Além de apresentarem uma pele seca e escamosa, os répteis possuem a característica notável de produzir ruídos. Sons como urros, gritos, mugidos, guinchos e estalos fazem parte da rotina desses animais, abrangendo desde jacarés até tartarugas. Cada espécie gera um tipo específico de som, que cumpre funções determinadas.
Antigamente, a comunidade científica concentrava-se majoritariamente na comunicação vocal de mamíferos e aves. Contudo, pesquisas recentes começaram a dedicar atenção aos répteis e descobriram que o ruído constitui uma forma de comunicação crucial para esses seres, desempenhando um papel mais significativo do que se acreditava antes. Esses sons são empregados em processos de acasalamento, na interação com filhotes e em outros comportamentos.
Crocodilos e tartarugas emitem sons mesmo estando dentro do ovo, servindo como um aviso para a mãe e para os demais filhotes sobre o iminente nascimento. Este mecanismo também auxilia na sincronização do parto dos filhotes; essa funcionalidade foi identificada especificamente nas tartarugas apenas no último século.
Os gaviais, frequentemente encontrados no norte da Índia, compartilham semelhanças com os crocodilos, notadamente por possuírem um focinho excepcionalmente longo (um dos maiores entre os crocodilianos) e dentes visíveis mesmo com a boca fechada. Os machos exibem uma elevação na ponta do focinho que gera um zumbido, atraindo fêmeas para o acasalamento e auxiliando na seleção do parceiro ideal.
Adicionalmente, os gaviais utilizam uma protuberância, chamada ghara, para alertar sobre a presença de indivíduos estranhos em seu ambiente natural. Este som é discreto, comparável ao estalo de uma rolha de garrafa ao ser aberta, e só foi objeto de estudo aprofundado em 2025. Cada animal possui um padrão único de estalos que permite a diferenciação entre os indivíduos.
Os lagartos também participam dessa comunicação, sendo que aproximadamente 30% das famílias emitem sons. A maneira como utilizam esses sons varia conforme a espécie. Alguns vocalizam quando se sentem ameaçados ou simplesmente para estabelecer contato entre si.
A iguana-arborícola-chilena, espécie nativa do Chile e da Argentina, apresenta variações em seus sinais de alerta de perigo, emitindo sons distintos que denotam a severidade da ameaça. Quando este som de maior risco é produzido, as iguanas vizinhas permanecem paradas por um período.
Por sua vez, a lagartixa-tokay é capaz de ajustar sua vocalização em ambientes ruidosos. Diferentemente dos humanos, que tendem a elevar o tom nessas situações, ela modifica o padrão sonoro, prolongando a emissão das frequências mais altas.
Outra variação observada em répteis é a alteração do som de acordo com o porte do animal: os exemplares maiores produzem sons mais graves e com frequências mais baixas.
