responsáveis pela pesquisa, especula que peixes ainda mais antigos podem surgir no futuro. Ele afirmou à Smithsonian Magazine que as estimativas de idade dos maiores peixes capturados em cada população não refletem necessariamente a idade máxima que esses animais poderiam alcançar. Baker acrescenta que tanto machos quanto fêmeas maiores e mais velhos podem existir, e ambos os sexos podem atingir idades máximas comparáveis.

Este achado estabelece o esturjão-de-lago como o peixe de água doce com a maior expectativa de vida, embora outras espécies de esturjão também possam possuir vidas igualmente longas. No entanto, o título de vertebrado mais longevo do planeta permanece com os tubarões-da-groenlândia (Somniosus microcephalus), que podem viver até 500 anos em circunstâncias extremas.

Determinar a idade exata de peixes selvagens é um processo complexo. O método mais comum envolve a contagem de cada anel escuro nas escamas do peixe, representando um ano de vida. No caso dos esturjões-de-lago, por não possuírem escamas, os biólogos realizam a contagem dos espinhos localizados em suas nadadeiras peitorais.

A contagem desses anéis permite estimar a idade de peixes que crescem rapidamente e são relativamente jovens. Com os esturjões, ocorre o oposto: eles evoluem lentamente e vivem por longos períodos. Isso faz com que seus anéis se formem muito próximos uns dos outros, tornando-os indistinguíveis, ou até mesmo deixando de se formar completamente.

Diante disso, os autores optaram por uma metodologia alternativa. Eles analisaram dados de milhares de esturjões-de-lago coletados no período de 1980 a 2024, monitorando a espécie em cinco corpos d'água na região dos Grandes Lagos: Black Lake, Sturgeon River, Menominee River, St. Clair River e Lake Winnebago.

Ao longo desses 44 anos, os esturjões foram capturados, identificados, medidos e marcados logo abaixo da pele, para posterior devolução à água. Se os pesquisadores capturavam um peixe que já havia sido marcado, eles o mediam e o liberavam novamente, construindo assim um histórico de mudanças em seu porte ao longo do tempo.

Utilizando esses registros, conhecidos como dados de captura, marcação e recaptura, os autores calcularam as taxas médias de crescimento anual das populações de esturjão-de-lago em cada curso d'água. Para isso, mediram a diferença entre o comprimento do esturjão na captura mais recente e na captura inicial, dividindo esse valor pelo número de anos entre os dois momentos.

A partir do cálculo dessa taxa de crescimento anual dos peixes, tornou-se possível estimar sua idade total. Uma das hipóteses levantadas para explicar a alta expectativa de vida da espécie reside no estado denominado torpor. Neste estado, há uma diminuição acentuada da atividade metabólica e fisiológica utilizada pelos animais para sobreviver a condições ambientais desfavoráveis, como frio extremo ou escassez de alimento. Os autores sugerem que este mecanismo contribui para a longevidade do esturjão.

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